junho 17, 2008

Tranqüilidade

Eu gostaria de ser uma pessoa totalmente zen. Nada melhor, não? As bombas estourando do seu lado e você aproveita o fogo para acender um cigarro. Ou um baseado, se for ainda mais desencanado. Infelizmente, muitas dessas pessoas têm atos que são considerados completamente idiotas pelo mundo estressado e esperto que nunca perdoa.
Eu pensei nisso quando vi a história do ladrão de supermercado em Frankfurt que conseguiu escapar depois de ter sido algemado. Os guardas o prenderam a um corrimão e foram atrás dos outros. Na volta ele tinha fugido. Sim, escapou com algemas presas a um corrimão.
Mas, sempre tem um mas, o cara deve ter ficado incomodado com aquela pulseirinha que não tinha nada de vip e pensou "como me livrar dela?". Claro, com a própria polícia. E, provavelmente confiando no seu charme e no seu ar inocente, foi a um posto policial, contou que tinha sido preso em uma brincadeira entre amigos e pediu para que os soltassem. Os policiais acharam engraçadinha a conversa e o soltaram. Até que um mais esperto ligou aquilio à fuga de um ladrão e o prendeu. E esse foi o triste fim de um ladrão desencanado. Ou idiota, como podem achar. Mas, e se tivesse dado certo?
Não é muito pior que o ladrão no México que engoliu um bracelete de ouro para esconder a prova do crime e os policiais o encheram de laxante durante uma semana. Melhor ainda são aqueles que roubaram toneladas de Guiness na porta da fábrica em Dublin. Ou seja, há malucos e desencanados para todos os gostos.

Rio
Já por aqui o buraco é maia profundo, não? Não sei se desculpas, adiantam, mas que tal mais explicações do Exército sobre o que aconteceu no Rio?

Stephanie Toth
A menina tem 16 anos, tem composições próprias que ainda não ouvi. Ela esteve no Sesc Vila Mariana há uma semana. Esse vídeo foi em uma session do Poploaded, o programa do Lúcio Ribeiro no IG. Ele fala mais dela no seu blog. A música é Fox in the Snow, do Belle & Sebastian. E ela consegue, como diz o próprio Lúcio, transformar a música da banda escocesa em canção para soluçar. Mas é uma graça.

junho 15, 2008

Fragmentos de uma festa junina

Junho. Tempo de lembrar do interior que mora dentro da gente. Mesmo dos paulistanos. E mesmo sem quase enxergamos o céu direito não tem como não sentirmos o cheiro das cocadas, da canjica, das tortas de milho, do quentão, do vinho quente...E São Paulo faz sua festa, em bairros, escolas, paróquias. E em adoráveis vilas. Ontem eu fui a uma festa em uma pequena vila da Vila Madalena que estava perfeita. O carinho com que foi preparada estava em todos os cantos. Show de simpatia e acolhimento, by Letícia e Ricardo, entre outros. Coloco algumas fotos aqui, mas já peço um desconto porque a luz era pouca e o celular estava molhado. É isso, molhado. Mas boralá, não Aurora Boreal?







E sem faltar a linda Iemanjá que a Letícia trouxe de Salvador na mala.

junho 11, 2008

Valentine´s Day

São momentos, não têm uma lógica. Poderia ser romântica, melosa ou sedutora do começo ao fim. Mas não seria eu. É claro que tem aquele momento delicioso da viagem nos olhos do outro, do toque, das sensações, mas tem também a hora de dançar e rir muito. Ou chorar. É a vida. Essas músicas ficam próxima de uma seqüência de Valentine´s Day que vivi. Porisso ninguém irá gostar do começo ao fim. A não ser eu, claro. Espero que curtam a maior parte, ou parte, ou quase partes. Mas, em todo caso, amem muito amanhã com a trilha sonora de vocês.



Mixwit

junho 08, 2008

Lições no limite do suportável

Existem várias maneiras de você descobrir coisas sobre a vida e sobre você mesma. Depende do caminho que você escolhe. De volta da Costa do Sauípe, percebi que posso estar escolhendo o mais difícil.
A primeira lição foi entender o que aconteceu com minha mãe quando ela caiu há algum tempo e esfolou completamente seu rosto, levando três pontos na testa, inclusive. Eu me perguntei na ocasião, como ela não protegeu o rosto? A resposta veio com a minha própria queda, saindo da praia e pegando o caminho que levaria para meu quarto. É simples, como um saco de batatas sendo jogado em queda livre, se você forçar o braço para tentar atenuar, corre o risco de quebrá-lo. Então, o melhor é deixar cair tudo que tiver de cair e rezar para que o estrago não seja tão grande.
O estrago foi menor do que imaginei na hora mas enorme para a vaidade humana. Minha boca inchou, meus lábios pareciam leporinos, como bem observou um amigo, e ganhei manchas roxas que formaram um bigode. Sim, um bigode que quase se assemelhou ao de Salvador Dali mas ficou tímido no meio do caminho. O que pode até ter sido pior.
Daí outra lição aprendida, a vida das mulheres bigodudas não é fácil. As pessoas chegam perto de você para te cumprimentar com um sorriso, ao perceberem que tem algo diferente começam a recolher a saudação e você nota claramente a hora que a boca passa do esboço de um olá descontraído para o oh!!!! que ainda tenta ser disfarçado. E o pior são as recomendações, passe um corretivo e uma base que melhora. E quando você responde que já está com corretivo e base não há quase mais nada a dizer. A não ser as mais incentivadoras que ainda se oferecem para emprestar uma base mais escura, se for o caso. Mais um pouco e me ofereceriam tinta.
Para evitar constrangimentos para todos, o melhor foi o dragão se recolher à sua caverna e passar mais tempo lendo, escutando música e conferindo se o movimento das ondas do mar estava no ritmo. E aí chegam os amigos, os conhecidos, os que te trazem remédio, ajudam a limpar o sangue espalhado no quarto e na roupa, os que te distraem e te paparicam. Três muito queridos, Red, Mari e Haru, levaram o monstro para almoçar na vilinha para que ele ficasse longe da visitação pública no almoço na prisão, sorry resort. E daí não dá para não rir da sua própria desgraça com as observações sarcásticas sobre a lamentável situação. Mesmo que isso custasse mais dor nos lábios leporinos. Mas, ainda bem que sobra o humor. E aí não há nenhuma lição, mas a constatação do que eu sempre soube, amigos valem ouro.
Vale ainda registrar a cara da arrumadeira que chega no seu quarto quando você ainda tenta descobrir de onde vem tanto sangue. Sim, porque faz tanto tempo que não vejo algo assim. De dois cortes na mão devem ter jorrado litros, sem contar joelhos, cotovelos e sei lá mais o que. Meu Ipod ganhou um tom avermelhado em instantes. Meu celular, nem fale. O chão foi todo tingido e não havia mais uma toalha sequer branca. A cara da moça baiana era algo do tipo "onde será que ela escondeu as partes do corpo que foi esquartejado aqui?"
E o hotel te manda, no máximo, uma água oxigenada, um pouco de gaze e esparadrafo fininho. Só. Band aid, só depois de implorar muito. Gelo? Vamos ver se conseguimos. Se eu fosse associada da Previ pediria uma auditoria imediata para entender porque tanto dinheiro foi colocado naquele empreendimento falido que nem texano em férias coloca no seu roteiro. Se querem saber mais sobre o atendimento e a péssima comida, confiram no Redneck. Se não fosse nossa escapada para a Praia do Forte, na sexta, tudo teria ficado asfixiante demais naquele lugar.
Voltando para o tombo, o mais engraçado foi o momento que ele aconteceu. Sentada debaixo de um coqueiro eu escutava música, concentrada naquele vai e vem das ondas, buscando uma sintonia que eu tinha perdido na véspera, por algum motivo estranho. E não era com alguém, com alguma coisa, ou conexões divinas, era comigo mesma. Na hora que achei que a tinha restabelecido, me levanto para voltar para o quarto e, literalmente, quebro a cara. Ou seja, mais do que a sandália que fica presa e te derruba, tem algo mais no ar do que helicóptero levando bala perdida, como diz a Kriko.
Enfim, é bom estar de volta e ver seu porteiro predileto deixar a portaria por instantes para trazer suas coisas até o seu andar, mesmo que você não esteja mancando ou sem condições de andar. E mesmo se estivesse, o elevador está aí para isso. Mas só para te fazer um carinho. Home, sweet, home.

junho 04, 2008

Aquarela

Tem músicas que atravessam uma vida com a gente. E sempre que a escutamos é inevitável um sorriso nos lábios. Não tem? Essa é uma. Ela me lembra minha mãe, professora, que ensaiava com seus alunos. Minha filha, que tinha o vinil. Mas hoje ela é dedicada para o Rafinha, um fofo que está completando três semanas. Parabéns, gatinho.
Curtam Toquinho enquanto eu faço as malas para uns dias na Bahia.

junho 03, 2008

Fever, fever

Nada pode ser agradável quando você passa o dia na cama com mal estar e febre. Muito menos o Telecine. Dou um desconto porque não consegui ver nada do começo ao fim. Mas não precisava, na verdade. Era um desfile de filmes mal feitos, mal dirigidos e com roteiros duvidosos.
No meio de tudo isso, várias chamadas para Turistas, o filme tipo Pânico 1, 2 ou 3, que se passa no Brasil. Filme polêmico que mostra macacos nas praias, quadrilhas de traficantes de órgãos, onde um médico até chega a dizer que faz isso para lutar contra o imperialismo do primeiro mundo. Afe !!!!
Acho que escolha desse filme deve ter sido algo do tipo, como podemos piorar mais nossa grade? E não é nem a questão da imagem do Brasil, o vale-tudo de terror que o filme passa. Tem muitos filmes nacionais, que fizeram sucesso lá fora, que mostram a realidade brasileira da violência, do quão pouco pode valer a vida de alguém. Mas alguns desses filmes fazem isso com maestria, com qualidade. Mas Turistas? É mais um massacre da serra életrica tropical e se a programação já é ruim, é para afundar de vez.
Já o Canal Brasil anda com uma boa programação de documentários e de programas independentes que vale a pena dar uma olhada.

Delírio
Mas ver o que está acontecendo no mundo, febril, não dá boa coisa...fico sem saber o que pensar da caça do Minc ao boi pirata...vai tudo para o Fome Zero?... febre...então resolvido o problema da fome.. que calor...e o pior do desmatamento ainda está por vir, ministro?...mal estar...roubaram as cinzas do Kurt Cobain?... febre de novo...tomara que não seja para cheirá-la, como o Keith Richards diz que fez com o pai dele...suando...lá se foi Bo Diddley, o avô do rock da guitarra quadrada...só piora...um serial killer chamado Spider que morre de medo de aranha...39,5 graus...Along Came a Spider com Alice Cooper, harmônica de Ozzy Osbourne... e guitarra do Slash...não perco por nada...Hillary, último dia, hem? ...joga a toalha logo...melhor tomar outro banho...Rock in Rio de volta para o Brasil em 2014....ai,ai...junto com a Copa?...e pode ser que aconteça em São Paulo?... e vai chamar como?...Rock in Rio São Paulo?...melhor tomar logo outro antitérmico.

Killing me softly
Fugees com Lauryn Hill. Assisti ao show dela em São Paulo, que começou com duas horas de atraso mas valeu a pena esperar. Ainda mais com tanto Proseco. Esse vídeo foi um momento de saudades de Ai ai ai, que está de malas prontas para a França e Noruega. Boa viagem, amor.

Outono

Eu me apaixonei por essa foto do Patrick Nosetto, fotógrafo que vive em Marseille. Não parece um quadro impressionista? Ele tem um portfolio incrível com fotos de pássaros maravilhosas, que outra hora coloco aqui. E como precisamos treinar os nossos olhos para o belo, acho que essa é uma boa contribuição.

maio 30, 2008

Sangue latino

Insônia e vontade de ouvir essa música. Aliás, para quem ainda não leu muito boa a entrevista do Ney na Rolling Stones. Engraçado ele dizer que fuma um baseado quando tem dúvida de algo que sabe que ele tem a resposta na mesma edição que o Gabeira diz que só fuma em Amsterdam. Então, tá.

maio 29, 2008

Sem título


O trabalho é da Pinon, uma artista norueguesa que gosta de rock, trabalha com arte, textos, poesia e tem talento.



Desconstrução a dois

Ele parecia o mesmo. Não, pensando bem, talvez não. O sorriso já não era mais tão franco. A timidez um pouco mais forçada. Ainda havia muito mais, mas como saber se o olhar nunca é direto. Sim, ele mudou muito. A começar que já nem a conhece mais. Lhe dá um presente que deve ter comprado no caminho. Um livro que ele já folheou tantas vezes a cópia que ela tem na estante. As palavras saem como que medidas para terem o tamanho exato do afastamento. Ela sente a tristeza tomando conta da respiração e tem vontade de lhe dizer que não há o que temer. Fique tranquilo, não há implosão possível que afaste tantos pesadelos. Durma em paz, a memória continuará sendo a juíza. E ela é implacável.

Boa sorte, good luck
Vanessa da Mata e Ben Harper

maio 16, 2008

E o nosso índio...











São fotos de Renato Soares, uma super figura e um grande fotógrafo. Sua exposição "Mavutsinin- O Último Kuarup”, está na galeria Imã. São 20 painéis onde ele apresenta a simbologia do Kuarup de Orlando Villas Bôas, realizada em 2003, no Alto do Xingu. Está belíssima, vale a pena conferir.
Pegando carona, aproveito para deixar minha saudação a Marina Silva que durante cinco anos suou a camisa em nome do nosso ambiente mas foi vencida pelo meio. Tks.

maio 12, 2008

Liberdade, mas será que é tarde?

Lawrence Edward Page nasceu em março de 1973 em Lansing, capital do Michigan. Cinco meses depois, em Moscou, nasceu Sergey Mihailovich Brin. Nessa época, eu começava a prestar atenção no mundo e tinha uma curiosidade tremenda sobre o que eu poderia saber e fazer. Deve ter sido por volta disso que eu li 1984, de George Orwell, que alertava sobre uma sociedade totalitária onde tudo se sabia e o Big Brother a todos observava e controlava e deveria ser alvo de adoração e obediência. Senti todo o desespero de Winston, o personagem principal, que toma consciência daquele horror.
Em 1998 eu já tinha uma filha quase entrando na adolescência, dois casamentos desfeitos e um terceiro a caminho e ainda acreditava que acontecesse o que acontecesse, resistiria com armas e dentes aquele quadro traçado por Orwell.
E por que estou me lembrando de tudo isso? Porque eu li uma entrevista na Época nesse final de semana com o estudioso holandês Geert Lovink, onde ele defende que todos devem fazer campanha contra o Google. Ele começa mal, dizendo que teme o monopólio Google, mas tem de admitir, em seguida, que se trata de um monopólio virtual. Se corrige para hegemonia tecnológica lembrando que quando usamos Gmail ou Orkut todos seus dados se tornam mercadoria de uma única empresa.
Verdade, e aqueles anúncios todos que aparecem ao lado de nossas pesquisas ou quando acionamos o gmail mostram isso. Mas o pior é a dependência. E daí volto para Orwell, quando imaginamos que todo aquele controle dos nossos dados se daria de modo autoritário, não, nós nos entregamos de braços abertos, corremos para dar nossas identificações, nossas preferências, nossos interesses. Sem uma arma apontada, apenas porque quisemos. E o Big Brother virou um enlatado da espanhola Endemol que vendeu direitos para a TV Globo.
E desde que aqueles dois meninos, Larry Page e Sergey Brin, fundaram o Google em 98 eu fui me tornando uma viciada e eles milionários. Não passo um dia sem acionar várias vezes a busca para fazer uma pesquisa, nem consigo imaginar como era antes. E se vocês estão me achando uma nerd, lembre-se de que estão lendo esse blog em um Blogspot, um servidor de quem? Do Google. E assistem a uma série de vídeos do You Tube, não? Deles. E daqui a pouco terão um celular com uma interface do Android, uma plataforma aberta mas que foi incentivada por eles para que você tenha no seu telefone móvel as mesmas facilidades de acesso de um computador.
Então, caro Lovink, você pode, e deve, ter razão. Mas só esqueceu de dizer para que clínica de reabilitação eu preciso ir, pelo amor de Deus?

Foto
Ah, eu pensei na foto que queria para esse post. E me lembrei de uma exposição belíssima que vi do Andreas Gursky, fotógrafo alemão que trabalha digitalmente seus trabalhos para passar a impressão que ele tem dos momentos. E você fica horas olhando uma fotografia multiplicada por um computador, delicadamente, mas que te dá uma sensação de imensidão e de loucura, às vezes. Ele já foi chamado de coreógrafo do caos. O único problema para achar as fotos foi que eu não me lembrava o nome dele. Pode? Então entrei no arquivo do Centro Pompidou, das exposições de fevereiro de 2002, e achei. E qual foi meu caminho? Google, claro.

Penetra
Esqueçam a história que falei dos posts deletados da K, do Incompletudes. Foi um penetra sacana. Invasor do mal.

Je t´aime
No melhor estilo difusa de ser, vou pular para algo mais agradável. E tenho meus motivos para isso, tá? E vamos de Je T´aime moi non plus, com Jane Birkin -- que deu show mês passado no Brasil -- e Serge Gainsbourg. Aliás, tem uma questão nesse moi non plus, que deveria ser moi aussi, eu também. De qualquer jeito, uma das músicas mais eróticas de todos os tempos.

maio 11, 2008

Tartaruga não é iguaria

Conversando um dia desses com a antenada Andarilha ela me falou sobre o site Brasil Sabor, uma iniciativa do Ministério do Turismo junto com a Abrasel (Associação Brasileira dos Bares e Restaurantes) e que tem como objetivo divulgar os prazeres da nossa mesa tanto aqui quanto no exterior.
O site, realmente, é muito bom e faz parte da iniciativa Festival Brasil Sabor, quando vários restaurantes, de regiões diferentes, fazem promoções com preços mais acessíveis para divulgar o que está sendo oferecido nas mesas brasileiras.
Mas, como disse a Andarilha, tem um erro imperdoável quando trata de iguarias. A definição de iguarias para eles é assim: " ficam estabelecidos como iguarias todos os produtos diferenciados da gastronomia. Seja uma simples fruta ou um cozido que leva horas para ficar pronto; nesta seção está incluído aquilo que faz crer na existência do sublime".
E, na lista do sublime, está a carne de tartaruga. "Desde os tempos da colônia, a tartaruga sempre foi uma das iguarias mais disputadas em banquetes oferecidos pelos nobres. Nessas ocasiões, eram servidos inúmeros pratos que tinham o delicioso e simpático quelônio como protagonista. Dentre as receitas, havia sarapatel – feito com o sangue e os miúdos do bichinho -, peito assado, picadinho, sopa, guisado, e até uma farofinha bem brasileira. E ainda, de sobremesa, para fechar a noite com chave de ouro, uma tradição portuguesa: ovos moles (de tartaruga, evidentemente)".
Eu aguento uma coisas dessas? Socorro. Andarilha, que não é de ficar quieta, mandou um email para eles, protestando, mas não obteve resposta. Não basta dizer que comer tartaruga é "sublime" mas ainda há a coisa esquisofrênica que é a de um órgão do governo apoiar essa idéia enquanto outro, ou seja a Petrobras, coloca recursos no projeto Tamar, que é o programa brasileiro de conservação das tartarugas marinhas.
É uma pena que isso esteja lá, porque a iniciativa é realmente boa e o site vale uma visita, com certeza. Mas sem esse absurdo. Já mandei meu email e se vocês quiserem também se manifestem. Marta, acorda, mulher.

Censura? Invasão?
Continuando na linha serviço blog de denúncias, aconteceu algo muito grave no blog Incompletudes. Outra blogueira antenadíssima, a K, publicou recentemente um post sobre a notícia que ela leu dizendo que a Livraria Cultura havia cortado o plano de saúde de um funcionário porque ele tinha câncer. Ela propôs um boicote até que tudo fosse esclarecido e recebeu várias adesões, a minha inclusive. A Cultura mandou um email explicando, mas nada muito convincente. O problema, agora, é maior. Todos os posts dela sobre o assunto, os comentários feitos e os emails que recebeu foram deletados do blog dela. Como pode alguém entrar no seu espaço, que você acessa por senha, e fazer algo assim? Gravíssimo e acho que quem ficou devendo explicações, agora, é o Wordpress.

Mães
No estilho alhos e bugalhos (sorry, Eliana Mara) passo a tratar de algo mais docinho. Atrasado, mas de coração. Parabéns, mamães. E tias também, afinal elas não são segundas mães, nos ajudando e apoiando enquanto essas crianças crescem? Beijos para todas. O texto do Redneck para a mãe dele também vale a pena. E ele ainda foi o primeiro a me dar os parabéns.

Society
Achei esse vídeo do Jerry Hannan muito legal. Simples para uma música com uma letra tão forte. Ele é o autor da música Society, que entrou na trilha de Into the Wild.
"Society, you're a crazy breed.I hope you're not lonely, without me'.
Vale a pena. Divirtam-se.

maio 07, 2008

Las Colores


Almodóvar conta em seu blog que sempre foi questionado sobre as cores vivas que utiliza nos seus filmes. Suas respostas eram padrões, instinto, estado de ânimo, arte pop dos anos 70 e outras que lhe recorriam. Mas ao ser entrevistado, no final dos anos 90, por uma jornalista do Le Monde, com quem ele se simpatizou muito, resolveu se esforçar melhor para dar uma resposta.
Até para sua surpresa, se lembrou de um episódio envolvendo sua mãe. Ele a levou ao El Corte Ingles para comprar um vestido com o qual ela faria uma ponta em Mulheres à beira de um ataque de nervos. A moça que a atendia lhe ofereceu um vestido negro e ela disse que não, de jeito nenhum. A mulher não pediu explicação, mas mãe de Almodóvar resolveu dar assim mesmo. E contou uma história que nem mesmo o filho sabia. Aos três anos de idade ela perdeu o pai e vestiu preto pelo luto, como era regra geral. Só que na sua família várias mortes se sucederam, um tio, outro parente próximo, e ela acabou vestindo preto até os trinta anos. Quando estava grávida de Pedro, estava de luto. Foi aí que decidiu que nunca mais usaria aquela cor. E ele entendeu, finalmente, o que era o colorido dos seus filmes.
"Eu fui a resposta à injusta situação que ela viveu desde os três anos. Meus filmes são a vingança de minha mãe contra o luto". E assim seja, caro criador. Cores e cores nas nossas vidas.

É do Brasil, gente.
Eu pirei ou só faltou o Galvão Bueno gritando no anúncio que a Bovespa publicou hoje nos jornais, saudando o grau de investimento que o país alcançou? Me dá medo quando esse ufanismo vem da cabeça desses malucos.

Poderosa
Vamos combinar, não dava para sentir um tesão tão imediato que justificasse a Madona puxar uma garota desconhecida da platéia de seu show em Paris e dar-lhe um beijo na boca regado a champanhe. Eita mulher boa de marketing. Enquanto isso, Amy Winehouse conseguiu sair da cadeia depois de ter sido presa com drogas. Afe, essa menina. O site de apostas que montaram para o dia que ela vai pifar de vez deve estar bombando.

Ex-poderosa
Hillary, desiste, filha. Já está ficando feio.

Junho em festa
O mês que vem promete. Chuck Berry, sim ele mesmo, fará uma turnê pelo Brasil, começando pelo Rio no dia 17, São Paulo, 18 -- essas duas datas podem se inverter --, Curitiba no dia 20 e Porto Alegre no dia 21. E dá-lhe Route 66, Johnny B. Goode, Roll over Beethoven e muito mais. Vale conferir para saber qual o fôlego que ele ainda tem.
Joss Stone, lembram, também terá show em junho, de 13 a 19 também em São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre.
Se show já é bom, de graça é ainda melhor. Macy Gray e Herbie Hancock vão tocar juntos no Parque Villa-Lobos, no dia 1º . Eu já vi dois shows dela. Ou melhor, quase dois. Um ela caiu no palco de tão bêbada e demorou horas para levantar, com a banda fazendo as vezes super sem graça. Mas parece que já melhorou, não teve problemas no Live Earth no Rio.
E ainda é bom lembrar que agosto tem João Gilberto. Haja frilas para pagar tudo isso.

Bom, nada melhor do que Chuck Berry, que ainda recebe Steve Ray Vaughan e George Thorogood para um rápido duelo de guitarras.

maio 04, 2008

Felicidade é uma arma quente

O Redneck soltou um rugido muito bom sobre felicidade baseado no livro “Stumbling on Happiness” ("Tropeçando na Felicidade") do Daniel Gilbert. Eu pensei, não dá para ser feliz quando você passa o feriado em casa digitando letras, escrevendo palavras, pensando em frases e parágrafos. Tudo para acabar em tempo a primeira fase dos dois capítulos de um livro que você tem de entregar sobre um tema que nem interessa aqui. Mas o próprio Gilbert fala sobre nosso "talento incrível para encontrar formas de suavizar o efeito negativo". É verdade. E nada melhor do que você comer um pedaço de bolo de milho que acabou de ser feito por uma amiga, dar uma pausa para tomar cerveja com pessoas que você gosta e te querem bem, comprar um girassol para sua sala para chamar coisas que quer e pessoas que tem saudades e, de quebra, ter a comprovação de que cinco vezes gol é muito bom. E ainda sonhar que está alcançando o grau de investimento. Mas por mais talento que tenhamos, tem hora que realmente dá vontade de pegar o primeiro vôo para o Hawaii ou Jericoacora.
Mas uma coisa que sempre é boa é encontrar vida inteligente e sensível. Eu visitei a Revista Modo de Usar, feita por pessoas muito competentes que ajudam a divulgar o que há de melhor por aí na poesia e na arte. Eu conheço a Angélica Freitas, uma das responsáveis e posso dizer que se trata de uma pessoa com Q maiúsculo de qualidade. Aconselho a visita.
Passeando por lá, lembrei que nesse mundo felicidade também é uma arma quente.Eles apresentam três traduções para “Happiness is a warm gun”, do Lennon, uma de Drummond. Eu escolhi a do Fabiano Calixto.

A felicidade é uma arma quente
Ela não é uma garota que marca touca
Ela bem sabe a mão de veludo
Como uma lagartixa a uma vidraça
O homem na multidão e seus espelhos coloridos
E suas botas fodidas
Mente com os olhos enquanto as mãos fazem
Os trabalhos extras
A impressão em sabão de sua mulher
Que tanto comeu e doou ao Patrimônio Histórico
Mais uma dose, pois estou desabando
Caindo nas tralhas que esqueci na cidade-alta
Mais uma dose, pois estou desabando
Madre Superiora saca a arma
Madre Superiora saca a arma
Madre Superiora saca a arma
A felicidade é uma arma quente
A felicidade é uma arma quente, mãe!
Quando eu a pego nos braços
E sinto meu dedo em seu gatilho
Sei que ninguém pode me fazer mal
Porque a felicidade é uma arma quente, mãe
A felicidade é uma arma quente–
Sim, ela é
A felicidade é uma arma quente, sim
Arma!Bang! Bang!!Pow! Pow!!
Bem, você não sabe que a felicidade é uma arma quente, mãe?

Para acompanhar, a belíssima canção do Álbum Branco. Divirtam-se e boa semana.

Antes que tudo fique fantástico

Eu não assisto, mas há quem assista. Então, vamos aproveitar o que ainda falta para os primeiros acordes da abertura do Fantástico que marcam, oficialmente, o fim de feira. Como o Pedro disse que o Damion Albarn, no outro vídeo, estava muito Thom Yorke, vamos com o próprio Radiohead no clássico Creep que, lindo com eles, também teve muitos covers belíssimos. Sei que vocês conhecem, mas não custa escutar de novo. Na verdade, eu preciso escutar de novo. A canção já chegou a entrar na lista das melhores músicas na guitarra (não fui eu que disse,Neil), e a letra é extremamente sensível, com a falta de arrogância escancarada de um homem no seu amor por uma mulher.
"I wish I was special,
you're so fucking special
But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here"

Ah, errou quem achou que era algo para sacudir antes do Fantástico. Não, é para que tudo fique mais arrepiante.

Um pouco de bossa nova

Na série Classic Albums do The Doors tem alguns bastidores interessantes. Em um deles, o baterista e percussionista John Densmore conta da influência da bossa nova na música Break on Through (To the Other Side), algo que ele já tinha comentado antes. Aqui tem um trechinho do vídeo que ele fala disso.

maio 01, 2008

Nova missão

Alvo -- Deadline
Objetivo -- Destruição total
Autorizações -- Qualquer meio necessário
Tema -- Remix de Adam Clayton e Larry Mullen Jr (hot, hot)