abril 08, 2009

Novas rotas

Estamos na beira de um feriado e logo mais teremos outro. O serviço de utilidade pública desse blog resolveu deixar aqui umas dicas de viagem para os que querem conhecer lugares diferentes dos que visitam tradicionalmente. Mochila nas costas, disposição para o novo, atenção nos sinais do caminho, e boa viagem.

Ilha dos Bem-Aventurados
Situada no Oceano Atlântico com cerca de 800 quilômetros de comprimento, é habitada por um povo que se veste com lindas teias de aranha cor de púrpura. Apesar de não terem corpo podem se mover e falar com os seres mortais. Eles se parecem com espíritos nus, cobertos com uma teia que lhes dá a forma de um corpo.
A ilha é comprida e plana, governada pelo cretense Radamus. A capital é construída em ouro, com muros de esmeralda. Têm sete portas feitas de uma única peça de canela e as ruas que cruzam a cidade são de marfim. Há templos para todos os deuses, construídos de berilo, com altares feitos de ametista, usados para sacrifícios humanos; aconselha-se aos que facilmente se impressionam com a visão de sangue a não assistir às cerimônias.
Em torno da cidade correm vários rios: um de perfume delicado, de 15 metros de profundidade e facilmente navegável; sete de leite e oito de vinho.
(...) Os viajantes não encontrarão na ilha a escuridão da noite ou a luz do dia a que estão acostumados. A ilha está sempre no lusco-fusco, como se o sol ainda não tivesse nascido. É sempre primavera e o único vento que sopra é o zéfiro. O país é rico em todas as espécies de flores e todos os tipos de plantas: as videiras dão uvas doze vezes por ano. Macieiras, romãzeiras e outras dão frutos treze vezes por ano, porque no mês de Minossa frutificam duas vezes. O trigo produz pães assados, que crescem em suas pontas como cogumelos.
(Luciano de Samósata, Históricas Verídicas)

Fundos do Vento do Norte
Reino situado no deserto ártico a que se chega atravessando o corpo do Vento Norte, que fica em sua entrada. Três pessoas fizeram relatos diferentes sobre esse lugar. Durante, escritor do século XIV, afirma ter entrado por uma porta de fogo e ter visto um país onde tudo é perfumado e é sempre o mês de maio. Uma brisa suave sopra constantemente e um córrego límpido gorgoleja em meio a campos relvados, salpicados de flores vermelhas e amarelas. De acordo com o italiano, os habitantes são livres e saudáveis e usam coroas.
Séculos depois de Durante, a filha de um camponês escocês adormeceu num bosque e acordou no reino do Ártico. Ela descreveu uma terra onde não chove nunca e onde jamais sopra o vento, uma terra luminosa onde não há sol ou lua, noite ou pecado.
No século XIX um menino chamado Diamante, filho de um taxista londrino, foi transportado pelo próprio Vento Norte. Não viu sol, mas uma luz que parece irradiar de todas as coisas. Um rio corria sobre longas ervas ondulantes. Segundo ele, nada há de errado com o país mas, por outro lado, nada parece estar certo.
As pessoas do Fundo do Norte não falam: basta que se olhem para que se entendam. Segundo Diamante, as pessoas parecem felizes mas não o são totalmente. Elas tinham aparência triste às vezes como se esperassem ser mais felizes um dia.
Avisa-se aos viajantes que o tempo passa muito devagar no reino: uma semana, às vezes, parece durar um século inteiro.
(George Mcdonald, At the Back of the North Wind)

Porta no Muro
Entrada para um jardim que muda de lugar, onde tudo é lindo e todos se sentem perfeitamente feliz. Depois que se passa pela porta, que pode se encontrar em vários lugares do mundo, um caminho longo e largo, com canteiros floridos de borda de mármore em ambos os lados, conduz a uma moça alta e bela, de voz doce e agradável, e a outras pessoas também bonitas que divertirão os viajantes. (os homens se parecem com Martin Donovan e têm a voz de Eddie Vedder)*
A fauna do jardim é surpreendente: panteras pintadas, micos e periquitos. No jardim há um palácio espaçoso e fresco, com colunatas sombreadas e muitas fontes.
O viajante que descobre a porta do jardim se encontra geralmente diante da escolha entre comparecer a um compromisso importante ou entrar nesse reino das delícias. Contudo ele deve ser advertido de que depois de certo número de visitas esse jardim de êxtase pode se transformar em seu túmulo.
(H.G. Wells “The door in the wall”)

-- Essas e outras dicas de lugares fantásticos podem ser encontradas no Dicionário de Lugares Imaginários.
*por minha conta.

Flight of Icarus, by Iron Maiden

abril 05, 2009

A cartomante

Eu ando pensando, insistentemente, em como posso reforçar meu caixa. Essa busca me levou a uma cartomante. Não lembro quase nada do que ela disse sobre o meu futuro. Mas fiquei pensando em como ela aliava intuição e observação para captar o perfil (o básico, já que em uma cartomante ninguém quer se aprofundar mesmo) das pessoas que a procuram. Na verdade, percebi que a leitura não é das cartas, é do rosto, do olhar, das mãos. E, de quebra, das roupas, do cabelo, tudo que puder dar uma dica sobre aquela pessoa. Ou seja, o que todo mundo já dizia sobre as cartomantes. E, no fundo, todo mundo traz um pouco das respostas dentro de si.
Bom, comecei a achar que eu tinha as qualidades de uma boa leitora de faces e estilos. E, para me aprimorar, também aprendi o básico da leitura das cartas. E, pronto, acabava de ser criada a Madame Diphusa, a seu dispor. Uma amiga decidiu me dar uma força e mandou uma conhecida dela me procurar.
Clima todo armado, uma canga bem bonita na mesa, incensos, velas. World Premiere. E lá estava eu pronta para dar todas as respostas para a minha primeira cliente.
Eu gelei quando a mulher entrou. Enquanto servia um chá verde e conversava sobre trânsito, essas coisas, tentava, sem muito sucesso, decifrá-la. Maria Eulália parecia uma esfinge. Mas ainda tinha esperanças que ela se revelasse mais nas perguntas.
Como não quero ser uma fraude, decidi colocar aqui o que foi minha primeira experiência. Claro que isso vai fazer com que a clientela desapareça, dado o fracasso e o vexame. Mas, vejam só, nem fui tão culpada assim.

-- Vamos lá, Maria Eulália. Antes de cortar, me diga o que você deseja saber.
-- Eu preciso saber se algum dia as comparações deixarão de me assombrar.
(Whaaaaat?)
-- Como assim?
-- Eu conseguirei ficar livre delas? Ou elas, definitivamente, estão impregnadas em mim e farão parte da minha vida?
-- Bom... sabe...é que....então...veja bem.... que diabos você está falando?
-- Da essência do ser humano, comparar.
(Segura o palavrão, Patty)
-- Mas acho que as comparações são feitas para que possamos fazer escolhas, não? Você compara livros, filmes, músicas, carros, roupas, sei lá. É uma forma de você decidir o que é melhor.
(Péssimo!)
-- Mas em relacionamentos elas mais atrapalham que ajudam. Se você não tem boas memórias dos seus últimos envolvimentos tende a idealizar o próximo. Mesmo que o upgrade não seja muito grande. Ou pior, se encontrou algo que se aproxima de tudo que queria, e não ficar com essa pessoa, você se condenará à solidão por achar que nada será igual.
(Caramba, o que eu fiz para minha amiga? Porque ela quis se vingar de mim?Será que foi aquele batom da MAC?)
-- Bom, vamos tentar a La Jack. Você sente que está sendo comparada a alguém?
-- Devo estar. Quem não está?
(Boa pergunta)
-- E você quer saber se isso deixará de acontecer? Então não é melhor você falar em que circunstâncias isso acontece?
-- Todos os dias, provavelmente. Mas não é isso que me incomoda.
(Ai, quem me dera)
-- Não? Então o que te incomoda?
-- São as minhas comparações. Elas se tornaram cruéis e não dão a menor chance para o conhecido, imagine como tratam o desconhecido.
(Droga, tentei estrelar "O Mentalista" e acabei fazendo uma ponta em "Em terapia")
-- Que tal nos aproximarmos mais do assunto, quem sabe chegaremos à pergunta mais adequada para as cartas. Você está comparando quem?
-- Todos. Eu busco a perfeição em todos.
(Ai,ai, tolinha)
-- E de que tipo de perfeição você está falando?
-- O encaixe total, absoluto. De corpo e alma.
-- Você já viu isso de perto?
(Que cor será que tem?)
-- Em alguns momentos. Foram poucos, talvez, mas suficientes para me cegar. Agora, não enxergo mais nada. Tudo parece menor, opaco.
(Meu deus, deveria ter cobrado mais caro)
-- Bom, você quer saber então se vai conhecer alguém? É isso?
-- Não, isso pode acontecer a qualquer momento. Eu sei disso. O que eu quero saber é se serei capaz de deixar o novo entrar na minha vida sem que minhas lembranças o soterrem.
(Santa mãe, alguém tem o telefone do Quiroga?)
-- Claro que vai.
-- Mas você nem colocou as cartas para fazer essa afirmação.
(Minha nossa senhora dos bons conselhos, compareça no guichê, por favor)
-- Minha amiga, nem preciso. É só deixar as portas e janelas abertas. Nada será imediato, mas aos poucos alguém vai entrar na sua vida, devagarzinho, tranquilo. A identidade e a intimidade chegarão gradualmente. E quando você menos esperar estará deslumbrada com tudo de bom que essa pessoa pode trazer para você.
(Salve o Seicho No Ie !!!!)
-- E se não der certo? Não vai só aumentar a sobrecarga de comparações que vou fazer no futuro? Será que esse não é o ônus das relações mais verdadeiras?
(É, minha filha, pode ser que uma hora você tenha de baixar o nível de exigências)
-- Não sei, mas em todo caso aproveite enquanto puder. Se entregue, seja feliz nem que só por alguns momentos. Isso já vale muito, não acha?
-- É, acho que o tempo nas relações tem outra medida. E meu receio é de que o meu já tenha sido completado com o que eu podia ter de melhor.
-- É, na verdade, pode ser. Desculpe, não queria ser pessimista. Mas ou você se submete ao tratamento do Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, e apaga tudo, ou segue em frente.
-- Mas eu não quero esquecer.
-- É, pelo jeito não mesmo.
(Nem eu iria querer, essa louca deve ter atingido o nirvana das relações)
-- Como?
-- Nada, deixa para lá. Mas não desista, mesmo assim.
(O que mais eu podia falar?)
-- Não sei...
-- Ah, mas se você vier a se interessar de novo por alguém preste um pouco de atenção....
-- No que?
-- Nas comparações que essa pessoa estiver fazendo. Podem ser fatais. E olha, nem vou cobrar a consulta, tá?

No divã
Por falar em Em Terapia, adoro essa série da HBO. E o Gabriel Byrne estava quase me convencendo a voltar para a terapia até que entrou em uma crise sobre a eficácia de fazer com que as pessoas mergulhem em seus conflitos. Enquanto ele não resolver essa dúvida, não faço nada.

Garapa
Seu notebook quebrou? Você vai ter de gastar uma grana que não esperava com isso? Ou vai ficar um tempo sem ele? O monitor do desk pifou, mais gastos? Tudo isso te deixou mal, derrubada? Com vontade de chorar? Vai então assistir Garapa, documentário do José Padilha, o mesmo de Tropa de Elite. Ele mostra três famílias no Ceará que vivem em extrema pobreza e o que dão para seus filhos comerem. Ou não. Só não sucumbem de vez por conta do que lhes chega do Fome Zero e de outros programas sociais. Nada que você não soubesse do problema mundial da fome, como lembrou Luiz Zanin Oricchio. Mas é um soco no estômago e na sua cabeça que dura duas horas. Muita gente pediu para sair.

Chico escancarado
Não precisava de mais motivo para amar Chico Buarque de Holanda. Mas ele ainda chega com o excelente Leite Derramado. Delírio dele, do personagem (Eulálio, pai da Maria Eulália), da história, e nosso. Vale cada palavra. Nada está ali por acaso.

Whaaaat?
Chamada na primeira página do Estadão: "Serra exporta projetos para Estados e prefeituras". Ou seja, foram distribuídos gratuitamente 7 mil CDs com cópia dos sistemas de pregão utilizado pelo governo paulista. E técnicos do estado estão por aí ensinando como implantar a nota fiscal eletrônica que tem milhagem. Meu Deus, o que as pessoas são capazes de fazer em semana que Lula reinou no G20, não?
O apego da família Mesquita a Serra não é de hoje. Eu mesma, quando trabalhei na firma, tive de entrevistá-lo várias vezes quando ele ainda era apenas um economista arrogante. E já demonstrava seu autoritarismo ao pedir, sem o menor pudor, a cabeça de jornalistas que não escreviam o que ele achava que era o certo. Eu, hem, sai para lá, quem gosta de vampiro é francine.

Every breath you take, by Police.


Come as you are, by Nirvana.
E o tempo voou, já são 15 anos que o cara desistiu. Uau !!

abril 01, 2009

Sem título

(by Thomas Alleman)

Sentidos
Tem sido recorrente a lembrança desse verso de Alice Ruiz, que me importam os sentidos se tudo vibra? E, mentalmente, tenho acrescentado, que me adianta ficar calada se a pele grita?

Que tal um kit?
Entre tantos assuntos que discuti com uma amiga que morou muitos anos na Califórnia, um foi o kit terremoto que as pessoas que vivem na beira daquela fenda são orientadas a terem para o caso de tremores mais fortes do que os que enfrentam normalmente. Há uma série de itens que passam por um galão de água por pessoa, no mínimo, barras de cereais, frutas que serão repostas diariamente até o momento necessário, cobertores, luvas, lanternas, velas, baterias, papel higiênico e outros produtos de higiene, remédios, estojo de primeiros socorros, rádios, e muitas outras coisas.
Isso, na verdade, me deu uma idéia. Montar esses kits com algumas adaptações para carros, acrescentando, por exemplo, carregadores de Ipods para os que não possuem a conexão direta, livros, DVD portátil com um pequeno acervo, cervejas, talvez, e no caso de chuva -- a lady sempre aparece, é bom lembrar -- pequenos botes infláveis. E comercializá-los desde já para serem utilizados no dia do congestionamento final. Porque parece consenso que ele está cada dia mais próximo, não? Acho que consigo uma boa grana.

Só um pouquinho mais...
Tudo bem que o momento exige algumas medidas mais drásticas para evitar o pior. Não quero discutir o mérito disso. Também não tenho a intenção de defender o cigarro, acho que faz muito bem quem não fuma.
Mas já que os fumantes vão ajudar a compensar a renúncia fiscal às montadoras e à construção civil não é hora de eles receberem um tratamento um pouco, quiçá um pouquinho só, mais adequado? Se vão gerar cerca de R$ 975 milhões a mais para a economia que tal terem, no mínimo, as suas alas nos restaurantes em lugares melhores do que aquelas foram colocados nos últimos anos? Ou fumódromos dentro das empresas e de alguns estabelecimentos que não lembrem uma pequena cela de prisão? Afinal, teremos mais carros e motos poluindo as ruas e mais prédios de alto padrão se espalhando por todos os bairros às custas dos bolsos deles, não?

Old habits die hard, com Mick Jagger e Sheryl Crown

março 29, 2009

Todo dia...

Na quinta, as torradas nem estava prontas e ele disparou:
--Vencerá quem for mais eficiente, não há a menor sombra de dúvida.
-- Mas não deveria ser sempre assim?
-- Não interessa se tudo ficou complicado, pois é nesse panorama que a eficiência se coloca em marcha e se torna imprescindível.
-- Ok, então.

Sexta, correria em casa, minha filha e eu iríamos pegar a estrada. Mas ele não deu trégua.
-- A desordem ganha de goleada.
-- Sério?
-- Mas nem isso deve se transformar em motivo de preocupação.
-- Não?
--Pelo contrário, veja na desordem atual a oportunidade de você mostrar eficiência e firmeza em todas as suas intervenções.
-- Oportunidade, firmeza? Ok, então.

Sábado, mal sentei na mesa do café da manhã.
-- Muitas coisas poderiam ser diferentes e melhores, com certeza.
-- Mas com eficiência ou desordem, ou desordem na eficiência ou eficiência na desordem?
-- Por enquanto tudo depende da qualidade das pessoas que você se relaciona diariamente.
-- Ah, agora depende das pessoas?
-- Bom, como elas não podem ser mudadas, melhor aceitar tudo como é.
-- Aceitar? Ok, então.

Domingo. Preguiça total. Mas ele é implacável.
-- Aos poucos você vai conhecendo melhor o tipo de gente que se identifica com seus objetivos e anseios.
-- Mesmo?
-- Sua alma está se aproximando da tribo certa, mas ainda convive com as mesmas pessoas de sempre.
-- Mas não era para eu aceitar tudo como é?
-- Essa é uma contradição.
-- Não brinca! Bom, vamos ver o que você vai dizer amanhã.

Quiroga, meu amor, você sabe que eu te adoro. Mas dá para deixar esse papo existencial logo de manhã de lado e ser mais específico? Tipo amanhã à tarde o sol vai iluminar Peixes que estará na sua casa 12 e Capricórnio vai brilhar na 8 então é melhor não vender o carro. Ou a Lua entrou em Libra e sua casa 9 terá influências positivas então chegou a hora de planejar sua viagem para Jericoacoara. Não fica mais fácil?

Pesquisem, pesquisem
Eu adoro pesquisas que dizem como reagimos ao mundo, ao amor, ao sexo. No entanto, no final você tem poucas escolhas sobre qual o percentual se encaixa melhor. De um jeito ou de outro, todos são enquadrados. Ainda me intriga o resultado do levantamento relatado pelo Archive of Sexual Behaviour que mostra que os homens gastam em média 8,2 segundos olhando para as mulheres pelas quais se sentem atraídos enquanto não gastam mais de 4,5 segundos para as que não lhes são tão atraentes. E as mulheres, vejam só, olham da mesma maneira e o mesmo tempo para homens que as atraem ou não. Ou seja, muita grana em pesquisa para comprovar o que todos nós já sabíamos, mulheres consideram que pode haver muito mais que a aparência, uma possibilidade totalmente remota para muitos homens. Em compensação, eles são mais rápidos para se apaixonarem.
Mas o que me animou mesmo foi o estudo publicado pelo American Journal of Cardiology que mostra que médicos tiveram sucesso no tratamento da "síndrome do coração partido" com aspirinas e remédios cardíacos. Simples assim.


Tem aqueles que dizem que em termos de eficiência não foi muita coisa, que as companhias de energia elétrica tiveram de reforçar suas turbinas para o momento em que todas as luzes seriam religadas. Mas acho que a questão não estava apenas na economia de energia no dia do Planeta e sim para que o processo de conscientização ganhasse escala, não? Assim, valeu. Essa foto é de pessoas no London Eye olhando a cidade apagada no sábado.

março 24, 2009

Adelante

Reflexos são bons sinais, pelo menos dá para ter certeza que há luz no fim do túnel. Foto de Miru Kim.

Refilmagens
O que leva alguns estúdios a fazerem uma refilmagem? Atualizar? Dar lugar para grandes atores brilharem nos papéis que na primeira versão foram mais apagados? Repetir boas histórias, já que os bons roteiros originais devem estar em falta? Tentar alcançar grandes bilheterias com fórmulas já conhecidas?
Assistindo a refilmagem de A Garota do Adeus (The Goodbye Girl) não há como não se perguntar porque isso foi feito. Na versão original, de 77, Richard Dreyfuss ganhou o Oscar pelo papel de Elliot Garfield, o ator que subloca o apartamento de um colega e quando chega lá descobre que a ex-namorada desse cara e a filha vivem lá. Marsha Mason vive Paula McFadden, ex-bailarina e a ex do ator que se mandou para a Itália passando o espaço para Elliot. Segundo se diz, Marsha vive o papel dela mesma já que o roteirista, Neil Simon, diz que se baseiou no período que foi casado com ela para contar a história. Com eles, trata-se de uma boa comédia romântica com ótimos diálogos e uma sintonia perfeita entre os dois personagens principais.
Em 2004 foi lançada a refilmagem que se chamou, vejam só, A Garota do Adeus de Neil Simon. Assisti hoje no Telecine e tive vontade de chorar. Jeff Daniels no papel de Elliot está exagerado, quase pastelão. Mas o pior mesmo é Patricia Heaton, a esposa do Ray em Everybody loves Raymond, no papel de Marsha. Sem graça, sem talento, sem provar a que veio. Como resultado, um filme chato, sem sentido.
Uma das melhores frases do filme é quando eles estão em um jantar romântico sabendo que, em seguida, irão para a cama juntos pela primeira vez. Quando ela lhe confessa que está nervosa, Elliot responde: "não fique, eu estarei lá com você".

Turista acidental
Para provar a bipolaridade desse blog, hoje aumentei minha cota de expressões inúteis que estão sendo usadas lá fora e um dia, quem sabe, podem até servir para algum viajante desavisado.

Social Notworking -- refere-se à prática de pessoas que gastam um tempo enorme em redes sociais no escritório quando deveriam estar trabalhando e não not working.
-- Se o chefe soubesse quanta "social notworking" ele faz todos os dias.

Facebookemon -- É referente à coleção de pessoas na lista de amigos do Facebook que você não conhece e muitas vezes nunca ouviu falar. São os próprios pocket monsters que originaram o nome Pokemon.
-- Confessa, a maior parte da sua lista é Facebookemon.

Lehman Sisters -- São as viúvas e namoradas dos executivos da Lehman Brothers que ficaram órfãos com a quebra da empresa.
-- Não conte com Fulana e Sicrana para ir às compras com você. Elas são Lehman Sisters agora.

Show, show
Só para registrar porque todo mundo já falou muito e o assunto cansou. Mas que o show do Radiohead foi um puta show, foi. De arrepiar.

Surviving Desire
Não vou colocar música hoje, mas uma silenciosa dancinha na rua. Essa é a visão irônica de Hal Hartley, que adora destruir clichês das tradicionais histórias românticas. O filme é Surviving Desire, de 91. E, claro, com Martin Donovan, que adoro. Mas o que faria um cara com vontade de dançar após dar o primeiro beijo na mulher que ele está interessado, sem orquestra, sem chuva?

março 22, 2009

Tempo

Na sacada, em uma das primeiras noites de sua estação preferida, ela sentiu frio. Se protegeu do vento e acendeu um cigarro. Começou a escutar a tímida conversa dos dois que se conheceram em um cruzamento qualquer. Sabia que havia algo familiar naquilo. Era o momento que eles pressentiam a magia, mas não tinham a menor idéia em qual compartimento de suas vidas ela poderia entrar. A fraca lamparina não permitia que percebessem o brilho no olhar e sequer vissem as suas tatuagens. Ela torceu para que eles entendessem tudo antes que as esquinas os levassem. Teve vontade de lhes dizer que se não fizessem isso, agora, em um final de tarde triste, com a emoção podendo ser rastreada em suas peles, teriam de reconhecer que a hora foi incerta, dura e cruel. Eles se amariam e lamentariam juntos. Mas não haveria mais o que fazer. Ela estremeceu. Respirou fundo e tomou mais um gole do vinho enquanto tentava se lembrar onde estava quando deveria ter passado por aquele cruzamento.Talvez ainda tivesse dado tempo de lhe dizer, pegue a minha mão. E a minha vida inteira também.

Parting ways
By P.J.



março 17, 2009

Filosofia (barata) de banheiro

Por algum desvio de personalidade esse blog não resiste a momentos prolongados de emoção como o que gerou o post púrpura. Como uma draga ele precisa voltar à superfície e respirar todas as banalidades possíveis. Para ajudá-lo a retomar seu equilíbrio resolvi falar sobre algo que me intriga há anos e que, provavelmente, a ninguém mais interessa. Como, por exemplo, o que se passa na cabeça dos publicitários quando criam propagandas de produtos para banheiro. Falar da sala, do quarto (exploradíssimo), da cozinha, da copa, da sala de jantar, do jardim, tudo fácil. Mas e quando se chega a desinfetantes e aqueles odorizadores (que palavra é essa?) qual a melhor forma de atingir o cliente? Eu quase não vejo TV aberta e fico um pouco longe das propagandas (se bem que elas também invadiram a TV a cabo). Mas quando vejo parece que tenho uma atração por esse tipo de "reclame".
O que será que pensou o publicitário que colocou no ar aquela propaganda do menino que só quer fazer cocô na casa do Pedrinho? Achou, talvez, que essa era a melhor forma de discutir o prolongamento de uma fase anal ou, melhor ainda, o que pode representar para o garoto a amizade do Pedrinho? E, pior, imaginemos a cena da mãe apertando a campainha da casa do amiguinho para dizer que seu filho precisa usar o banheiro. Há algo mais constrangedor? Pior que isso só se o Pedrinho for obrigado a lhe fazer companhia. Ou não, vai saber.
Mas a coisa pode extrapolar. E temos a propaganda da mulher que diz que sua nora lhe contou que o produto X, para eliminar cheiros indevidos, dura cento e tantas vezes. E o que fez a SOGRA? Colocou um quadro no banheiro e obrigou toda a família a fazer uma marca toda vez que, depois de feitas suas necessidades, apertassem o tal produto. Ou seja, arrastou todos para o esgoto, sem qualquer escrúpulo, para provar que sua nora estava errada. No final, diz a mulher, não é que ela tinha razão? Mas isso ela confessa para nós, idiotas telespectadores, e é incapaz de admitir para a autora de contagem tão estúpida. Fica difícil lembrar o nome do produto, mas da sogra ninguém esquece.
E tem mais uma que me deixa chocada. Carol, que parece estar saindo de um café da manhã feliz e cantante de propaganda de margarina, atende a campainha de sua casa e o que encontra? Uma equipe de filmagem. E a "repórter", sem mais nem menos, pede para ver seu banheiro. Constrangida, a pobre Carol pede um tempo e corre para o banheiro para dar uma arrumadinha básica. Mas é interrompida pela equipe de filmagem que entra em seu banheiro e lhe diz que ela está fazendo tudo errado ao usar o produto Y e indica qual a melhor solução. Acho que nem mesmo lady Di, nos seus momentos de maior perseguição, conseguiu imaginar uma invasão de privacidade desse tamanho. Se eu tivesse a conta de uma operadora de telecomunicações faria uma propaganda em cima dessa. "Seu telefone está desbloqueado, Carol, ligue agora para a polícia".
Esse foi só um desabafo e acredito que não existam reflexões mais profundas (essa palavra dá até medo nesse post). Mas que gostaria de ver uma equipe de criação fazendo um brain storm (repetidamente chamado de toró de palpites, inclusive aqui porque, assim como lá, cá também padecemos de falta criatividade) para bolar uma propaganda desses produtos, gostaria. That´s all.


Que filme?
Final de tarde da sexta-feira. Chuva torrencial. Porta da locadora.
-- Não, não, você não vai pegar nenhum filme que se chama O Orfanato. Nem quero as palavras fatal ou mortal no título, por favor. Algo leve e engraçadinho, mas com o mínimo de inteligência. Não é difícil, é?
E o que faz minha filha, chocada com as recomendações estapafúrdias da mãe? Pega um filme que tinha Tormentas no nome. Não vou dar o título todo porque vou contar o final. Claro que reclamei, Tormentas? Você acha que pode ser algo leve? Mas ela argumentou que tinha o ator X, charmoso quarentão, e que tinha uma chamada dizendo "todo mundo tem direito a uma segunda chance para amar", ou algo muito parecido. Huuum, pode ser. Afinal, nova chance para amar é sempre algo estimulante, não?
Bom, resumindo, um casal, cada qual com seu conflito, se conhece em uma situação Z, passam alguns dias juntos por conta de uma tempestade quase furacão (as tormentas) e se apaixonam como dois adolescentes. O ator lindão viaja para longe e escreve cartas de amor maravilhosas para sua amada, sonhando com o momento da volta quando eles assumiriam a relação e a vida toda pela frente. Isso tudo um pouco mais da metade do filme, o que já me deixou apreensiva. Essas soluções são típicas de fase final. Bingo! Ele morre em uma circunstância meio non sense. Eu fiquei chocada: será que os roteiristas e os produtores do filme que apostaram na chamada (o direito a uma segunda chance, só para não esquecer) conversaram, em algum momento? Ou a intenção era mesmo provar que chances de novos relacionamentos são cada vez mais vulneráveis com o passar do tempo? Era para derrubar mesmo? Então, volto para minha teoria, para momentos de puro e banal entretenimento algumas palavras nos títulos são fatais. Ou mortais. Ou uma tormenta. Fuja.

All I Need
Eu sei, eu sei...o Multishow está com a semana Radiohead e não se fala em outra coisa na Praça da Sé. Mas, na verdade, acho que todas essas bobagens aqui foram uma forma de não falar sobre uma forte emoção que envolve o show de domingo e alguém muito especial que essa vida maluca me deu de presente. Não tem preço.


março 11, 2009

A cor púrpura no meu cais

Ponte Ross, na Tasmânia. Foto de Sam Abell.


Ilha de Skye, Escócia. Foto de Jim Richardson.


Estrela-do-mar em Sulawesi, Indonésia. Foto de Wolcott Henry.


Rockport, Maine. Foto de Ira Block.



Joshua Tree, no deserto de Mojave, Califórnia. Foto de Tim Laman.


Festival de Edinburgh, Escócia. Foto de Jim Richardson.


nossa senhora da flor roxa
rosai por nós
assim na vida
como no chão
a primavera de cada ano
nos dai hoje
encantai nosso jardim
assim como encantamos
o do vizinho
e não nos deixeis cair na tentação
de esquecer tuas flores
(Alice Ruiz)


Sensível
Não se trata de uma cor fácil. Teoricamente, diz respeito a um tom entre o vermelho e o azul. Mas qualquer sensibilidade na retina a essas duas cores já muda toda a percepção e denominação. Mas o melhor é seu histórico, nobre, altivo. Durante muito tempo, a cor era obtida de moluscos do Mar Mediterrâneo, muitos dos quais foram extintos nesse processo. Isso resultou em um dos mais caros pigmentos naturais do passado remoto. E, claro, uma cor dos nobres, das roupas dos imperadores romanos e até Nero chegou a ameaçar cabeças que ousassem vestir algo dessa tonalidade.
Para mim, hoje, ela herda a sensualidade do vermelho e a placidez do azul. E esse post que as tonalidades não o deixam monocromático só está aqui, claro, porque sonhei em púrpura. Uma mandala púrpura.
O bom disso aqui é poder fazer um post sobre uma cor. Sobre o que eu quiser. Quem não gostar, sorry. Volte outra hora.

Start wearing purple
Os doidos meio ciganos meio punks do Gogol Bordello.

março 04, 2009

É fato que o cérebro não consegue descansar enquanto está com todo o foco em manter a temperatura do corpo. Cansaço, que de físico passa a ser mental. Daqui a pouco atinge até a esfera espiritual. Como não consigo me imaginar com areia no corpo, ainda por cima, não vou mentalizar uma praia. Uma piscina, talvez. Mas, pensando bem, vou ficar com o fresco desse caminho que tanto adorei percorrer. E que torço para voltar.

Crônica de uma morte anunciada
A megastore Virgin, da Times Square, não andava lá essas coisas. Seções de camisetas, jeans, acessórios estavam ganhando espaço e desfigurando o que no passado foi um ícone da força da indústria fonográfica. Já era triste de ver. Agora, o fechamento da loja, marcado para abril, é bem significativo. As gravadoras choram perdas de 30% em suas vendas desde 2001 por conta dos downloads piratas. Eu tenho uma relação dúbia quanto a isso. Adoro ter o CD original nas minhas mãos, conferir os encartes. Talvez nem tanto quanto gosto dos vinis, mas é legal mesmo assim. E acho que todo o esforço do músico na confecção de um disco não pode ser pago em plasma. No entanto, quando vou comprar o CD novo do U2, por exemplo, fico puta da vida e me lembro de que não foi apenas a tecnologia que levou a essa situação. Lucros exorbitantes em cima dos trabalhos dos músicos causaram tantos danos quanto os Emules da vida. E vieram das gravadoras, do comércio, de toda a cadeia. Me dá ainda mais raiva quando vejos CDs de bandas que optaram por lançar seus álbuns com encartes de papelão para ter um custo menor para o consumidor tendo o mesmo preço dos outros que utilizam as embalagens tradicionais. Está lá, escancarada, a opção do músico pelo baixo custo e a loja te dizendo ah, nem percebi, tá?
Nada mais será como antes, a indústria sabe disso. Mas não larga o osso. Melhor prestar mais atenção no que fez André Midani, o mega produtor musical cuja biografia vinha acompanhada de um código para download legal em um site. Tentei utilizar mas desisti, mas a simbologia é importante. E hoje você já consegue comprar faixas de CDs pela internet mas, no Brasil, até isso ainda é caro e o acervo incompleto. E quando você tenta em outros sites, como Amazon, eles dizem qua opção ainda não está disponível no seu país. Mas chegará, ah, chegará.
E o prazer de ficar horas na Virgin garimpando e conseguir achar coisas incríveis a preços acessíveis passou a ser apenas sonho de uma noite de verão. Foi.

Susto
Para quem tem uma fumaça no lugar do cérebro, como eu me sinto, deveria ficar quieta. Mas não aguento. Devo confessar que os astrônomos de plantão me dão um certo medo. Como ninguém previu que um asteróide de até 47 metros iria passar raspando, raspando, da superfície da terra na última segunda-feira? Se bem que esse perto são 70 mil quilômetros, mas para eles mesmo é quase como se estivesse chegando na nossa cozinha. E só viram isso depois que passou?

Motown
Estão uma delícia os posts do Gabriel no Afroências sobre os 50 anos da Motown. Supremes, Temptations, Jackson Five.... Vale a pena.

Baba O´Riley
Por aqui passa muita música. Uns gostam, outros não e a maioria nem ouve. Normal. Mas só estranho quando vejo uma acalorada discussão sobre rock e eles não são citados..Então, Baba O´Riley, também conhecida por Teenage Wasteland. E para lembrar porque o blog tem o nome que tem. Por eles, The Who.


março 02, 2009

Que maico...

Se não conhecesse minha amiga até acharia que era delírio. Mas aconteceu mesmo com ela há algum tempo. Na praia, ela descobre que não levou os óculos escuros. Incomodada com a luz, resolve comprar um daqueles óculos vagabundos que são vendidos na areia a 10 reais. Sem qualquer fator de proteção, óbvio. Mas era para ser meio descartável. Ela só tinha uma nota de 50 reais e o ambulante pede para ela tomar conta do mostruário dele enquanto ia trocar o dinheiro. Uma hora, uma hora e meia, duas horas, duas horas e meia, sol indo embora, nada.
Ela pega o mostruário e resolve ir para casa. Antes, acha um “colega”, outro vendedor de óculos, descreve o seu ambulante, o cara diz que conhece, ela deixa o número do celular e pede para ele ligar a fim de fazerem a troca, os óculos X 40 reais. À noite, recebe uma ligação de um homem perguntando se ela se incomodaria de levar os óculos na praia no dia seguinte. Ela concorda, afinal teria os 40 reais de volta. Apesar de morar a duas quadras da praia, lá vai minha amiga com aquele mostruário rezando para não achar nenhum conhecido. As ondas de propagação de mal entendido no Rio de Janeiro são aceleradas, acho que vocês sabem. Bom, o dia inteiro na praia e, novamente, o ambulante não dá nem as caras.
Volta minha amiga para casa com o mostruário pelo segundo dia consecutivo. O porteiro do prédio, claro, não deixa por menos.
-- Dia ruim, não? Não vendeu nenhum óculos hoje.
Não vou reproduzir aqui a quantidade de palavrões que ele ouviu. E durante um bom tempo minha amiga ficou distribuindo óculos para quem chegasse à sua casa. A conclusão mais óbvia é a de que aquele monte de óculos não devia valer nem trinta reais e o cara ainda saiu no lucro. Maiiiico...

E o meu lago que estava aqui?
Alguém se lembra do irmão da menina de Tomates Verdes Fritos que morre depois de ficar preso na linha do trem? Uma das coisas que me lembro é dele contando uma história para a irmã sobre um lago que sumiu porque os pássaros o levaram embora. Antes fosse essa a explicação para o lago do meu parque que, simplesmente, desapareceu. Absurdo total.

Chama a encantadora
Não há como não lembrar de outro filme, Encantadora de Baleias, com a notícia de que 200 baleias encalharam na Austrália. Incrível.

Turista acidental
Insistindo nos termos que se pode ouvir em uma viagem, o de hoje é parade maker. O criador de paradas é aquele que dirige abaixo dos limites de velocidade e provoca uma fila de desesperados motoristas atrás dele tentando ultrapassá-lo a qualquer custo. É irritante mesmo.

Light my fire
Sempre é bom escutar novamente alguns clássicos. Mas, de repente, um deles está presente em um momento especial da sua vida e ganha novo sentido. É o caso dessa música, nunca mais conseguirei escutá-la sem me emocionar. The Doors.

fevereiro 18, 2009

One love

Todo mundo desligando os motores enquanto as baterias se estressam. Que sejam elas. Mas vou deixar aqui um som que não é bem carnavalesco, mas não deixa de representar uma festa. Bob Marley. Só que tocado dentro do projeto Playing for change, que já comentei aqui. A música é tocada por músicos profissionais e muitos anônimos em várias cidades do mundo. Nesse vídeo são 35 performances, incluindo até Manu Chao. E ele também teve como proposta comemorar o aniversário de Marley, dia 6 de fevereiro. Vale a pena. Descansem, não descansem, divirtam-se, amem, sempre amem, se cuidem e tenham um bom feriado. One love.
Só uma observação: eu sempre penso onde eu estaria hoje se tivesse patenteado as imagens de Marley nas camisetas. Ou de Che Guevara. Provavelmente estaria louca brigando contra a pirataria. Ou riquíssima, vai saber.

fevereiro 14, 2009

O estilo e a ditadura

Jantar caseiro esta semana: uma amiga, minha filha e eu. No meio da conversa elogio a blusa de minha amiga. Ela disse que na próxima semana, quando eu estiver no Rio, onde ela mora, me leva até a loja. "São roupas para a nossa idade". Bastou a frase e, pronto, debate aberto. O que é roupa da nossa idade? A questão está invertida, é o que não podemos mais usar. Eu digo que não abro mão do decote, apoiada pelas duas. Mini saia. Nossa, mas isso não uso mesmo desde os 28, sei lá. Só na praia. Barriga de fora. Sem querer ser pudica, mas acho que a partir dos 16 anos a barriga de fora deveria mesmo estar abolida de alguns ambientes. Sobra, de novo, usar na praia, piscina, clube.
Se tudo está sobrando para a praia, chegamos em uma restrição abominável: biquini na praia. Ah, não, aí é demais. Uma amiga minha, com um corpo que dá de dez em muita garotona, comprou vários maiôs por conta dessa "regra". Talvez em churrascos de amigos e "conhecidos" na beira da piscina ainda vá lá. Mas na praia? O que fizemos de errado? Só estamos vivendo, vivendo, vivendo e, de repente, somos castigadas e condenadas ao exército das barrigas brancas? Xô, ditadores.

Libera logo
Pela primeira vez em muitos anos, e talvez a última, vou concordar com o ego planetário FHC. Se é consenso que é preciso mudar a legislação anti-drogas porque não começar pela liberação do uso pessoal da maconha? Se as pessoas, principalmente os jovens, continuam mesmo comprando não é melhor que entrem em uma cannabisaria relativamente segura, peguem seu baseado, e não fiquem expostas às negociações nos pés dos morros e com uma turma sem escrúpulos e amor à vida?
-- Ah, claro que FHC está pegando carona nesse debate, mas pelo menos o emplumado se posicionou.

Petulante
Alguém ainda ouve essa palavra? Pois eu ouvi duas vezes em quinze dias. A primeira veio de um amigo muito querido quando eu lhe disse que este ano estava sem nenhuma disposição de deixar minha garganta virar um brejo cheia de sapos. Ele completou, carinhosamente, que estou "quase petulante". A segunda vez foi ontem durante um almoço com amigos que não via há muito tempo e perguntei se eles conheciam o outro amigo meu que chegou na mesa. Eles trabalham todos juntos na redação de um grande jornal, se bem que em áreas bem diferentes, economia e variedades. E eu, "petulante", queria apresentar eles para eles mesmo.

Tempo
Todo mundo concorda, isso não é verão que se apresente. Mas eu sou otimista, acho que o resultado será bom: em pouco tempo São Paulo terá uma leva de boas bandas com sons produzidos nessas garagens todas onde a meninada deve estar trancada afastando o tédio e a chuva.

Turista acidental
Mais uma dica inútil do que você pode escutar em uma viagem. Chick flick é o que os caras chamam de filme de mulherzinha (como o post lá de cima). Aqueles com final feliz e ridiculamente forçado que faz com que a platéia feminina saia do cinema limpando as lágrimas e suspirando. Vi um final assim esses dias, não lembro o nome do filme mas era sobre o casamento de um princípe dinamarquês. Totalmente chick flick.

I can´t help falling in love
Eu fui em uma festa um dia desses muito legal. Os organizadores montaram um karaokê mas com banda. Além do acompanhamento, os músicos davam suporte nos vocais. Ajudavam, ah, ajudavam. Eu pedi para um amigo meu que é fã do Elvis cantar essa música, mas não deu tempo. E o que faz um gentleman que ficou sabendo disso? Me envia o link do cover do Bruce Springsteen. Hoje. Bom Valentine´s night. Fui.

fevereiro 03, 2009

Qual o signo do chefe?

Se eu pudesse escolher o signo dos meus chefes tenderia para Peixes ou Câncer. Mas, ao mesmo tempo, acho que poderia faltar um pouco mais de arrojo e então pensaria em Capricórnio (meu ascendente, por sinal). Acho que possivelmente seria uma das poucas pessoas que não teria medo de ser chefiada por alguém de escorpião (meu signo). Por experiência própria, a relação com chefe de touro seria de amor e quase ódio e muito insegura com Gêmeos. Sagitário, não sei não...
Mas, de qualquer forma, acho que jamais escolheria chefes de Leão ou Áries. Bom, esses dois signos, mais Capricórnio, Touro e Aquário, estão entre os cinco preferidos pela empresa austríaca da área de seguros que começou a escolher seus funcionários de acordo com o signo zodiacal. Segundo a companhia, "a estatística da empresa confirma que os melhores empregados sempre são de um desses cinco signos". Nada contra as pessoas destes signos, tenho grandes amigos em todos eles, mas me pergunto melhor para quem, não?
O sindicato dos trabalhadores dessa área não considerou discriminação a seleção por signo zodiacal. Segundo os dirigentes, dentro desses cinco signos podem ter velhos, jovens, brancos, negros, homens, mulheres. Será?

Bons tempos...
Alguém se lembra como era uma separação conflituosa antigamente? Os casais brigavam pela grana, bens, gato, cachorro, usavam as crianças como moedas de troca. Enfim, um caos. Pois é, quem diria que um dia iríamos achar que isso era "até" civilizado? Primeiro vem o cirurgião de Long Island que pediu, na Justiça, a devolução do rim que havia doado para a então esposa, 13 anos antes. Depois o maluco de Hesperia, na Califórnia, que atacou a ex-namorada com uma faca porque queria de volta os implantes de silicone que ele havia pago. Povo maluco.

Turista acidental
Para quem ninguém fique por fora quando viajar resolvi colocar periodicamente (praticamente um devezemquandário) algumas expressões em inglês que são usadas lá fora e não estão nos dicionários normais, só nos urbanos. Uma por vez, tá. A de hoje é "bedgasm", que representa um sentimento de euforia quando você trabalha 15 horas seguidas, tem uma cansativa viagem ou está estressado, e chega no seu destino. "Viajei horas e quando cheguei me joguei debaixo das cobertas e tive uns 10 minutos de bedgasm." Por hoje é só.

Man in the box
Eu jamais pensaria nessa música relacionada a um amigo meu. E antes que algum engraçadinho diga que ele se referia a alguém preso no armário já explico que se trata de algo um pouco mais complicado, alguém preso em uma "armadilha" que ele mesmo colocou no seu caminho. E que espero que ele consiga sair logo e de uma forma, no mínimo, prazerosa. Então, Man in the box com Alice in Chains. Essa foi a melhor versão, acreditem, mesmo com a censura a "shit". "Feed my eyes now you´ve sewn them shut".

janeiro 28, 2009

Não é o fim?


-- Não, você não é bonzinho.
-- Porque vc quer me derrubar?
-- Não quero te derrubar, você não iria gostar de ser bonzinho mesmo. É muito inho, seu ego não suportaria.
-- Mas é claro que eu sou. E um cara legal.
-- Mas você nem gosta de ser legal toda hora com todo mundo.
-- Nossa, é o fim mesmo. A pessoa pira e sai dando tiro.
-- É o fim mesmo. Olha só como acabou nosso telefonema ontem.
-- Meu telefone ficou mudo.
-- E ninguém ligou nem pro celular do outro pelo menos para dar boa noite. A conversa acabou no meio...olha, e se a casa for pintada de...tum, tum...e pronto, assunto encerrado.
-- Mas isso só prova que o relacionamento está mais integrado do que nunca. Nem é preciso ligar de volta.
-- Só mostra que não falamos nada importante.
-- Também não ia adiantar ligar, meu iPhone está morrendo. O touch está deixando de ser touch.
-- Acho que ele tem uma ligação maior com o Steve Jobs do que imaginávamos.
-- Mas isso não tem nada a ver com o fato de eu ser bonzinho.
-- Se você fosse bonzinho teria votado no meu sex appeal.
-- Lá vem...
-- Ninguém merece ser 80% sexy...O que é uma pessoa 80% sexy? Nada. Só uma pessoa boazinha.
-- Você não é boazinha.
-- Vixe, quer me derrubar é?

Ma non troppo...
O caso Battisti está ficando cada vez mais patético. No meio de toda a confusão veio a sugestão do subsecretário de Exterior italiano, Alfredo Mantica, de cancelar a partida entre Brasil e Itália marcada para o dia 10 de fevereiro, em Londres, como uma forma de retaliação ao governo brasileiro. Daí vem outro subsecretário de não sei das quantas, Rocco Crimi (bom nome para alguém do governo Berlusconi, não?), dizendo que o caso Battisti não deve interferir na realização de um evento esportivo. Portanto, o jogo está mantido. E tem gente achando que eles estão falando sério...

Don´t speak
No doubt.

janeiro 25, 2009

Que alívio !!!!

Depois de dias de febre alta volto, finalmente, a um respirar mais fresco. Agora resta recuperar o tempo perdido nesse estado de baixa concentração, aprendizado quase nulo, raciocínio oscilante e impaciência com as repetições que reinam no mundo TVapático.

Beijo onde?
Sessão blog de dicas de etiquetas urbanas e sobrevivência. Todo mundo sabe que é bonitinho, carinhosinho, e envolve ótimas intenções. Mas, por favor, evite se despedir de alguém que tem mais de 38 graus de febre com a expressão "um beijo no coração". O que uma mente febril pode imaginar senão aquela maleta térmica branca, com uma cruz vermelha, sendo transportada por paramédicos afobados até o helicóptero que vai conduzí-la ao hospital de destino onde uma equipe médica aguarda com um peito aberto, agulha e linha na mão? Aliás, se possível evite usar a expressão com o mundo saudável também.

A Mariana
Já faz algum tempo que a Vila Mariana tem várias opções de botecos, como Veloso, Genuíno, da Vila, e outros. Mas a gastronomia começa a marcar presença. Na rua Áurea, quase esquina com a Joaquim Távora, dois restaurantes valem a pena ser visitados. Um é o Sobaria, cujo nome remete ao soba, o macarrão japonês de trigo-sarraceno. Mas é um lugar especializado em comida do Mato Grosso do Sul. E o soba, descobri lá, é uma das influências nessa região. Mas o forte mesmo são as carnes e a linguiça de Maracaju, que leva apenas carnes nobres. Aproveitar enquanto não me torno vegetariana.
Bem ao lado do Sobaria tem o Hitam, bem estar em sânscrito, um restaurante com influências tailandesas e indianas. Almocei lá hoje e gostei muito. Na Joaquim Távora tem também o No Quintal, com comida mexicana, e o espanhol Calà del Grau, ambos bem recomendáveis.

A sua
Eu só quero que você saiba...Saudades dessa música. Marisa Monte.

janeiro 19, 2009

O prazer está nos bancos

Estou com problemas para entender algumas matérias. Ou talvez o mundo. Uma delas, que está sendo repetida à exaustão, diz que os homens ricos proporcionam mais orgasmos às mulheres. Os textos são praticamente os mesmos em todos os lugares e os únicos argumentos para explicar essa tão importante constatação são os do psicólogo Thomas Pollet, um dos autores do estudo feito por uma universidade inglesa São eles:“o resultado parece consistente com a idéia de que o orgasmo feminino evoluiu a partir de uma função evolutiva”; “o orgasmo serve para selecionar entre os machos com base em sua qualidade. Assim, deve ser mais freqüente nas fêmeas unidas a machos de alta qualidade. Parceiros mais desejáveis levam as mulheres a ter mais orgasmos”.
Ok, eu entendo a função evolutiva, a necessidade de qualidades, os desejáveis. Também entendo todos os prazeres que podem vir com a grana. Mas ainda não entendi a garantia de bom sexo e orgasmos só pelo simples fato do parceiro ser rico. Acho que os pesquisadores devem ter discutido, por exemplo, a força que o dinheiro pode ter para algumas mulheres no processo de conquista, de sedução. É inegável que muitas acreditam que uma jóia reflete mais os sentimentos do outro do que a poesia dos pequenos gestos, das palavras corretas, nos momentos certos. Também deven ter abordado o que está relacionado a esse "processo evolutivo". Refinamento, confiança, poder? Em muitos casos podem ser qualidades com poderes afrodisíacos. Mas não são restritas aos mais privilegiados economicamente.
Acho que quem reproduziu isso sem ir até a fonte da pesquisa deve ter pensado em estrelas do rock, artistas de cinema e nunca deve ter colocado o pezinho em uma reunião da Fiesp. E ficamos assim, uma matéria jogada no ar que coloca as mulheres em uma situação meio constrangedora já que no seu momento de entrega total, aquele que só ela sabe o que a move, vale o tamanho da conta bancária e não outros atributos do parceiro. Pois é, de castigo, ainda serão penalizadas com a crise econômica mundial. Simples assim.

Som, Elton.
Também tive dificuldade para entender uma crítica do show do Elton John. Tudo muito bom, tudo muito bem, e as 30 mil pessoas saíram em êxtase da Arena Skol, no Anhembi. No meio da matéria: "a escolha do Anhembi é um equívoco, a visibilidade é precária e a acústica sofrível"; "Com o volume do som baixo, algumas canções renderam aquém do esperado". Como um show pode ser tão maravilhoso com péssima acústica e som baixo? Eu estava lá e, confesso, não achei essa resposta. Um bom show mas com falhas irritantes. Espero, sinceramente, que no Sambódromo no Rio tenha sido bem melhor. Afinal, a diva pop merece.

Rebobine, por favor
Quem ainda não viu, vale a pena. Principalmente para quem gosta de cinema e verá um desfile de filmes famosos sendo "suecados" pela dupla Jack Black e o cantor de rap Mos Def. Simples, criativo, engraçado. A direção é do Michel Gondry que tem vários videoclipes no seu currículo, como de Daft Punk e White Stripes.

Erykah Badu
Na minha fase cantoras nada melhor que a poderosa Erykah Badu com a premiada Tyrone. Ainda não ouvi seu último álbum New Amerikah: part 1 (4th World War) , que está muito bem cotado. E já vem a parte II.

janeiro 16, 2009

Vermelho

Sempre gosto de admirar as coleções de fotos da National Geographic. Esta foto é da série Life in Color. E se trata, obviamente, do vermelho, cor do sangue, da paixão, do fogo, do amor. E da sorte e prosperidade em alguns países. O fotógrafo é Tim Laman e ela foi tirada no Alberta's Waterton Lakes National Park, no Canadá. Uma boa cor para o final de semana.

E se...
A capa da Rolling Stone deste mês é o retorno da Britney Spears. Como se ela já não tivesse sido assunto o suficiente. Não simpatizo com a moça nem gosto de sua música mas li a matéria e achei tudo muito deprê. A que ponto pode chegar alguém que para sobreviver tem de se submeter a uma severa vigilância do pai e do advogado sem poder opinar sequer sobre a contratação dos seguranças que estarão ao seu lado 24 horas? E é seu pai, que ela já acionou judicialmente no passado com medo de que ele se apropriasse de seus bens, que agora controla suas finanças.
Não se pode dizer que ela chegou a esse ponto por acaso. Notícias sobre suas noitadas e bebedeiras foram campeãs de acesso na Internet em 2008. Enquanto muitos artistas realmente talentosos procuraram preservar suas vidas pessoais ela se esbanjou com a notoriedade e auto-promoção. Até que o feitiço...
Mas daí vem aquela mosquinha do "e se...". E se por acaso um de nós tivesse alcançado, sei lá por qual caminho, o status de celebridade? Se sabemos que de perto ninguém é normal o que aconteceria se esse perto ganhasse escala e a situação fugisse do controle? Quantas de nossas transgressões teriam sido conhecidas? Quanto de nossos deslizes poderiam ter se transformado em escândalos?
Da minha parte, um exame mais apurado e com lentes do mal poderiam ter me causado alguns transtornos. E se já me cansa constatar que estou sujeita a rótulos e enquadramentos de pessoas que mal me conhecem, ou acham que conhecem, o que dizer de desconhecidos? Agora, já todo aquele dinheiro cairia bem, não?

Heróis
Do jeito que a situação anda complicada e as expectativas em alta não seria má idéia nomear para algum cargo no governo Obama o piloto que "aterrisou" o avião no rio Hudson e conseguiu que os 150 passageiros e a tripulação saíssem ilesos. Parece que de risco e salvamento o cara entende. Mas o que mais me chamou a atenção foi a coragem dos mergulhadores que trabalharam naquelas águas gélidas. Viva o poder do neoprene.

Só um pouquinho de civilização...
Esta semana fui de metrô para uma entrevista com o presidente de uma empresa cujo escritório fica na Paulista. Na saída da estação minha sandália ficou presa em uma bola enorme de chiclete. Por mais que tentasse limpar sempre ficava um pouco de goma na sola. Meu medo era que na sala do executivo, por qualquer coisa, ela virasse um gremlin. Na hora me lembrei de ter estranhado a notícia sobre a campanha que os administradores da Cidade do México deram início recentemente para pedir à população que engulissem os chicletes ao invés de jogar no chão. Mas agora entendo. Se não acham um lixo próximo, se não se dão ao trabalho de envolvê-lo em um papel para dispensar mais tarde, por favor, os engulam. Arriba, abajo, al centro e adentro.

Harvest moon
Que eu amo Neil Young não é segredo. Essa música é uma das que me arrepia. E apesar da Lua já não estar cheia, fiquei com vontade de ouvir a canção e na voz de Cassandra Wilson. Ela foi incluída na belíssima trilha do filme Beijo Roubado (My Blueberry Nights). Essa foi a melhor versão que achei e só tem o áudio. Mas é para escutar mesmo, não?


janeiro 13, 2009

Stand by me

Recebi esse vídeo da Andarilha. É muito bonito. Faz parte do documentário "Playing for change: peace through music" e tem o clássico Stand by me de Ben E. King tocado e cantado pelo mundo. Vale a pena ver. E mais sobre o assunto no http://www.playingforchange.com/.

janeiro 11, 2009

A loucura, o helicóptero e a lua

A loucura
Muito já se falou das irresponsabilidades de Wall Street que geraram quebras pelo mundo todo. Mas sempre é bom ler artigos que tratam do assunto sem negar as responsabilidades como o que foi publicado no New York Times por Michael Lewis e David Einhorn e que foi reproduzido hoje no Estadão. O texto é bom, claro, didático e não poupa o Tesouro norte-americano, a SEC (a CVM deles), muito menos os banqueiros que se não compactuaram diretamente com o que vinha sendo feito pecaram, no mínimo, por não terem denunciado. Ele se baseia nos alertas dados durante nove anos por Harry Markopolos às autoridades sobre a fraude financeira que estava a caminho capitaneada por Bernard Madoff. Não tenho capacidade para julgar as alternativas dadas por eles mas algumas nem são tão radicais e me parecem bem sensatas. Ao lado de novas exigências aos capitais do bancos está a sugestão de colocar o fim ao status oficial das agências reguladoras que falharam terrivelmente e, na verdade, deveriam se restringir a emitir relatórios privados, quando contratadas para tal, e não serem subvencionadas pelos emissores dos produtos avaliados. Nunca gostei dessas agências que se julgavam acima do bem e do mal. Outro ponto diz respeito a fechar a porta giratória entre a SEC e Wall Street. Uma quarentena ia bem, não?
No meio de tudo, há um trecho bem interessante: "Por incrível que pareça pessoas inteligentes do mundo todo continuam dispostas a nos emprestar dinheiro e até ouvir nossos conselhos. Elas não parecem ter entendido toda a extensão da nossa loucura." Quem ainda não entendeu? O lado cinza claro é que há pessoas e governos que perceberam isso e tentam buscar suas próprias soluções para enfrentar esse período brabo. Quem sabe, assim, os arranhões serão menores. É para isso que estamos torcendo, não?

O helicóptero
Quem se lembra da cena inicial de Short Cuts, de Robert Altman, quando helicópteros sobrevoam Los Angeles para jogar algum tipo de pesticida? É tudo o que vem à minha cabeça agora com um helicóptero sobrevoando a minha vizinhança há mais de 20 minutos com um holofote fortíssimo iluminando as ruas e quadras. O que procuram esses caras? E lá vem eles de novo. Medo.

A Lua
Para um ano que inauguramos com a Lua Nova e a marca da ruptura passamos agora pela primeira Lua Cheia de 2009. Ela chegou linda, se escondeu, tornou-se misteriosa, voltou, brilhou. Mas está lá. Quem ainda não celebrou, há tempo. Dancem, vibrem, amem. E salve todos os que nasceram sob o signo de Capricórnio. Os meus parabéns para as pessoas especiais de janeiro, estejam por perto ou não.

Pa ' Bailar
Gostaria muito de colocar um vídeo do Bajofondo aqui para bailarmos. Mas, infelizmente, a reprodução não é permitida ou pelo grupo ou pela gravadora. Normalmente, desistiria. Mas, como vale a pena, convido todos a irem até o Youtube para assistí-lo e dançar com a festa tangueira eletrônica. O Bajofondo é um grupo que reúne argentinos e uruguaios e entre seus criadores está Gustavo Santaolalla, músico que também tem no currículo trilhas sonoras interessantes e intrigantes, como a de Babel e de O segredo de Brokeback Moutain, que lhes renderam dois Oscar, e de outros entre os quais O Diário da Motocicleta e 21 Gramas.
O link é http://www.youtube.com/watch?v=h2462nIpT0Y. Divirtam-se e boa semana.

janeiro 08, 2009

Apenas uma vez


Um filme de produção modesta que se passa em Dublin e envolve um irlandês e uma imigrante tcheca. Os dois se conectam pela música, ele tocando violão pelas ruas e ela piano nas horas vagas. E é através da música que esses dois se falam. Once (Apenas uma vez) é sensível, honesto, interessante. Os dois protagonistas são músicos e amigos na vida real. Ele é Glen Hansard, guitarrista e vocalista do grupo The Frames. Ela é Marketá Irglová, compositora, cantora e atriz que vive em Dublin desde o ano passado. O diretor é John Carney que foi baixista do The Frames de 91 a 93. Quem ainda não viu, vale a pena. Está nas locadoras. Algum crítico que não lembro o nome se referiu ao filme como "um conto de fadas urbano". Não deixa de ser, afinal tem histórias que aproximam pessoas de formas diversas e inesperadas e que se tornam muito especiais. E dificilmente se repetem.
O vídeo é com Hansard e Markéta cantando a composição de ambos "Falling Slowly" que venceu o Oscar do ano passado. Foi uma surpresa geral pois foge completamente do padrão hollywoodiano. É muito bonita mas vamos combinar que esse Oscar deveria ter sido para Guarantee, música que Eddie Vedder fez para o filme Into the Wild, de Sean Penn, que ganhou o Globo de Ouro. Mas por conta de uma puxada de tapete da Academia acabou não concorrendo. Mas isso é só história e a música da dupla tem seu próprios méritos e foi uma boa escolha. Divirtam-se.