Estamos na beira de um feriado e logo mais teremos outro. O serviço de utilidade pública desse blog resolveu deixar aqui umas dicas de viagem para os que querem conhecer lugares diferentes dos que visitam tradicionalmente. Mochila nas costas, disposição para o novo, atenção nos sinais do caminho, e boa viagem.Ilha dos Bem-Aventurados
Situada no Oceano Atlântico com cerca de 800 quilômetros de comprimento, é habitada por um povo que se veste com lindas teias de aranha cor de púrpura. Apesar de não terem corpo podem se mover e falar com os seres mortais. Eles se parecem com espíritos nus, cobertos com uma teia que lhes dá a forma de um corpo.
A ilha é comprida e plana, governada pelo cretense Radamus. A capital é construída em ouro, com muros de esmeralda. Têm sete portas feitas de uma única peça de canela e as ruas que cruzam a cidade são de marfim. Há templos para todos os deuses, construídos de berilo, com altares feitos de ametista, usados para sacrifícios humanos; aconselha-se aos que facilmente se impressionam com a visão de sangue a não assistir às cerimônias.
Em torno da cidade correm vários rios: um de perfume delicado, de 15 metros de profundidade e facilmente navegável; sete de leite e oito de vinho.
(...) Os viajantes não encontrarão na ilha a escuridão da noite ou a luz do dia a que estão acostumados. A ilha está sempre no lusco-fusco, como se o sol ainda não tivesse nascido. É sempre primavera e o único vento que sopra é o zéfiro. O país é rico em todas as espécies de flores e todos os tipos de plantas: as videiras dão uvas doze vezes por ano. Macieiras, romãzeiras e outras dão frutos treze vezes por ano, porque no mês de Minossa frutificam duas vezes. O trigo produz pães assados, que crescem em suas pontas como cogumelos.
(Luciano de Samósata, Históricas Verídicas)
Fundos do Vento do Norte
Reino situado no deserto ártico a que se chega atravessando o corpo do Vento Norte, que fica em sua entrada. Três pessoas fizeram relatos diferentes sobre esse lugar. Durante, escritor do século XIV, afirma ter entrado por uma porta de fogo e ter visto um país onde tudo é perfumado e é sempre o mês de maio. Uma brisa suave sopra constantemente e um córrego límpido gorgoleja em meio a campos relvados, salpicados de flores vermelhas e amarelas. De acordo com o italiano, os habitantes são livres e saudáveis e usam coroas.
Séculos depois de Durante, a filha de um camponês escocês adormeceu num bosque e acordou no reino do Ártico. Ela descreveu uma terra onde não chove nunca e onde jamais sopra o vento, uma terra luminosa onde não há sol ou lua, noite ou pecado.
No século XIX um menino chamado Diamante, filho de um taxista londrino, foi transportado pelo próprio Vento Norte. Não viu sol, mas uma luz que parece irradiar de todas as coisas. Um rio corria sobre longas ervas ondulantes. Segundo ele, nada há de errado com o país mas, por outro lado, nada parece estar certo.
As pessoas do Fundo do Norte não falam: basta que se olhem para que se entendam. Segundo Diamante, as pessoas parecem felizes mas não o são totalmente. Elas tinham aparência triste às vezes como se esperassem ser mais felizes um dia.
Avisa-se aos viajantes que o tempo passa muito devagar no reino: uma semana, às vezes, parece durar um século inteiro.
(George Mcdonald, At the Back of the North Wind)
Porta no Muro
Entrada para um jardim que muda de lugar, onde tudo é lindo e todos se sentem perfeitamente feliz. Depois que se passa pela porta, que pode se encontrar em vários lugares do mundo, um caminho longo e largo, com canteiros floridos de borda de mármore em ambos os lados, conduz a uma moça alta e bela, de voz doce e agradável, e a outras pessoas também bonitas que divertirão os viajantes. (os homens se parecem com Martin Donovan e têm a voz de Eddie Vedder)*
A fauna do jardim é surpreendente: panteras pintadas, micos e periquitos. No jardim há um palácio espaçoso e fresco, com colunatas sombreadas e muitas fontes.
O viajante que descobre a porta do jardim se encontra geralmente diante da escolha entre comparecer a um compromisso importante ou entrar nesse reino das delícias. Contudo ele deve ser advertido de que depois de certo número de visitas esse jardim de êxtase pode se transformar em seu túmulo.
(H.G. Wells “The door in the wall”)
-- Essas e outras dicas de lugares fantásticos podem ser encontradas no Dicionário de Lugares Imaginários.
*por minha conta.
Flight of Icarus, by Iron Maiden













É fato que o cérebro não consegue descansar enquanto está com todo o foco em manter a temperatura do corpo. Cansaço, que de físico passa a ser mental. Daqui a pouco atinge até a esfera espiritual. Como não consigo me imaginar com areia no corpo, ainda por cima, não vou mentalizar uma praia. Uma piscina, talvez. Mas, pensando bem, vou ficar com o fresco desse caminho que tanto adorei percorrer. E que torço para voltar.








