fevereiro 18, 2009

One love

Todo mundo desligando os motores enquanto as baterias se estressam. Que sejam elas. Mas vou deixar aqui um som que não é bem carnavalesco, mas não deixa de representar uma festa. Bob Marley. Só que tocado dentro do projeto Playing for change, que já comentei aqui. A música é tocada por músicos profissionais e muitos anônimos em várias cidades do mundo. Nesse vídeo são 35 performances, incluindo até Manu Chao. E ele também teve como proposta comemorar o aniversário de Marley, dia 6 de fevereiro. Vale a pena. Descansem, não descansem, divirtam-se, amem, sempre amem, se cuidem e tenham um bom feriado. One love.
Só uma observação: eu sempre penso onde eu estaria hoje se tivesse patenteado as imagens de Marley nas camisetas. Ou de Che Guevara. Provavelmente estaria louca brigando contra a pirataria. Ou riquíssima, vai saber.

fevereiro 14, 2009

O estilo e a ditadura

Jantar caseiro esta semana: uma amiga, minha filha e eu. No meio da conversa elogio a blusa de minha amiga. Ela disse que na próxima semana, quando eu estiver no Rio, onde ela mora, me leva até a loja. "São roupas para a nossa idade". Bastou a frase e, pronto, debate aberto. O que é roupa da nossa idade? A questão está invertida, é o que não podemos mais usar. Eu digo que não abro mão do decote, apoiada pelas duas. Mini saia. Nossa, mas isso não uso mesmo desde os 28, sei lá. Só na praia. Barriga de fora. Sem querer ser pudica, mas acho que a partir dos 16 anos a barriga de fora deveria mesmo estar abolida de alguns ambientes. Sobra, de novo, usar na praia, piscina, clube.
Se tudo está sobrando para a praia, chegamos em uma restrição abominável: biquini na praia. Ah, não, aí é demais. Uma amiga minha, com um corpo que dá de dez em muita garotona, comprou vários maiôs por conta dessa "regra". Talvez em churrascos de amigos e "conhecidos" na beira da piscina ainda vá lá. Mas na praia? O que fizemos de errado? Só estamos vivendo, vivendo, vivendo e, de repente, somos castigadas e condenadas ao exército das barrigas brancas? Xô, ditadores.

Libera logo
Pela primeira vez em muitos anos, e talvez a última, vou concordar com o ego planetário FHC. Se é consenso que é preciso mudar a legislação anti-drogas porque não começar pela liberação do uso pessoal da maconha? Se as pessoas, principalmente os jovens, continuam mesmo comprando não é melhor que entrem em uma cannabisaria relativamente segura, peguem seu baseado, e não fiquem expostas às negociações nos pés dos morros e com uma turma sem escrúpulos e amor à vida?
-- Ah, claro que FHC está pegando carona nesse debate, mas pelo menos o emplumado se posicionou.

Petulante
Alguém ainda ouve essa palavra? Pois eu ouvi duas vezes em quinze dias. A primeira veio de um amigo muito querido quando eu lhe disse que este ano estava sem nenhuma disposição de deixar minha garganta virar um brejo cheia de sapos. Ele completou, carinhosamente, que estou "quase petulante". A segunda vez foi ontem durante um almoço com amigos que não via há muito tempo e perguntei se eles conheciam o outro amigo meu que chegou na mesa. Eles trabalham todos juntos na redação de um grande jornal, se bem que em áreas bem diferentes, economia e variedades. E eu, "petulante", queria apresentar eles para eles mesmo.

Tempo
Todo mundo concorda, isso não é verão que se apresente. Mas eu sou otimista, acho que o resultado será bom: em pouco tempo São Paulo terá uma leva de boas bandas com sons produzidos nessas garagens todas onde a meninada deve estar trancada afastando o tédio e a chuva.

Turista acidental
Mais uma dica inútil do que você pode escutar em uma viagem. Chick flick é o que os caras chamam de filme de mulherzinha (como o post lá de cima). Aqueles com final feliz e ridiculamente forçado que faz com que a platéia feminina saia do cinema limpando as lágrimas e suspirando. Vi um final assim esses dias, não lembro o nome do filme mas era sobre o casamento de um princípe dinamarquês. Totalmente chick flick.

I can´t help falling in love
Eu fui em uma festa um dia desses muito legal. Os organizadores montaram um karaokê mas com banda. Além do acompanhamento, os músicos davam suporte nos vocais. Ajudavam, ah, ajudavam. Eu pedi para um amigo meu que é fã do Elvis cantar essa música, mas não deu tempo. E o que faz um gentleman que ficou sabendo disso? Me envia o link do cover do Bruce Springsteen. Hoje. Bom Valentine´s night. Fui.

fevereiro 03, 2009

Qual o signo do chefe?

Se eu pudesse escolher o signo dos meus chefes tenderia para Peixes ou Câncer. Mas, ao mesmo tempo, acho que poderia faltar um pouco mais de arrojo e então pensaria em Capricórnio (meu ascendente, por sinal). Acho que possivelmente seria uma das poucas pessoas que não teria medo de ser chefiada por alguém de escorpião (meu signo). Por experiência própria, a relação com chefe de touro seria de amor e quase ódio e muito insegura com Gêmeos. Sagitário, não sei não...
Mas, de qualquer forma, acho que jamais escolheria chefes de Leão ou Áries. Bom, esses dois signos, mais Capricórnio, Touro e Aquário, estão entre os cinco preferidos pela empresa austríaca da área de seguros que começou a escolher seus funcionários de acordo com o signo zodiacal. Segundo a companhia, "a estatística da empresa confirma que os melhores empregados sempre são de um desses cinco signos". Nada contra as pessoas destes signos, tenho grandes amigos em todos eles, mas me pergunto melhor para quem, não?
O sindicato dos trabalhadores dessa área não considerou discriminação a seleção por signo zodiacal. Segundo os dirigentes, dentro desses cinco signos podem ter velhos, jovens, brancos, negros, homens, mulheres. Será?

Bons tempos...
Alguém se lembra como era uma separação conflituosa antigamente? Os casais brigavam pela grana, bens, gato, cachorro, usavam as crianças como moedas de troca. Enfim, um caos. Pois é, quem diria que um dia iríamos achar que isso era "até" civilizado? Primeiro vem o cirurgião de Long Island que pediu, na Justiça, a devolução do rim que havia doado para a então esposa, 13 anos antes. Depois o maluco de Hesperia, na Califórnia, que atacou a ex-namorada com uma faca porque queria de volta os implantes de silicone que ele havia pago. Povo maluco.

Turista acidental
Para quem ninguém fique por fora quando viajar resolvi colocar periodicamente (praticamente um devezemquandário) algumas expressões em inglês que são usadas lá fora e não estão nos dicionários normais, só nos urbanos. Uma por vez, tá. A de hoje é "bedgasm", que representa um sentimento de euforia quando você trabalha 15 horas seguidas, tem uma cansativa viagem ou está estressado, e chega no seu destino. "Viajei horas e quando cheguei me joguei debaixo das cobertas e tive uns 10 minutos de bedgasm." Por hoje é só.

Man in the box
Eu jamais pensaria nessa música relacionada a um amigo meu. E antes que algum engraçadinho diga que ele se referia a alguém preso no armário já explico que se trata de algo um pouco mais complicado, alguém preso em uma "armadilha" que ele mesmo colocou no seu caminho. E que espero que ele consiga sair logo e de uma forma, no mínimo, prazerosa. Então, Man in the box com Alice in Chains. Essa foi a melhor versão, acreditem, mesmo com a censura a "shit". "Feed my eyes now you´ve sewn them shut".

janeiro 28, 2009

Não é o fim?


-- Não, você não é bonzinho.
-- Porque vc quer me derrubar?
-- Não quero te derrubar, você não iria gostar de ser bonzinho mesmo. É muito inho, seu ego não suportaria.
-- Mas é claro que eu sou. E um cara legal.
-- Mas você nem gosta de ser legal toda hora com todo mundo.
-- Nossa, é o fim mesmo. A pessoa pira e sai dando tiro.
-- É o fim mesmo. Olha só como acabou nosso telefonema ontem.
-- Meu telefone ficou mudo.
-- E ninguém ligou nem pro celular do outro pelo menos para dar boa noite. A conversa acabou no meio...olha, e se a casa for pintada de...tum, tum...e pronto, assunto encerrado.
-- Mas isso só prova que o relacionamento está mais integrado do que nunca. Nem é preciso ligar de volta.
-- Só mostra que não falamos nada importante.
-- Também não ia adiantar ligar, meu iPhone está morrendo. O touch está deixando de ser touch.
-- Acho que ele tem uma ligação maior com o Steve Jobs do que imaginávamos.
-- Mas isso não tem nada a ver com o fato de eu ser bonzinho.
-- Se você fosse bonzinho teria votado no meu sex appeal.
-- Lá vem...
-- Ninguém merece ser 80% sexy...O que é uma pessoa 80% sexy? Nada. Só uma pessoa boazinha.
-- Você não é boazinha.
-- Vixe, quer me derrubar é?

Ma non troppo...
O caso Battisti está ficando cada vez mais patético. No meio de toda a confusão veio a sugestão do subsecretário de Exterior italiano, Alfredo Mantica, de cancelar a partida entre Brasil e Itália marcada para o dia 10 de fevereiro, em Londres, como uma forma de retaliação ao governo brasileiro. Daí vem outro subsecretário de não sei das quantas, Rocco Crimi (bom nome para alguém do governo Berlusconi, não?), dizendo que o caso Battisti não deve interferir na realização de um evento esportivo. Portanto, o jogo está mantido. E tem gente achando que eles estão falando sério...

Don´t speak
No doubt.

janeiro 25, 2009

Que alívio !!!!

Depois de dias de febre alta volto, finalmente, a um respirar mais fresco. Agora resta recuperar o tempo perdido nesse estado de baixa concentração, aprendizado quase nulo, raciocínio oscilante e impaciência com as repetições que reinam no mundo TVapático.

Beijo onde?
Sessão blog de dicas de etiquetas urbanas e sobrevivência. Todo mundo sabe que é bonitinho, carinhosinho, e envolve ótimas intenções. Mas, por favor, evite se despedir de alguém que tem mais de 38 graus de febre com a expressão "um beijo no coração". O que uma mente febril pode imaginar senão aquela maleta térmica branca, com uma cruz vermelha, sendo transportada por paramédicos afobados até o helicóptero que vai conduzí-la ao hospital de destino onde uma equipe médica aguarda com um peito aberto, agulha e linha na mão? Aliás, se possível evite usar a expressão com o mundo saudável também.

A Mariana
Já faz algum tempo que a Vila Mariana tem várias opções de botecos, como Veloso, Genuíno, da Vila, e outros. Mas a gastronomia começa a marcar presença. Na rua Áurea, quase esquina com a Joaquim Távora, dois restaurantes valem a pena ser visitados. Um é o Sobaria, cujo nome remete ao soba, o macarrão japonês de trigo-sarraceno. Mas é um lugar especializado em comida do Mato Grosso do Sul. E o soba, descobri lá, é uma das influências nessa região. Mas o forte mesmo são as carnes e a linguiça de Maracaju, que leva apenas carnes nobres. Aproveitar enquanto não me torno vegetariana.
Bem ao lado do Sobaria tem o Hitam, bem estar em sânscrito, um restaurante com influências tailandesas e indianas. Almocei lá hoje e gostei muito. Na Joaquim Távora tem também o No Quintal, com comida mexicana, e o espanhol Calà del Grau, ambos bem recomendáveis.

A sua
Eu só quero que você saiba...Saudades dessa música. Marisa Monte.

janeiro 19, 2009

O prazer está nos bancos

Estou com problemas para entender algumas matérias. Ou talvez o mundo. Uma delas, que está sendo repetida à exaustão, diz que os homens ricos proporcionam mais orgasmos às mulheres. Os textos são praticamente os mesmos em todos os lugares e os únicos argumentos para explicar essa tão importante constatação são os do psicólogo Thomas Pollet, um dos autores do estudo feito por uma universidade inglesa São eles:“o resultado parece consistente com a idéia de que o orgasmo feminino evoluiu a partir de uma função evolutiva”; “o orgasmo serve para selecionar entre os machos com base em sua qualidade. Assim, deve ser mais freqüente nas fêmeas unidas a machos de alta qualidade. Parceiros mais desejáveis levam as mulheres a ter mais orgasmos”.
Ok, eu entendo a função evolutiva, a necessidade de qualidades, os desejáveis. Também entendo todos os prazeres que podem vir com a grana. Mas ainda não entendi a garantia de bom sexo e orgasmos só pelo simples fato do parceiro ser rico. Acho que os pesquisadores devem ter discutido, por exemplo, a força que o dinheiro pode ter para algumas mulheres no processo de conquista, de sedução. É inegável que muitas acreditam que uma jóia reflete mais os sentimentos do outro do que a poesia dos pequenos gestos, das palavras corretas, nos momentos certos. Também deven ter abordado o que está relacionado a esse "processo evolutivo". Refinamento, confiança, poder? Em muitos casos podem ser qualidades com poderes afrodisíacos. Mas não são restritas aos mais privilegiados economicamente.
Acho que quem reproduziu isso sem ir até a fonte da pesquisa deve ter pensado em estrelas do rock, artistas de cinema e nunca deve ter colocado o pezinho em uma reunião da Fiesp. E ficamos assim, uma matéria jogada no ar que coloca as mulheres em uma situação meio constrangedora já que no seu momento de entrega total, aquele que só ela sabe o que a move, vale o tamanho da conta bancária e não outros atributos do parceiro. Pois é, de castigo, ainda serão penalizadas com a crise econômica mundial. Simples assim.

Som, Elton.
Também tive dificuldade para entender uma crítica do show do Elton John. Tudo muito bom, tudo muito bem, e as 30 mil pessoas saíram em êxtase da Arena Skol, no Anhembi. No meio da matéria: "a escolha do Anhembi é um equívoco, a visibilidade é precária e a acústica sofrível"; "Com o volume do som baixo, algumas canções renderam aquém do esperado". Como um show pode ser tão maravilhoso com péssima acústica e som baixo? Eu estava lá e, confesso, não achei essa resposta. Um bom show mas com falhas irritantes. Espero, sinceramente, que no Sambódromo no Rio tenha sido bem melhor. Afinal, a diva pop merece.

Rebobine, por favor
Quem ainda não viu, vale a pena. Principalmente para quem gosta de cinema e verá um desfile de filmes famosos sendo "suecados" pela dupla Jack Black e o cantor de rap Mos Def. Simples, criativo, engraçado. A direção é do Michel Gondry que tem vários videoclipes no seu currículo, como de Daft Punk e White Stripes.

Erykah Badu
Na minha fase cantoras nada melhor que a poderosa Erykah Badu com a premiada Tyrone. Ainda não ouvi seu último álbum New Amerikah: part 1 (4th World War) , que está muito bem cotado. E já vem a parte II.

janeiro 16, 2009

Vermelho

Sempre gosto de admirar as coleções de fotos da National Geographic. Esta foto é da série Life in Color. E se trata, obviamente, do vermelho, cor do sangue, da paixão, do fogo, do amor. E da sorte e prosperidade em alguns países. O fotógrafo é Tim Laman e ela foi tirada no Alberta's Waterton Lakes National Park, no Canadá. Uma boa cor para o final de semana.

E se...
A capa da Rolling Stone deste mês é o retorno da Britney Spears. Como se ela já não tivesse sido assunto o suficiente. Não simpatizo com a moça nem gosto de sua música mas li a matéria e achei tudo muito deprê. A que ponto pode chegar alguém que para sobreviver tem de se submeter a uma severa vigilância do pai e do advogado sem poder opinar sequer sobre a contratação dos seguranças que estarão ao seu lado 24 horas? E é seu pai, que ela já acionou judicialmente no passado com medo de que ele se apropriasse de seus bens, que agora controla suas finanças.
Não se pode dizer que ela chegou a esse ponto por acaso. Notícias sobre suas noitadas e bebedeiras foram campeãs de acesso na Internet em 2008. Enquanto muitos artistas realmente talentosos procuraram preservar suas vidas pessoais ela se esbanjou com a notoriedade e auto-promoção. Até que o feitiço...
Mas daí vem aquela mosquinha do "e se...". E se por acaso um de nós tivesse alcançado, sei lá por qual caminho, o status de celebridade? Se sabemos que de perto ninguém é normal o que aconteceria se esse perto ganhasse escala e a situação fugisse do controle? Quantas de nossas transgressões teriam sido conhecidas? Quanto de nossos deslizes poderiam ter se transformado em escândalos?
Da minha parte, um exame mais apurado e com lentes do mal poderiam ter me causado alguns transtornos. E se já me cansa constatar que estou sujeita a rótulos e enquadramentos de pessoas que mal me conhecem, ou acham que conhecem, o que dizer de desconhecidos? Agora, já todo aquele dinheiro cairia bem, não?

Heróis
Do jeito que a situação anda complicada e as expectativas em alta não seria má idéia nomear para algum cargo no governo Obama o piloto que "aterrisou" o avião no rio Hudson e conseguiu que os 150 passageiros e a tripulação saíssem ilesos. Parece que de risco e salvamento o cara entende. Mas o que mais me chamou a atenção foi a coragem dos mergulhadores que trabalharam naquelas águas gélidas. Viva o poder do neoprene.

Só um pouquinho de civilização...
Esta semana fui de metrô para uma entrevista com o presidente de uma empresa cujo escritório fica na Paulista. Na saída da estação minha sandália ficou presa em uma bola enorme de chiclete. Por mais que tentasse limpar sempre ficava um pouco de goma na sola. Meu medo era que na sala do executivo, por qualquer coisa, ela virasse um gremlin. Na hora me lembrei de ter estranhado a notícia sobre a campanha que os administradores da Cidade do México deram início recentemente para pedir à população que engulissem os chicletes ao invés de jogar no chão. Mas agora entendo. Se não acham um lixo próximo, se não se dão ao trabalho de envolvê-lo em um papel para dispensar mais tarde, por favor, os engulam. Arriba, abajo, al centro e adentro.

Harvest moon
Que eu amo Neil Young não é segredo. Essa música é uma das que me arrepia. E apesar da Lua já não estar cheia, fiquei com vontade de ouvir a canção e na voz de Cassandra Wilson. Ela foi incluída na belíssima trilha do filme Beijo Roubado (My Blueberry Nights). Essa foi a melhor versão que achei e só tem o áudio. Mas é para escutar mesmo, não?


janeiro 13, 2009

Stand by me

Recebi esse vídeo da Andarilha. É muito bonito. Faz parte do documentário "Playing for change: peace through music" e tem o clássico Stand by me de Ben E. King tocado e cantado pelo mundo. Vale a pena ver. E mais sobre o assunto no http://www.playingforchange.com/.

janeiro 11, 2009

A loucura, o helicóptero e a lua

A loucura
Muito já se falou das irresponsabilidades de Wall Street que geraram quebras pelo mundo todo. Mas sempre é bom ler artigos que tratam do assunto sem negar as responsabilidades como o que foi publicado no New York Times por Michael Lewis e David Einhorn e que foi reproduzido hoje no Estadão. O texto é bom, claro, didático e não poupa o Tesouro norte-americano, a SEC (a CVM deles), muito menos os banqueiros que se não compactuaram diretamente com o que vinha sendo feito pecaram, no mínimo, por não terem denunciado. Ele se baseia nos alertas dados durante nove anos por Harry Markopolos às autoridades sobre a fraude financeira que estava a caminho capitaneada por Bernard Madoff. Não tenho capacidade para julgar as alternativas dadas por eles mas algumas nem são tão radicais e me parecem bem sensatas. Ao lado de novas exigências aos capitais do bancos está a sugestão de colocar o fim ao status oficial das agências reguladoras que falharam terrivelmente e, na verdade, deveriam se restringir a emitir relatórios privados, quando contratadas para tal, e não serem subvencionadas pelos emissores dos produtos avaliados. Nunca gostei dessas agências que se julgavam acima do bem e do mal. Outro ponto diz respeito a fechar a porta giratória entre a SEC e Wall Street. Uma quarentena ia bem, não?
No meio de tudo, há um trecho bem interessante: "Por incrível que pareça pessoas inteligentes do mundo todo continuam dispostas a nos emprestar dinheiro e até ouvir nossos conselhos. Elas não parecem ter entendido toda a extensão da nossa loucura." Quem ainda não entendeu? O lado cinza claro é que há pessoas e governos que perceberam isso e tentam buscar suas próprias soluções para enfrentar esse período brabo. Quem sabe, assim, os arranhões serão menores. É para isso que estamos torcendo, não?

O helicóptero
Quem se lembra da cena inicial de Short Cuts, de Robert Altman, quando helicópteros sobrevoam Los Angeles para jogar algum tipo de pesticida? É tudo o que vem à minha cabeça agora com um helicóptero sobrevoando a minha vizinhança há mais de 20 minutos com um holofote fortíssimo iluminando as ruas e quadras. O que procuram esses caras? E lá vem eles de novo. Medo.

A Lua
Para um ano que inauguramos com a Lua Nova e a marca da ruptura passamos agora pela primeira Lua Cheia de 2009. Ela chegou linda, se escondeu, tornou-se misteriosa, voltou, brilhou. Mas está lá. Quem ainda não celebrou, há tempo. Dancem, vibrem, amem. E salve todos os que nasceram sob o signo de Capricórnio. Os meus parabéns para as pessoas especiais de janeiro, estejam por perto ou não.

Pa ' Bailar
Gostaria muito de colocar um vídeo do Bajofondo aqui para bailarmos. Mas, infelizmente, a reprodução não é permitida ou pelo grupo ou pela gravadora. Normalmente, desistiria. Mas, como vale a pena, convido todos a irem até o Youtube para assistí-lo e dançar com a festa tangueira eletrônica. O Bajofondo é um grupo que reúne argentinos e uruguaios e entre seus criadores está Gustavo Santaolalla, músico que também tem no currículo trilhas sonoras interessantes e intrigantes, como a de Babel e de O segredo de Brokeback Moutain, que lhes renderam dois Oscar, e de outros entre os quais O Diário da Motocicleta e 21 Gramas.
O link é http://www.youtube.com/watch?v=h2462nIpT0Y. Divirtam-se e boa semana.

janeiro 08, 2009

Apenas uma vez


Um filme de produção modesta que se passa em Dublin e envolve um irlandês e uma imigrante tcheca. Os dois se conectam pela música, ele tocando violão pelas ruas e ela piano nas horas vagas. E é através da música que esses dois se falam. Once (Apenas uma vez) é sensível, honesto, interessante. Os dois protagonistas são músicos e amigos na vida real. Ele é Glen Hansard, guitarrista e vocalista do grupo The Frames. Ela é Marketá Irglová, compositora, cantora e atriz que vive em Dublin desde o ano passado. O diretor é John Carney que foi baixista do The Frames de 91 a 93. Quem ainda não viu, vale a pena. Está nas locadoras. Algum crítico que não lembro o nome se referiu ao filme como "um conto de fadas urbano". Não deixa de ser, afinal tem histórias que aproximam pessoas de formas diversas e inesperadas e que se tornam muito especiais. E dificilmente se repetem.
O vídeo é com Hansard e Markéta cantando a composição de ambos "Falling Slowly" que venceu o Oscar do ano passado. Foi uma surpresa geral pois foge completamente do padrão hollywoodiano. É muito bonita mas vamos combinar que esse Oscar deveria ter sido para Guarantee, música que Eddie Vedder fez para o filme Into the Wild, de Sean Penn, que ganhou o Globo de Ouro. Mas por conta de uma puxada de tapete da Academia acabou não concorrendo. Mas isso é só história e a música da dupla tem seu próprios méritos e foi uma boa escolha. Divirtam-se.

dezembro 31, 2008

Então, vamos nessa.

É, os desafios podem ser grandes. Mas tiram você da zona de conforto e te exigem muito mais, o que pode ser muito bom. Como se diz há muito tempo, o importante é manter a mente aberta, o corpo ereto e o coração tranquilo. E, claro, saber identificar a onda e deslizar por ela em grande estilo, com mais momentos mágicos como o de Laird Hamilton na foto. Recomenda-se prestar bastante atenção nas pequenas e grandes magias. Que hay conexão direta com o mestre lá de cima, hay. É só saber onde está o portal. Para ajudar, que tal estreamos a nova data com as boas vibrações da clássica canção que nunca perde a parafina. Os garotos da praia que o digam. Bora, boralá.

dezembro 22, 2008


Silent Night/Little drummer boy, com Hendrix. Agora sem tanta neve.

dezembro 17, 2008

A estratégia do sonho


Esse título podia ser o dessa foto do Patrick Nosetto. Mas é da retrospectiva do Bertolucci que começa hoje no Centro Cultural do Banco do Brasil. Adoraria ter tempo para ver. Mesmo que saiba que nunca mais terei a sensação gostosa de entrar no cinema para ver, pela primeira vez, o já badalado O Último Tango em Paris. Ou de assistir várias vezes Novecento com o namorado que queria mudar o mundo. Bom, a mostra terá esses e outros, principalmente da primeira fase do cineasta. E com cópias 35 mm.

Emoção
Eu fiquei muito emocionada ao ler a história da menina de cinco anos que achou R$ 20 mil na manga de um casaco doado para as vítimas de Santa Catarina. Mesmo depois de ter perdido a casa em que morava, o avô, Daniel Manoel da Silva, procurou o doador e devolveu o dinheiro. Seu argumento era de que se tivesse recebido o dinheiro diretamente, aceitaria. Mas não foi o caso. Pelo que fez, ganhou R$ 1 mil. Para ser um belo conto de Natal, só se na semana que vem começassem a chegar doações específicas para ele, não? Presentes, dinheiro, material de construção.
É uma história que muitos classificariam como piegas e idiota, já que ele não tinha a quem prestar contas e poderia ter ficado com o dinheiro. Mas eu entendo que alguém como ele não teria feito outra coisa. É o que meu avô faria, tenho certeza. Outros tempos, outras vidas. Essa também é uma ótima retrospectiva, não?

What a Wonderful World
Só por conta disso, vamos com a clássica. Mas não amoleci tanto assim, portanto versão by Ramones. Ótima.

dezembro 12, 2008

Run, moça, run

É sempre a mesma coisa, já deveria ter me acostumado. Se eu não me adapto à divisão de tempo, porque acho que seria melhor com calendário? Eu odeio essa pressão de que o ano está acabando, que o próximo está chegando rápido e você tem de estar pronta para recebê-lo. O dia primeiro de janeiro, normalmente, me pega com aquela sensação de que saí de casa e deixei o ferro ligado. E, claro, perdi a chave. Ou que chego no aeroporto e percebo que esqueci o passaporte em casa. E nem adianta voltar correndo porque, óbvio, perdi a chave. Levo pelo menos uns 10 dias para me adaptar e acreditar que tudo será, realmente, novo. Ou que, o mais provável, tenho um monte de pendências para resolver do velho ano. Medo. Ai, quem inventou isso?

Pó cósmico
É nessas horas de aflição que alguns exemplos são bem-vindos. O Fernando Zanforlin me passou um link interessante contando que o Brian May, o guitarrista do Queen, concluiu seu doutorado com uma tese sobre a luz zodiacal. Ele tinha interrompido, nos 70, para tocar com a banda, mas retornou e concluiu sua tese. E ainda por cima no Observatório do Teide e Izana, em Tenerife, nas ilhas Canárias. A luz zodiacal é o reflexo da luz do sol nas partículas de pó no sistema solar. Que coisa boa ficar observando isso, não?

Favela sim
Alguém tinha de falar. Mas que o Palácio do Planalto, que não me parece ter sido projetado para seres humanos, virou uma favela, virou sim. Tanto puxadinho não ia dar boa coisa.

Para desacelerar
Nada como Long Road, com Pearl Jam e Nusrat Fateh Ali Khan, no concerto Dead Man Walking realizado em 1998. É um pouco longo e uma combinação estranha, mas funciona bem. Bom final de semana.

dezembro 07, 2008

Momento de decisão

Um frio na barriga é inevitável. Afinal, ele precisa ter certeza de que tudo que é possível ser controlado está, realmente, controlado. E saltar acreditando que saberá lidar com o inesperado. Mas ele também está ansioso porque não tem dúvida do prazer que o espera e que cada minuto no ar será precioso. Tem consciência que não há vento a perder. A mim só resta observar, torcer, vibrar e esperar a vez de me jogar.

Precious
O meu vôo hoje é de volta para casa. E com o som da gracinha da Esperanza Spalding, que deu um belíssimo show no TIM Festival. Bom domingo e curtam.

dezembro 02, 2008


Fico no Rio esta semana toda. Adoro. Mas não posso deixar de comentar uma coisa que sempre me intriga nessa cidade. As pessoas que moram aqui (não apenas os cariocas, ok?) adquirem uma convicção sobre tudo e todos que eu acho meio assustadora. Deve ser a proximidade com o Cristo, sei lá. Mas tudo sabem e sobre tudo têm uma opinião. Radical e absoluta. Eu tenho uma relação ambígua quanto a isso. Tem um lado meu que gosta de ver essa certeza mesmo porque odeio as pessoas que mudam de opinião e comportamento por questões de conveniências. Ao mesmo tempo fico pensando, será que não pinta nunca uma duvidazinha?

novembro 28, 2008

Quem pegou o charme que estava aqui?

Esse é um post bem de tiazinha e sujeito a bombardeios. Eu fui jantar com uma amiga que tem um filho de 10 anos e costuma surpreender com algumas perguntas tipo "como os gays transam?" e "você já fumou maconha, mãe?". Não vou nem entrar na questão de como essas dúvidas chegam a um menino dessa idade, vou me ater a uma coisa mais superficial, o relacionamento com as meninas. Ele tem várias garotas interessadas nele, "50% das meninas da classe", como disse uma vez. Ele contou para a mãe que uma tem investido mais seriamente e em uma de suas abordagens ela disse "você tem pés bonitos". Pés bonitos? Inovadora, no mínimo. E ele e seus amigos comentam de uma outra que veste short minúsculo com quase tudo à mostra. Querendo causar desde pequena, vejam só.
Bom, é clichê falar que essa geração está descobrindo tudo cada vez mais cedo. Mas o que me chama a atenção é uma lei da economia que os meninos estão entendendo rapidamente: quando há um grande desequílibrio na oferta e procura seu esforço de vendas diminui e, em geral, é possível bancar o preço que se quer.
Eu vi o reflexo disso na semana passada, em uma festa de aniversário. Uma hora comecei a prestar atenção na moçada que dançava na pista. Eram muito mais velhos que o filho da minha amiga mas ainda jovens que não estavam muito certos sobre as definições que tinham acabado de fazer para suas vidas. As muitas garotas faziam de tudo para chamar a atenção dos poucos rapazes que ali estavam, mesmo que distraídos ou só no caminho do banheiro. Elas, na potência máxima, ralando, suando, e eles pensando se iriam ou não estalar os dedos. Mas o que me intrigou foi que enquanto elas estavam deslumbrantes eles me pareceram muito, mas muito sem graça, sem jeito, sem sexy appeal. E, claro, sem se importarem com isso. E precisavam?
Pode ser que eu estivesse azeda (não acho que era o caso), que meu olhar esteja destreinado para essa faixa etária (bem possivelmente), ou só implicância de tiazinha (eu avisei lá em cima, tá?). Mas e se eu estiver certa? E se esses garotos estão mesmo correndo o risco de sofrerem o efeito perverso da lei do mínimo esforço? E se o que hoje pode parecer uma vantagem poderá causar mais danos do que benefícios no futuro? Não estou falando de sexo, porque a liberdade de praticá-lo, como e com quem quiser, conquistamos nós. Mas de eles desconhecerem o prazer de seduzir e ser seduzido em um jogo que às vezes pode ser lento, depende, mas é contínuo, interessante. Aquele sorriso encantador, aquele gesto na hora certa, aquela frase adequada. Que adultos mais sem charme poderão se tornar?
Claro que não dá para generalizar e há muitos que desde cedo não poupam energia para agradar a uma mulher. Mesmo sabendo que nem precisa. Mas, cuidado, quando algum de vocês encontrar alguém assim saia de perto rapidinho. A legião que virá atrás vai travar uma disputa ainda mais feroz, quase sanguinária.
Para piorar vi a capa da edição da Turma da Mônica Jovem. E, claro, tem uma Mônica avançando para beijar um Cebolinha apavorado e suando em bicas. Precisava?
A boa notícia é que teremos uma geração de mulheres guerreiras que poderão até ir para o front se um dia for necessário. Da estratégia ao combate elas saberão como nos defender. Podemos dormir todos mais tranquilos, ok?

Better Way
Mas, no final de tudo, I believe in the better way. E como faz tempo que ele não passa por aqui, vamos de Ben Harper. E a música vai para uma jovem encantadora e muito querida que sabe esbanjar charme pelo mundo.


novembro 27, 2008

Direct, again

O "Project:Direct" está de volta. Trata-se da segunda edição do concurso internacional online de filmes de curta-metragem do Youtube em parceria com o Sundance Festival e o site norte-americano Moviefone. As inscrições vão até o dia 14 para os vídeos originais que, por sugestão dos organizadores, devem incorporar três objetos.
Um deles é o telefone vermelho que simboliza a Moviefone e mais dois sugeridos no site. Entre eles, um chapéu como o que foi visto em Little Miss Sunshine, um vídeo cassete como o de Sexo, Mentiras e Videotape, uma calcinha laranja como as que foram tiradas pelos strippers de Full Monty, ou um tambor africano, como o que aparece em O Visitante.
Parece gincana, não? Mas acho que vale a pena pois o prêmio é sedutor: o vídeo será exibido durante o Sundance Festival que vai ser realizado em janeiro, em Utah. No ano passado, o concurso foi vencido por duas brasileiras, Flávia Lacerda e Adriana Falcão no curta "Laços", com a filha de Adriana, Clarice. Boralá, moçada, roteiro e câmeras na mão.

Oasis
Brasileiros também fizeram a festa no concurso promovido pela banda inglesa Oasis. Os irmãos Gallagher divulgaram apenas as cifras e as letras de três músicas do novo álbum, Dig Out your Soul, e estimularam músicos, ou candidatos a tal, a fazerem suas versões e colocarem no canal da banda no Youtube. Dois cariocas, que formaram a The Outs, foram escolhidos com a versão que fizeram para "Bag it Up". O prêmio é assistir a um show no lugar que escolherem da turnê do Oasis. Nada mal.

Chuva
Eu fiquei um pouco chateada quando tive de desistir de duas semanas de férias. Mas, hoje acho que foi uma sorte e tanto. Esta semana eu estaria, exatamente, em uma praia em Santa Catarina. Como diz minha mãe, melhor ficar quietinha por aqui mesmo.
Mas a coisa está feia por lá e estão precisando de toda ajuda possível. Há vários links de contas que foram criadas para o socorro das vítimas. Não tenho aqui mas está sendo divulgado por todo lado. Não custa, não?

Hey sweet man
Eu não estarei aqui na próxima semana, mas para quem estiver é um ótimo programa. Madeleine Peyroux no dia 4 no Via Funchal. Aqui, Hey Sweet Man, do álbum Dreamland, de 96.


novembro 24, 2008

The blues

O blues de segunda-feira vai por conta de uma seleção de fotos da Reuters, The blues. Gostei e coloco algumas aqui.


Um garoto se pinta durante um encontro de Comics em San Diego, em 2003. Por Mike Blake.



Membros da banda She Creatures no festival de Glastonbury, na Inglaterra, em junho deste ano. Por Luke Mcgregor.


Performance de Kylie Minogue durante um show em Oslo, em junho. Por Kyrre Lien.


Uma mulher visita a instalação "Penetrable BBL Bleu", de Jesus Rafael Soto, na Basiléia, em junho. Por Christian Hartmann.


Um ator se pinta de azul durante um protesto em Bruxelas, em junho, no Dia de Apoio às Vítimas de Tortura. Por Francois Lenoir.


Viúvas afegãs em uma fila de comida da ajuda internacional. Kabul, janeiro de 2006. Por Ahmad Masood.


A meia lua vista da ponte Seri Wawasan em Putrajaya, em junho de 2004. Por Bazuki Muhammad.


Para encerrar por agora, uma declaração em uma porta de Pamplona, na Espanha, durante o Festival de San Fermin. Julho de 2005, por Vicent West.

Boa semana para todos.


Como toda hora estou olhando as fotos, resolvi deixar uma para ver quando eu passar por aqui. Não são demais? E um amor lindo de se ver. Bom, vou parar de babar já, já, ok?