outubro 19, 2007

Quando a França chegou na minha vida

Eu não tenho muito espaço no meu HD cerebral, então deleto tudo que tem mais de nove meses. De vez em quando baixam algumas coisas antigas que me dão susto. O Telecine Cult passou hoje A Sereia do Mississipi, do Truffaut. E as lembranças vieram, mesmo sem licença. Um sábado de sei lá quando, esse filme passou no cine Itamarati, na minha pequena cidade do interior. Não era muito típico da programação lá, mas passou. E eu fui. Mas esse filme me marcou por um motivo mais prosaico, eu tinha uns 13 anos e a censura era de 16 ou 18 anos, sei lá. Fui com meus primos mais velhos e consegui entrar. O porteiro conhecia meu pai, mãe, avô e se fez de cego, claro. Mas eu achei uma conquista e tanto. Nem me lembrava da história toda, mas nunca esqueci do meu orgulho e das imagens na telona. E da França. Foi o meu contato mais imediato com aquele país, aquela língua, a fascinante Catherine Deneuve, lindíssima. E o Belmondo, falando quase de biquinho com aquele bocão. E Truffaut, que ainda nem sabia direito quem era. Mas, se é verdade que nós somos formados pelos filmes que assistimos, descobri que, de uma maneira subliminar, a Sereia ficou tatuada em mim. Daí fiquei pensando, caramba, eu já estava com quase 14 anos e somente nessa época tudo aquilo entrou na minha vida. Minha filha já viajou um tanto que nem é mais uma coisa tão fora do comum. E já viu um número tão grande de filmes, conheceu culturas, diretores, atores, em tão pouco tempo. Mas para mim e meus primos só aquela noite já tinha sido uma aventura. Viva a vida e seu movimento, porque não estou aqui para reclamar, só para constatar. É claro que fico com aquele gostinho de que minha bala era mais doce, principalmente porque era desembrulhada aos poucos. Mas se elas já vêm sem a embalagem, que aproveitem melhor o gosto, pelo menos.

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