dezembro 31, 2008

Então, vamos nessa.

É, os desafios podem ser grandes. Mas tiram você da zona de conforto e te exigem muito mais, o que pode ser muito bom. Como se diz há muito tempo, o importante é manter a mente aberta, o corpo ereto e o coração tranquilo. E, claro, saber identificar a onda e deslizar por ela em grande estilo, com mais momentos mágicos como o de Laird Hamilton na foto. Recomenda-se prestar bastante atenção nas pequenas e grandes magias. Que hay conexão direta com o mestre lá de cima, hay. É só saber onde está o portal. Para ajudar, que tal estreamos a nova data com as boas vibrações da clássica canção que nunca perde a parafina. Os garotos da praia que o digam. Bora, boralá.

dezembro 22, 2008


Silent Night/Little drummer boy, com Hendrix. Agora sem tanta neve.

dezembro 17, 2008

A estratégia do sonho


Esse título podia ser o dessa foto do Patrick Nosetto. Mas é da retrospectiva do Bertolucci que começa hoje no Centro Cultural do Banco do Brasil. Adoraria ter tempo para ver. Mesmo que saiba que nunca mais terei a sensação gostosa de entrar no cinema para ver, pela primeira vez, o já badalado O Último Tango em Paris. Ou de assistir várias vezes Novecento com o namorado que queria mudar o mundo. Bom, a mostra terá esses e outros, principalmente da primeira fase do cineasta. E com cópias 35 mm.

Emoção
Eu fiquei muito emocionada ao ler a história da menina de cinco anos que achou R$ 20 mil na manga de um casaco doado para as vítimas de Santa Catarina. Mesmo depois de ter perdido a casa em que morava, o avô, Daniel Manoel da Silva, procurou o doador e devolveu o dinheiro. Seu argumento era de que se tivesse recebido o dinheiro diretamente, aceitaria. Mas não foi o caso. Pelo que fez, ganhou R$ 1 mil. Para ser um belo conto de Natal, só se na semana que vem começassem a chegar doações específicas para ele, não? Presentes, dinheiro, material de construção.
É uma história que muitos classificariam como piegas e idiota, já que ele não tinha a quem prestar contas e poderia ter ficado com o dinheiro. Mas eu entendo que alguém como ele não teria feito outra coisa. É o que meu avô faria, tenho certeza. Outros tempos, outras vidas. Essa também é uma ótima retrospectiva, não?

What a Wonderful World
Só por conta disso, vamos com a clássica. Mas não amoleci tanto assim, portanto versão by Ramones. Ótima.

dezembro 12, 2008

Run, moça, run

É sempre a mesma coisa, já deveria ter me acostumado. Se eu não me adapto à divisão de tempo, porque acho que seria melhor com calendário? Eu odeio essa pressão de que o ano está acabando, que o próximo está chegando rápido e você tem de estar pronta para recebê-lo. O dia primeiro de janeiro, normalmente, me pega com aquela sensação de que saí de casa e deixei o ferro ligado. E, claro, perdi a chave. Ou que chego no aeroporto e percebo que esqueci o passaporte em casa. E nem adianta voltar correndo porque, óbvio, perdi a chave. Levo pelo menos uns 10 dias para me adaptar e acreditar que tudo será, realmente, novo. Ou que, o mais provável, tenho um monte de pendências para resolver do velho ano. Medo. Ai, quem inventou isso?

Pó cósmico
É nessas horas de aflição que alguns exemplos são bem-vindos. O Fernando Zanforlin me passou um link interessante contando que o Brian May, o guitarrista do Queen, concluiu seu doutorado com uma tese sobre a luz zodiacal. Ele tinha interrompido, nos 70, para tocar com a banda, mas retornou e concluiu sua tese. E ainda por cima no Observatório do Teide e Izana, em Tenerife, nas ilhas Canárias. A luz zodiacal é o reflexo da luz do sol nas partículas de pó no sistema solar. Que coisa boa ficar observando isso, não?

Favela sim
Alguém tinha de falar. Mas que o Palácio do Planalto, que não me parece ter sido projetado para seres humanos, virou uma favela, virou sim. Tanto puxadinho não ia dar boa coisa.

Para desacelerar
Nada como Long Road, com Pearl Jam e Nusrat Fateh Ali Khan, no concerto Dead Man Walking realizado em 1998. É um pouco longo e uma combinação estranha, mas funciona bem. Bom final de semana.

dezembro 07, 2008

Momento de decisão

Um frio na barriga é inevitável. Afinal, ele precisa ter certeza de que tudo que é possível ser controlado está, realmente, controlado. E saltar acreditando que saberá lidar com o inesperado. Mas ele também está ansioso porque não tem dúvida do prazer que o espera e que cada minuto no ar será precioso. Tem consciência que não há vento a perder. A mim só resta observar, torcer, vibrar e esperar a vez de me jogar.

Precious
O meu vôo hoje é de volta para casa. E com o som da gracinha da Esperanza Spalding, que deu um belíssimo show no TIM Festival. Bom domingo e curtam.

dezembro 02, 2008


Fico no Rio esta semana toda. Adoro. Mas não posso deixar de comentar uma coisa que sempre me intriga nessa cidade. As pessoas que moram aqui (não apenas os cariocas, ok?) adquirem uma convicção sobre tudo e todos que eu acho meio assustadora. Deve ser a proximidade com o Cristo, sei lá. Mas tudo sabem e sobre tudo têm uma opinião. Radical e absoluta. Eu tenho uma relação ambígua quanto a isso. Tem um lado meu que gosta de ver essa certeza mesmo porque odeio as pessoas que mudam de opinião e comportamento por questões de conveniências. Ao mesmo tempo fico pensando, será que não pinta nunca uma duvidazinha?

novembro 28, 2008

Quem pegou o charme que estava aqui?

Esse é um post bem de tiazinha e sujeito a bombardeios. Eu fui jantar com uma amiga que tem um filho de 10 anos e costuma surpreender com algumas perguntas tipo "como os gays transam?" e "você já fumou maconha, mãe?". Não vou nem entrar na questão de como essas dúvidas chegam a um menino dessa idade, vou me ater a uma coisa mais superficial, o relacionamento com as meninas. Ele tem várias garotas interessadas nele, "50% das meninas da classe", como disse uma vez. Ele contou para a mãe que uma tem investido mais seriamente e em uma de suas abordagens ela disse "você tem pés bonitos". Pés bonitos? Inovadora, no mínimo. E ele e seus amigos comentam de uma outra que veste short minúsculo com quase tudo à mostra. Querendo causar desde pequena, vejam só.
Bom, é clichê falar que essa geração está descobrindo tudo cada vez mais cedo. Mas o que me chama a atenção é uma lei da economia que os meninos estão entendendo rapidamente: quando há um grande desequílibrio na oferta e procura seu esforço de vendas diminui e, em geral, é possível bancar o preço que se quer.
Eu vi o reflexo disso na semana passada, em uma festa de aniversário. Uma hora comecei a prestar atenção na moçada que dançava na pista. Eram muito mais velhos que o filho da minha amiga mas ainda jovens que não estavam muito certos sobre as definições que tinham acabado de fazer para suas vidas. As muitas garotas faziam de tudo para chamar a atenção dos poucos rapazes que ali estavam, mesmo que distraídos ou só no caminho do banheiro. Elas, na potência máxima, ralando, suando, e eles pensando se iriam ou não estalar os dedos. Mas o que me intrigou foi que enquanto elas estavam deslumbrantes eles me pareceram muito, mas muito sem graça, sem jeito, sem sexy appeal. E, claro, sem se importarem com isso. E precisavam?
Pode ser que eu estivesse azeda (não acho que era o caso), que meu olhar esteja destreinado para essa faixa etária (bem possivelmente), ou só implicância de tiazinha (eu avisei lá em cima, tá?). Mas e se eu estiver certa? E se esses garotos estão mesmo correndo o risco de sofrerem o efeito perverso da lei do mínimo esforço? E se o que hoje pode parecer uma vantagem poderá causar mais danos do que benefícios no futuro? Não estou falando de sexo, porque a liberdade de praticá-lo, como e com quem quiser, conquistamos nós. Mas de eles desconhecerem o prazer de seduzir e ser seduzido em um jogo que às vezes pode ser lento, depende, mas é contínuo, interessante. Aquele sorriso encantador, aquele gesto na hora certa, aquela frase adequada. Que adultos mais sem charme poderão se tornar?
Claro que não dá para generalizar e há muitos que desde cedo não poupam energia para agradar a uma mulher. Mesmo sabendo que nem precisa. Mas, cuidado, quando algum de vocês encontrar alguém assim saia de perto rapidinho. A legião que virá atrás vai travar uma disputa ainda mais feroz, quase sanguinária.
Para piorar vi a capa da edição da Turma da Mônica Jovem. E, claro, tem uma Mônica avançando para beijar um Cebolinha apavorado e suando em bicas. Precisava?
A boa notícia é que teremos uma geração de mulheres guerreiras que poderão até ir para o front se um dia for necessário. Da estratégia ao combate elas saberão como nos defender. Podemos dormir todos mais tranquilos, ok?

Better Way
Mas, no final de tudo, I believe in the better way. E como faz tempo que ele não passa por aqui, vamos de Ben Harper. E a música vai para uma jovem encantadora e muito querida que sabe esbanjar charme pelo mundo.


novembro 27, 2008

Direct, again

O "Project:Direct" está de volta. Trata-se da segunda edição do concurso internacional online de filmes de curta-metragem do Youtube em parceria com o Sundance Festival e o site norte-americano Moviefone. As inscrições vão até o dia 14 para os vídeos originais que, por sugestão dos organizadores, devem incorporar três objetos.
Um deles é o telefone vermelho que simboliza a Moviefone e mais dois sugeridos no site. Entre eles, um chapéu como o que foi visto em Little Miss Sunshine, um vídeo cassete como o de Sexo, Mentiras e Videotape, uma calcinha laranja como as que foram tiradas pelos strippers de Full Monty, ou um tambor africano, como o que aparece em O Visitante.
Parece gincana, não? Mas acho que vale a pena pois o prêmio é sedutor: o vídeo será exibido durante o Sundance Festival que vai ser realizado em janeiro, em Utah. No ano passado, o concurso foi vencido por duas brasileiras, Flávia Lacerda e Adriana Falcão no curta "Laços", com a filha de Adriana, Clarice. Boralá, moçada, roteiro e câmeras na mão.

Oasis
Brasileiros também fizeram a festa no concurso promovido pela banda inglesa Oasis. Os irmãos Gallagher divulgaram apenas as cifras e as letras de três músicas do novo álbum, Dig Out your Soul, e estimularam músicos, ou candidatos a tal, a fazerem suas versões e colocarem no canal da banda no Youtube. Dois cariocas, que formaram a The Outs, foram escolhidos com a versão que fizeram para "Bag it Up". O prêmio é assistir a um show no lugar que escolherem da turnê do Oasis. Nada mal.

Chuva
Eu fiquei um pouco chateada quando tive de desistir de duas semanas de férias. Mas, hoje acho que foi uma sorte e tanto. Esta semana eu estaria, exatamente, em uma praia em Santa Catarina. Como diz minha mãe, melhor ficar quietinha por aqui mesmo.
Mas a coisa está feia por lá e estão precisando de toda ajuda possível. Há vários links de contas que foram criadas para o socorro das vítimas. Não tenho aqui mas está sendo divulgado por todo lado. Não custa, não?

Hey sweet man
Eu não estarei aqui na próxima semana, mas para quem estiver é um ótimo programa. Madeleine Peyroux no dia 4 no Via Funchal. Aqui, Hey Sweet Man, do álbum Dreamland, de 96.


novembro 24, 2008

The blues

O blues de segunda-feira vai por conta de uma seleção de fotos da Reuters, The blues. Gostei e coloco algumas aqui.


Um garoto se pinta durante um encontro de Comics em San Diego, em 2003. Por Mike Blake.



Membros da banda She Creatures no festival de Glastonbury, na Inglaterra, em junho deste ano. Por Luke Mcgregor.


Performance de Kylie Minogue durante um show em Oslo, em junho. Por Kyrre Lien.


Uma mulher visita a instalação "Penetrable BBL Bleu", de Jesus Rafael Soto, na Basiléia, em junho. Por Christian Hartmann.


Um ator se pinta de azul durante um protesto em Bruxelas, em junho, no Dia de Apoio às Vítimas de Tortura. Por Francois Lenoir.


Viúvas afegãs em uma fila de comida da ajuda internacional. Kabul, janeiro de 2006. Por Ahmad Masood.


A meia lua vista da ponte Seri Wawasan em Putrajaya, em junho de 2004. Por Bazuki Muhammad.


Para encerrar por agora, uma declaração em uma porta de Pamplona, na Espanha, durante o Festival de San Fermin. Julho de 2005, por Vicent West.

Boa semana para todos.


Como toda hora estou olhando as fotos, resolvi deixar uma para ver quando eu passar por aqui. Não são demais? E um amor lindo de se ver. Bom, vou parar de babar já, já, ok?

novembro 19, 2008

Para os que vão emendar o feriado, muito relax. Para os demais, relax também. E para saudar o Dia da Consciência Negra vamos de Lokua Kanza, nascido na província de Bukavu, no Congo, de uma família de nove filhos que viviam em duras condições. Sua música o levou para longe.Eu assisti a um belo show dele há alguns anos no Sesc Pompéia. No vídeo, ele canta em um concerto na Cinémathèque Française.
Quem não vai para a praia, São Paulo terá muita coisa boa. A conferir se o Canto da Vila Madalena, que arrasou na comida paraense no domingo, vai mesmo fazer uma rodada de comida baiana. E o Jazz nos Fundos comemora seu segundo aniversário com um show do pianista cubano Yaniel Matos. Para quem gosta, show de Tom Zé no auditório Ibirapuera. E ainda o show de Branford Marsalis e Chaka Khan no Parque da Independência, no Ipiranga. Grátis. Curtam bem onde estiverem.


novembro 17, 2008


Uma boa semana para todos. Com a música Wonderland, da abertura de Alice, da HBO. Gosto da série, do amor por São Paulo que transborda nela, do duro aprendizado da protagonista e da sua convicção na capacidade de transformar os fatos, pessoas e lugares a seu redor em coisas positivas. Sem seicho no ie, ela leva e dá muita porrada, mas sempre acreditando que as coisas são possíveis. Ou então corre rápido para achar uma boa forma de contorná-las. E, claro, pela qualidade do seriado. Com a voz de Irina Gatsalova.

novembro 13, 2008

Um belo pôr de HR 8799

Muito café e chocolate quente tem sido tomado pelos astrônomos entre os orgasmos múltiplos que andam tendo. E não é para menos. O que antes era uma "hesitação em um gráfico" agora está digitalmente fotografado. Telescópios terrestres obtiveram, pela primeira vez, imagens de exoplanetas, aqueles que não orbitam em torno do nosso Sol e sim de outras estrelas.
Ainda sem nomes, esses planetas são chamados de "b", "c" e "d" e a estrela mãe deles é a HR 8799. Um dos pesquisadores que participou dessa empreitada explica o fato de uma maneira simples, era como se antes escutássemos os vizinhos de nossos apartamentos mas não pudessemos vê-los. Agora, a porta foi aberta e podemos enxergá-los diretamente. Ou seja, arrombamos a porta do vizinho.
Como a HR 8799 ainda é uma estrela "criança" ela se alimenta de suas próprias reações nucleares. A suposição de como os exoplanetas se formaram é bastante poética, eles podem ter sido criados pelos discos de gás e redemoinhos de poeiras em torno da estrela-mãe. Com o som do Pink Floyd e todos os acessórios necessários acho que consigo imaginar muito bem, e por horas, essa cena.
Bom, a conclusão para nós, seres terrestres, é a de que aumentam as provas de nossa insignificância. E quando você tentar de todas as maneiras explicar para aquela pessoa que o mundo não gira ao seu redor resta uma pergunta infalível: você conhece a HR 8799? Não importa que ela pense que é um novo modelo de SUV ou celular, você sabe o que significa. E pode virar as costas e ir embora mais feliz. Tks, moçada da pesquisa.


Segundo sol

Nada melhor para esse momento histórico do que a música de Nando Reis na voz de Cássia Eller.


novembro 12, 2008

I love youuuuuuu, Michael


Post de fã mesmo. Mas valeu cada minuto das duas horas e 25 músicas do show do R.E.M. Valeu dançar com eles, ouvir o belíssimo som da guitarra do Peter Buck e do baixo de Mike Mills, não desgrudar os olhos um minuto do performático Michael Stipe. E até comemorar com eles o Obomatic for the people, tão felizes estavam com a mudança de rumo de seu país. E ver a energia positiva que tomou conta do Via Funchal e alegria na cara do público que cantou tão alto em alguns momentos que ecoou até no palco. O melhor show que vi este ano, sem dúvida. Querem mais R.E.M? Siiiiiiiiim.


Controle de armas
Na entrada, uma pulseirinha de apoio ao tratado de controle de armas. Um pedido: enviar um SMS com a palavra "apoio" para 30120. Os detalhes estão nos sites http://www.soudapaz.org/ ou http://www.br.amnesty.org/.

The one I love
Por conta de tudo isso, e com muita alegria, repito a dose de R.E.M.

novembro 11, 2008

Antiiiiiiga

Pelo tipo de som que curto e pelos shows que gosto de ir de vez em quando fico ao lado de um povo bem mais jovem que eu. Não costumo me incomodar com esse tipo de inadequação e normalmente circulo com certa tranquilidade nesses espaços. Até descer de um táxi com um amigo domingo no via Funchal.
Na calçada já dava para sentir que o público que estava chegando seria o que até minha filha classificaria de "pirralhos". Encontramos uma amiga que estava com os ingressos e que sentiu o clima ao deixar o carro no estacionamento. Uma legião de teens que parecia ter saído de uma convenção da Capricho. Mas, também, o que esperar de um show do Maroon 5? Melhor relaxar.
Tudo bem, nos divertimos muito principalmente quando entendemos porque a tenista Maria Sharapova pedia para o vocalista da banda, Adam Levine, ficar quieto para não atrapalhar a sua concentração quando eles transavam. Esse detalhe da relação foi contado por ele mesmo em uma entrevista para uma revista russa. Mas é que cantando ele até que vai bem, mas quando fala tem uma voz de pato. Quem quer transar com o Donald?
Tudo poderia ter parado por aí até que ele começa a cantar um cover que não conseguíamos identificar qual era. O som era familiar, mas não caía a ficha.
Como descobrir? Nada melhor do que perguntar para a garotinha do seu lado que se vestia como um duende.
- Que música é essa?
A menina, super prestativa, responde seriamente e com toda boa vontade do mundo. Diz que ela e seus amigos estavam, justamente, discutindo a mesma coisa.
- Não conseguimos saber de quem é. Eu só sei que é uma música muuuuuito antiga. Acho que é da década de 80.
Difícil, não? E sem poder cair na gargalhada na carinha dela. Ou desmaiar. Mas, afinal, quem está na chuva é para se molhar.
Detalhe, a música era Wicked Game, de Chris Isaak, que fez parte da trilha sonora do filme Coração Selvagem, de David Linch. E foi lançada em 1989. Os pais daquela menina deviam estar se conhecendo.

Viver bem é a melhor vingança
Hoje, no mesmo via Funchal, devo me sentir bem mais em casa. Segundo dia do show do R.E.M em São Paulo. Adoro. Por conta disso, Living well´s the best revenge.
No dia 4 de dezembro, depois de, vejam só, Cyndi Lauper e Duran, Duran passarem pela mesma casa, é a vez da voz deliciosa de Madeleine Peyroux. Fervido esse final de ano, não?
E beijos para a Madá.

novembro 10, 2008

Quando será que vamos atingir o nirvana e conseguir limitar o número de spam na nossa vida?

novembro 06, 2008

O cara


Não foram poucos os anônimos que trabalharam incansavelmente pela vitória emocionante que assistimos esta semana. Mas ainda há aqueles que se engajaram usando, justamente, seus nomes. Várias celebridades estiveram ao lado de Obama tentando fazer com que os americanos vencessem vários desafios. Um deles o de que deixassem de ser preguiçosos e se registrassem para votar. Vencido, o recorde de votação mostrou isso. Outro, superassem preconceitos arraigados na alma americana. E Obama foi eleito com folga. Na batalha, Bruce Springsteen é um desses caras. Ótimo músico é há muito um ativista político. Colocou seu esforço e suor nessa campanha. Por ele, "Prove it all night".

novembro 04, 2008

Boralá

Já que o mundo será afetado com essa eleição, que pelo menos fiquemos livre da era Bush. E só resta torcer para que tenhamos boas surpresas com ele, não? Velas acesas.

novembro 03, 2008


A festa mais linda e os noivos mais amados. Bjs

outubro 27, 2008


Em tempo de maratona, só volto na próxima semana. Mas quero brindar com vocês ao casal que eu amo de paixão, Luna e KK. E como o amor está no ar, vamos de Lennon, Oh, my love.

outubro 21, 2008

Uma cena de Fale com ela, do mestre Almodóvar. Cucurrucucu Paloma, by Caetano. Para ouvir.

outubro 17, 2008

A básica

Em um dia que polícia bate em polícia nada melhor do que um post bem mulherzinha, não? Eu conversava um dia desses com uma amiga sobre um grande desafio no mundo feminino, quando você tem de ir "básica" a um primeiro encontro. Embora seja difícil para os homens acreditarem, há casos comprovados de chegarem a ser gastas quase duas horas nesse processo.
Para um jantar há uma infinidade de recursos que são bem aceitos sem que você abra uma bandeira inteira. Agora, um café no meio da tarde pode ser fatal. Você tem de aparentar descontração com uma pitada de ousadia e nada pode passar do ponto senão a maionese desanda. No final, você tem de dar a impressão de que sua única preocupação ao sair de casa foi não esquecer o celular.
O cabelo, meu deus, o cabelo. Provavelmente você vai gastar mais tempo com ele do que fazendo uma escova no seu cabeleiro. Mas é que o adicional "não estou nem aí" exige mais mesmo. Mas os nervos ficam mesmo à flor da pele na hora de escolher a roupa. Se está calor, talvez haja chances de um vestidinho "básico". Está certo que saber qual deles pode transformar sua vida em um inferno.
Se desistiu do vestido, você tem de dar a impressão de que pegou o primeiro jeans no guarda-roupa, quase automaticamente. Ele nem pode imaginar quantos você experimentou até achar um que mostrasse mais do que deve ser mostrado e escondesse o que deve ser escondido. Uma alquimia que pode exigir uns 15 minutos, no mínimo.
E a camiseta para combinar com esse jeans que, teoricamente, você já nem lembra mais qual é? O decote não pode ser o mesmo que você usaria em um jantar a luz de velas, claro. Mas também não dá para usar algo fechado até o pescoço. Cores fortes não são recomendadas, mas neutra demais pode te apagar. Marcar, nem pensar. Isso leva quase 20 minutos e, no final, a sua cama ficará parecendo um balcão de uma loja de roupas no final do expediente. É melhor não ter muitos planos para ela nas próximas horas.
Se já resolveu o jeans e a camiseta, parabéns. Mas ainda é preciso escolher o melhor sapato já que, de cara, você descartou o tênis. As sapatilhas acabam sendo a decisão mais acertada, mas até chegar lá foram, por baixo, mais 10 minutos. E que, claro, te obrigaram a mudar de camiseta mais algumas vezes na frente do espelho. Antes das bijuterias há ainda um outro obstáculo a ser vencido: a maquiagem. Dar a impressão de que você nem se maquiou é uma arte para poucas, eu ainda hei de aprender.
Bom, depois de tanto esforço, e quase querendo tomar outro banho, você percebe que está muuuuito atrasada e corre o risco do cara considerar que você nem vai mais. Então, é hora de disparar. O resultado é que você chega ao café, ainda tentando manter a pose, vermelha da corrida, com os cabelos começando a se desmanchar e sem nenhuma, mas nenhuma maquiagem. Ou seja, completamente "básica". Mas, afinal, não era isso que você queria?

O Joe errado
As armadilhas e o óbvio estão por todos os lugares. Não parecia facinho demais achar um Joe lá em Ohio que queria comprar uma empresa de encanamento e, assim, personificar o classe média Joe the Plumber? Mas o Joe nem é encanador e, pior, é filiado ao Partido Republicano. Ainda bem que o homem está em vantagem. E deixem o Zé Carioca em paz.

Drão
Porque tem uma das letras mais bonitas que conheço. Porque a música é linda. E porque algumas pessoas são especiais. Gil.

outubro 15, 2008

Depois que a maior diversão nas praias paulistas e avenidas cariocas passou a ser o tiroteio no próprio pé o melhor é deixar o som rolar. Sem direito a curativo porque todo mundo é grande e deveria saber o que está fazendo e falando.
Wild Wild Life, com Talking Heads and friends.

outubro 12, 2008

Circuit break

Às vezes você acha que está abafando e olha só o que acontece, um choque de realidade na sua cara. Difícil, não? Mas, pensando bem, o fato da cena original ser mais bonitinha, romantiquinha, engraçadinha, certinha, também não impediu que, no final, o barco afundasse. Foto do Kris Van Beek.

Corazon espinado

Essa baratinha que vi no blog da K não sai da minha cabeça. Mas vamos de mestre Santana com a banda mexicana Maná.

outubro 08, 2008

A física explica

Quero falar de um assunto sério, os estudos que deram o prêmio Nobel de Física para os japoneses Yoichiro Nambu, Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa. Mas, para isso, é preciso ir por partes, ou partículas. No primeiro estudo, o que eles propuseram foi um mecanismo para explicar o processo que é chamado de violação de CP, carga e paridade.
Voltando, antes se acreditava que após o Big Bang teria ocorrido a formação da mesma quantidade de matéria e antimatéria. Mas, se fosse verdade, uma teria anulado a outra e nada existiria. Daí descobriu-se que a simetria foi quebrada em algum momento e a cada 10 bilhões de antipartículas e partículas geradas surgia uma partícula a mais. Esse saldo foi o que possibilitou a criação do Universo.
Onde eu quero chegar nessa parte? Em um dado que os cientistas não revelaram. Cada partícula a mais que foi gerada é feminina. E isso não apenas explica muita coisa como derruba algumas teorias que têm sido passadas para nós, mulheres, há séculos. Ou seja, aquelas que dizem que todo mundo tem sua alma gêmea, há sempre a outra metade da laranja e a mais difundida na beira do fogão, toda panela tem sua tampa. Sinto muito, amigas, mas está cientificamente provado que isso não é verdade, forget about.
Mas tem um segundo estudo deles que pode explicar o que provocou toda essa alteração na formação de partículas. Trata-se da quebra espontânea quando um estado totalmente simétrico passa para um menos simétrico e com menos energia. Um exemplo pode ser um lápis girando sobre seu próprio eixo com energia e simetria. Quando ele para de girar essa simetria de direções é quebrada, ele sofre efeito da gravidade e cai para um lado. Com isso, ele terá menos energia e as partículas passam a absorver mais “pedaços do campo” e adquirem massa.
Traduzindo, de novo. Enquanto nós, partículas, estamos interagindo com nossas antipartículas a energia consumida é enorme. Mas se sairmos desse estado e entrarmos naquele gigantesco excedente paramos de rodar e ficamos com um menor nível de energia. Então, é óbvio que vamos adquirir mais massa tomando sorvete e comendo chocolate na frente da televisão no sábado à noite. Elementar, meus caros japoneses. Tivessem nos perguntado e teríamos lhes poupado anos de pesquisa.

O corpo
Com tantas notícias polêmicas deve ter passado despercebido para muita gente o artigo na página 2 do Estadão que tem o título de “Corpo esculturado, mente insana”. Fizeram bem em não ler, resumo aqui. Ele fala sobre como encaramos o corpo humano na história, passando pela promessa de ressurreição no cristianismo, a culpa na Idade Média, a guilhotina na Revolução Francesa, a revolução sexual, até chegar à insanidade atual, o culto exagerado, o desespero por cada grama a mais, anorexia e cia. Mas o melhor do artigo, que foi o que me chamou a atenção, está no pé: é assinado pelo jurista Miguel Reale Júnior.
Seguindo nessa linha, imagino que lerei um artigo do Dráuzio Varela explicando o imbróglio jurídico que a Casa Branca se meteu com os prisioneiros do Guantámano. Ou é querer demais?

Pare, olhe, escute
Uma nostalgia da brava e das boas. Stop, look, listen (to your heart) com o grande Marvin Gaye fazendo um dueto com a Diana Ross. Só tem áudio. Mas nem precisa mais, não? Ei, você, não dá vontade de dançar? Hu hu...
"Though you try, you can't hide
All the things you really feel
This time decide"


outubro 07, 2008

Pó pará

Por conta do ofício, e do vício, sou obrigada a acompanhar os sites de notícias boa parte do tempo. E meu humor sofre todo tipo de variação. Posso passar, com extrema facilidade, do riso para a incredulidade ou mesmo a vontade de chorar. Alguns títulos de hoje, dos "bizarros" aos "incríveis". E que só provam que o mundo continua executando operações ilegais e uma hora terá de ser desligado.

-- Urubu se choca com avião da Korean Air. (G1)
-- Trombada galática aborta estrelas. (G1)
-- Criminosos assaltam banco e a gramática em MS. (G1)
-- Sem conseguir sexo, homem atira no próprio braço. (G1)
-- Não tenho problema com Kaká, diz Dunga.(G1)
-- Serra apóia Kassab mas diz que não vai "meter o bico" (UOL)
-- Sobrinha de Gretchen fez pornô mas é virgem. (UOL)
-- Uma das três namoradas de dono da Playboy deixa empresário (UOL)
-- Buenos Aires veta sorteio de cirurgias plásticas em boates (Yahoo)
-- FHC diz que governo brinca de poliana na crise financeira (vários)
-- Cantora escreve sobre a dor do mundo em si (nova coluna de Daniela Mercury no iG)
-- Universo feminino: vibrador, o seu melhor amigo (iG)
-- Veneno de jararaca pode curar câncer de pele (Globo.com)
-- Atriz colombiana dá fora em Cristiano Ronaldo por achar que craque é gay (Globo.com)
-- Nova bond girl nasceu com 12 dedos nas mãos (Globo.com)
-- Soninha diz que vai apoiar Kassab em troca de projetos (Yahoo)
-- EUA vão fazer poços para imigrantes em deserto (Terra)
-- Palin pode ser parente da princesa Diana e de Roosevelt (Reuters)

Chega, cansei.

Jogue seus braços ao meu redor

Vamos para algo mais leve, mais gostoso. Throw your arms around me. Essa música belíssima é da banda Hunter and Collectors, que foi liderada por Mark Seymour. Como disse uma grande figura, a música mais bonita já composta na Austrália. Ela vai na interpretação do Eddie Vedder em show em Pistoia, na Itália. Tem uma parte da tradução, by Terra.



Eu vou me aproximar de você durante o dia
Eu escalarei a sua cama
Vou te beijar em quatro lugares
Enquanto eu nado ao redor do seu traseiro
Eu vou espremer a vida diretamente de você
Vou te fazer rir, vou te fazer chorar
E você nunca vai esquecer
Quando eu fizer você gritar meu nome para o céu azul de verão
E nós poderemos nunca mais nos encontrar
Então desarme-se, vamos começar
E você vai jogar seus braços ao meu redor

outubro 05, 2008

Navalha na liga

O aquecimento global não é nada quando comparado com a previsão do tempo para as próximas três semanas em São Paulo: ferver. Para explicar o que veremos só me vem na cabeça esse título de um livro de Alice Ruiz: navalha na liga. Só não posso dizer, oficialmente, que de todos os lados. Cumbica e Congonhas estão entre os locais que serão mais atingidos com a mudança climática e o movimento nos dois aeroportos não deverá ser pequeno. Muito peso-pesado a caminho. Só espero que, no final, tenhamos de volta aquela que traz as melhores propostas e ousa. Sempre prefiro o original. Antes do Fantástico acabar com o domingo, a cidade também recebeu outra notícia: chuchu não está dando mais nem na serra.

Rain
Antes tem R.E.M, esse sim um show que faço questão de ver e já tenho os ingressos. Mas ela também está a caminho. E para não dizer que não falei de Madonna, coloco uma das minhas músicas favoritas da megastar.

setembro 29, 2008

Primeiro porque me lembra um momento muito bom. Segundo porque gostei da produção. Terceiro porque ando precisando muito lembrar um pouco de mim nesse túnel que passa de tudo, boi, boiada, até trem bala. Por fim, porque não tenho que explicar nada. E volto a ficar quietinha. Como diz Clint Eastwood, "algumas vezes você pode dizer mais com economia do que com excesso de movimentação". E como ando sem tempo nem para pouca movimentação, o que dirá o excesso. E já que o mundo ficou menos bonito sem Paul Newman -- e não vale a idade, a beleza estaria nele aos 99 anos -- quem sou eu para não acatar o que diz Clint, a outra legenda?

If not for you
Música de Dylan. Ele toca com George Harrison.

setembro 27, 2008

Ship song, by Nick Cave. Bom fim de semana para todos, os apaixonados e os não.
"We make a little history, baby. Every time you come around....You are a little mystery to me. Every time you come around"

setembro 22, 2008

Volto para esse espaço quando der. Ou em edições extraordinárias. Por enquanto deixo uma música para vocês. Beijos, boa semana para todos.

setembro 20, 2008

Glicose na veia

Para conseguir levantar e se animar em um sábado besta, frio, ressacado. Nada melhor que o mestre Hendrix. Um erro deve ter feito com que Voodoo Child apareça na legenda como Happening for Lulu. Curtam.

setembro 17, 2008

Na minha árvore

Zen, zen, zen.....Mantras, respirar fundo, fotografar, dançar, desligar, tirar uma semana de folga. Tudo para não pifar nem pirar...Zen, zen, zen....Esses slides vão para duas queridíssimas, amadíssimas, que, como eu, estão precisando de mais ar. Torcida geral porque a vida é mais.

setembro 15, 2008

O cristal e o vidro

Com a idade me tornei uma pessoa menos explosiva. Isso não quer dizer, entretanto, que não seja dada a explosões. Só a freqüência diminuiu. Mas em todos os casos a minha raiva se dirige a algo ou alguém. Sexta-feira passada tive uma experiência inédita, a combustão sem alvo ou platéia. Chegando de viagem e movida a um acúmulo de problemas que não vem ao caso relatar, estava sozinha, no meu escritório, quando peguei um copo que tinha acabado de tomar água e joguei na parede. Um ato estranho para mim, arremessar algo com uma raiva que não foi direcionada a ninguém, apenas o desabafo em quadros. Na hora que arremessei o copo já pensei, "onde está a vassoura?". Mas, infelizmente, foi quando lembrei que cristal é cristal e vidro é vidro. O copo que joguei na parede não era de requeijão, juro, mas devia ser muito próximo. O desgraçado não quebrou, nem uma lasca. Foi um momento de muita frustração, uma catarse interrompida. Como não juntar os cacos, em lágrimas, com toda a vítima que pode habitar o seu ser naquele momento? E ainda ver aquele puto daquele copo dando uma, duas, três reviravoltas e acabar no meu próprio pé? Odeio a Santa Marina, odeio todos os copos quase que inquebráveis. Odeio não ter força nem para estilhaçar um copo na parede. Odeio ter que jogar um copo na parede para conseguir permanecer por aqui. E ainda escutei ontem de uma amiga: a certas pessoas não foi dada a licença da loucura, nasceram lúcidas e vão morrer lúcidas. Socorro, me deixem enlouquecer. Hoje, o meu olhar para minhas taças de cristais foi do mal. Acho que elas entenderam o recado: amigas, vocês serão as primeiras assim que eu conseguir minha licença. Sorry.

Antes que eu esqueça
Estava viajando e não pude comentar. E os 36% podem me criticar à vontade. E espero que critiquem porque sempre considerei a unanimidade burra. Mas 64% de aprovação em segundo mandato é dose. Inegável. Em Manaus, ver o povo esperar lá fora só para ver o cara passar na saída de um evento, com os olhinhos brilhando, é fascinante. É de estilhaçar qualquer oposição. Que, aliás, se mostrou muito mais fácil de quebrar do que aquele puto do meu copo. Mas, na verdade, sempre soube que eles eram de cristal.

Lithium
Se é para pirar, nada melhor que Nirvana. Para você, Kriko. Boralá, se não consigo quebrar nada, que pelo menos alguém quebre sua guitarra. Uma semana enlouquecida para todos. Porque a minha promete.

setembro 08, 2008

Que o céu não caia na nossa cabeça

Eu vi os dois caras saindo do carro no momento que eu me recuperava da sensação de que havia pares de olhos em todas as janelas me secando assim que acendi um cigarro no pátio do hospital. Um era alto, muito gordo, cabelo quase amarelo até o meio da nuca. Usava um chapéu. O outro baixinho, narigudo e de bigode. De repente, uma familiaridade tão grande. De onde eu conhecia aqueles dois? Era algo reconfortante, para falar a verdade. Claro, eram Asterix e Obelix. Iguaizinhos. Eu fiquei pensando como era bom o tempo que eu mergulhava naquela aldeia gaulesa, onde se ficava sob a proteção da astúcia de Asterix e da força de Obelix. Não havia doenças que um bom caldo do druida Panoramix não curasse. Não havia desemprego, para falar a verdade nem competição, era um ferreiro, um açougueiro, um verdureiro...E, claro, um bardo tentando compor músicas, sempre de péssima qualidade. Mas ele insistia. Ideiafix, o cachorro, lembra a Maia, cujo sobrenome virou Exwhite, depois que ela deixou de ser tão branquinha. Todo mundo ficava doidão com a poção preparada pelo mago e a maior diversão era bater em romanos. O único medo era de que o céu caísse sobre a cabeça, porque aqui embaixo estava tudo dominado. Como era boa a minha aldeia.
Me lembrei de outra vez que eu também estava em um hospital, dessa vez como paciente, o que não era o caso ontem. Uma paciente do bem, tinha acabado de dar a luz. E luz clareia, ilumina. Mas estava na segunda noite internada e doida para ir embora. Impaciente, queria começar logo minha vida de mãe. Sensível, não sabia se daria conta. Insegura, cheia de dúvidas. O meu marido me levou o Asterix que faltava na minha coleção. Não lembro qual era, mas na contra-capa, onde tem a apresentação dos personagens, ele colocou legendas. Asterix, correndo, comunicava o nascimento da nossa filha. Obelix dizia que iria preparar um menir para ela. Panoramix, no seu caldeirão, falava que iria fazer a sopinha dela. E o bardo, claro, iria compor uma música para a recém chegada.
Eu fiquei um tempo olhando para aqueles balõezinhos da legenda e, de repente, caí em prantos. Devo ter chorado uns 10 minutos. Era uma emoção misturada com os primeiros sintomas da depressão pós parto que durou mais uns 10 dias e pegou o Natal, óbvio. Não me lembro também se aquele número era só do Uderzo ou uma edição que ainda tinha o roteirista Goschinny. Mas foi lindo. E a vida é cheia desses momentos, gentileza, sensibilidade, sedução.
Meus devaneios foram interrompidos com o berro do manobrista do hospital. Gol do Brasil contra o Chile. E assim teve início uma longa noite de insônia.

Obrigada
Por falar em presentes, na sexta-feira ganhei mais Suflair e um DVD muito legal que, por conta de vários acontecimentos, não pude nem ver. Mas foi um encontro emocionante para mim, tanto que não percebi que havia mais um presente. Volume 1, crônicas, Bob Dylan. Como já disse, a vida é feita de momentos like this. Gostaria de ter gravado um CD com várias músicas para retribuir. Pena que não tive tempo. Valeu, tks.

Até
Não sei se volto a postar nos próximos dias. Vou até ali dar uma olhada em como anda a porta de entrada de nossa Amazônia. Conto tudo na volta. Para quem também viaja amanhã, super boa viagem.

Smokers the outside of hospital doors
Com The Editors. Valeu.

setembro 04, 2008

O exercício da sedução

Encontrei uma amiga e percebi que ela está disposta a seduzir até um poste. Garçom? voz aveludada. Manobrista? sorriso sensual. Porteiro? olhares misteriosos. Colega de trabalho? abraços mais longos. E porque tanta sedução no ar? O argumento dela é que é preciso praticar, como correr, nadar, tocar violão, e outras coisas que não vem ao caso. Ou vem. Mas ela diz que se não for assim, você perde o jeito, a mão, sei lá o que mais se perde. Perguntei se isso se deve ao fato de ela ter visto recentemente Sonhos de um Sedutor, quando o espírito de Humphrey Bogart dá aulas de sedução para o Woody Allen. Não, a lição é nacional mesmo e vem do filme Avassaladoras, quando o escritor para quem Giovana Antonelli está fazendo a capa do livro diz que ela precisa exercitar. E a faz seduzir o dono de um empório que, correndo, lhe dá uma garrafa de vinho, uma taça, alguma coisa parecida. Depois disso, ela conquista o Gianechini. Foi baseada nesse conselho que ela decidiu vencer com sua sedução todos os obstáculos até chegar ao seu próprio Gianechini. "Vai ser em um piscar de olhos", garante, confiante, a minha amiga.
Eu me lembrei de uma conversa que rolava no interior que para você conquistar alguém que desejasse, ou desencalhar com qualquer um que lá a cobrança era brava, você tinha primeiro de beijar alguém muito feio, chato, cdf, desengonçado.. enfim, aquele que ninguém queria. Daí, como em um passe de mágica, o encanto estava feito e você atingia seu objetivo.Claro que isso deve ter sido uma adaptação local para o beijo no sapo que vira príncipe. Aliás, essa história sempre me assustou, não acho que gostaria de um príncipe que viveu tanto tempo no brejo. Uma laminha sempre há de trazer. E sempre achei que era mais o marketing pessoal do sapo para beijar.
Mas, voltando à minha amiga, ela diz que nós, mulheres, nos tornamos invisíveis com o tempo porque deixamos de seduzir, de experimentar, de encantar. Egoísticamente, deixamos nosso cansaço tomar conta e não somos mais generosas com o outro. E isso só se reverte com prática (até com o poste, imagino).Essa necessidade de treinar, argumenta minha amiga, é algo que vale para as solteiras, divorciadas, casadas, moradoras da faixa de Gaza, qualquer uma. Claro que só se leva o jogo adiante se for interessante, caso contrário procura-se o próximo alvo.
Não estou muito convencida dessa teoria da maluca, acho que a verdadeira sedução é algo natural, expontâneo e imperceptível para você mesma. Quase como a respiração que se altera conforme suas emoções, mas você quase não nota. Não consigo imaginar que possa ser uma tarefa diária ou metas a serem cumpridas. E o mais gostoso, vamos combinar, é se sentir sendo seduzida.
Mas, em todo caso, vou dar mais um tempo para ver o que acontece com ela. Se der certo, conto aqui para aquelas que estão procurando seus Gianechinis. Para quem deseja Gianechinis, claro, o que não é meu caso. Se não tiver sucesso, saberemos pelo menos como os sapos se sentiram com tanto prestígio. Mas devo confessar que resolvi me exercitar hoje na padaria e abri um sorriso para o cara que sempre me atende.E, vejam só, ganhei um Suflair. O saldo? calorias. Mas foi engraçado.

Smells like teen spirit
Nada melhor do que Tori Amos seduzindo do piano a todos os caras das primeiras filas, nesse cover do Nirvana. Enjoy.


setembro 03, 2008

Jeff & Tal


A música é Because we ended as lovers, com Jeff Beck. Ela me lembra a primeira vez que fui a Jericoacora quando eu a escutava sem parar, na época em um Walkman.Ela fazia parte de uma fita que ganhei de um namorado que não pode viajar comigo mas queria que, de alguma forma, eu o sentisse por perto. Conseguiu, em parte. Mas naquele lugar paradísiaco fica difícil não descobrir que sempre há outras partes.
Como houve um mal entendido no outro post sobre a moçada que está por aí, esse vídeo ajuda a mostrar o que o Pedro diz, sempre há boas safras. Esse show foi em Chicago, no ano passado, e a baixista, Tal Wilkenfeld, tinha apenas 21 anos. Completamente feliz, à vontade, talentosa e linda.
Tudo isso vai para uma pessoa muito querida que vai pegar a estrada em breve e não sabe quando voltará. E que vai levar uma parte com ele. Curtam.

setembro 01, 2008

Que droga é essa?

Uma grande amiga minha, que aqui assina Aiaiai (pior que é a cara dela, esse é o jeito com que ela reage às loucuras do mundo), fez um comentário meio nostálgico, mas pertinente, sobre o vídeo do Velvet Underground que eu coloquei ontem. Saudades do tempo que ser doidão era legal e não tão cheio de culpas como é hoje. Eu estou lendo o livro das melhores entrevistas da Rolling Stones e fiquei pensando nisso, também com certa nostalgia. Não por mim, mas pelos "doidões".
John Lennon fala da loucura que era o tempo dos Beatles, coisa que não interessava nem a eles, nem à gravadora, e nem à imprensa contar. Como ele e George se envolveram com o LSD, quantas viagens não vieram daí. Mas, o pior ou melhor, quantas músicas dos quais nem vamos relacionar, surgiram. Eric Clapton ficou dois anos e meio dentro de casa, com sua namorada, completamente chapado. Ele tinha um gravador e tocava todos os dias. E dali saíram canções belíssimas. Sim, tem uma entrevista com Keith Richards, e você pode imaginar, nem preciso contar. Ainda não é nessa da célebre frase, não tenho problemas com drogas, tenho problemas com a polícia. Johnny Cash fala do seu vício com anfetaminas e, mais uma vez, do que criou. Jack Nicholson se recusa a dizer que usou cocaína, o mesmo que não vale para o seu vício pela maconha. Mas garante que não faltou a um trabalho e nem ao curso de interpretação que fez durante 12 anos. E que o deixem em paz.
Não li todas as entrevistas, mas lá tem Jim Morrison, Jerri Garcia, Kurt Cobain e Courtney Love. Posso imaginar o que ainda vem. Não quero fazer apologia das drogas, acho que muitos talentos e pessoas foram levados pelo excesso. E acho que todas essas pessoas sofreram com a perda de amigos muito próximos, vítimas do não saber quando, e como, parar. A vida vale muito mais e isso não é cool. Mas havia algo que saía dessa loucura toda e que permitia que o talento desses "doidões" continuasse predominante. Um certo controle sobre a criação. Isso porque nem vou comentar a biografia de Tim Maia. Você sai chapado, mas vibra com ele.
O ponto que eu quero chegar é o que acontece agora com os "doidões". O filho de alguém muito próximo, de 23 anos, teve duas overdoses de cocaína. Só por isso, já o considero um babaca. Mas quando o encontro tudo que eu vejo é um moleque em frente ao espelho, levando horas para produzir seu cabelo, ajeitar seus piercings, e garantir sua figura de emo. Sem brincadeira, ele leva horas. Tenho vontade de vomitar, não dá nem para ter qualquer diálogo. Um amigo meu foi no final de semana a uma rave e disse que rolou de tudo e as pessoas tomavam (será que esse é o verbo?) balas, que imagino seja Ectasy, e ficavam horas pulando como cabritos. Isso sem contar as drogas novas que rolaram, algumas com nomes parecidos com comidas de passarinhos. Passarinhos que pulam como cabritos.
Eu fui a uma festa na semana passada e quando saí para fumar presenciei algo inédito. Uma menina se inteirou a um grupo que estava ao meu lado para fumar um baseado. Mas ela não apenas casou com ele, o baseado, ou seja o monopolizou, como a certa altura resolveu levá-lo embora sob o argumento de que era algo que ela precisava. Pegou a bola, que nem era dela, e ameaçou sair do jogo. Eu freqüentei várias turmas de barra mais pesada do que aquela que estava ali e nunca vi isso acontecer. Havia uma certa ética, algo que se compartilha, se compartilha.
Deve ser a idade, mas eu fico me perguntando, o que mudou? O ser humano, que emburreceu e não sabe mais descer depois daquelas subidas, ou foram as drogas, que ficaram mais caretas? Como disse o Pedro, a visibilidade hoje em dia está fraca e fica difícil saber o que é genuíno e o que não é. Bom, repetindo aquele filósofo que nunca lembro o nome, sei lá, mil coisas. O mundo ficou mais drogado, em todos os sentidos, e mais babaca. Como é muito difícil escolher uma música para isso, hoje não teremos música. Amanhã, quem sabe se eu me drogar muito.

agosto 29, 2008

Manhã de domingo


Para quem ainda tem rouquidão interna, um sentimento inquieto a seu lado, como diz a música, o melhor é deixar rolar e louvar o amanhecer. Com a pequena gota direto da fábrica.E com a própria Sunday Morning, de Velvet Underground. "Eu estou caindo, sinto algo que não quero saber", canta Lou Reed, grande companheiro de tantas estradas. But, early dawning. Bom domingo, boa semana. Mesmo porque a primavera se aproxima.

agosto 22, 2008

Even Flow

Esse slide show foi feito por uma amiga minha o dia que ela descobriu o Windows Maker Movie e ficou doida para fazer alguma coisa. Como ela não tinha vídeos, usou uma série de fotos que estavam no computador dela. Elas são parte dela, de amigos, muitas publicadas nesse blog que vos fala, da Internet, enfim, de um monte de lugares. Por conta disso, ela teve dificuldades de dar crédito, porisso se você reconhecer algum trabalho aqui que a maluca colocou pode me avisar que darei o crédito, ok?
Tem gente que olha o slide e não gosta da música, mas gosta da seqüência de fotos, tem aqueles que gostam da música e não entendem o roteiro (sim, tem um roteiro, diz ela), tem os que não gostam de nada e os que gostam de tudo. Como tudo na vida, não?
A música é Even Flow, do PJ, e para quem não conhece ela fala de um cara que se perdeu na vida e foi morar nas ruas e bem provável que tenha desaparecido sem "começar sua vida de novo". Curtam. Só não vale apedrejar, porque aqui todo mundo é educadinho, não?. Bjs, bom fim de semana para todos.
E antes que me esqueça, hoje é aniversário da Aurora Boreal, queridíssima amiga. Parabéns.

agosto 20, 2008

Licença para voar

Eu ando divagando sobre o tema, levando em conta o comportamento de alguém que, graças a Deus, não é tão próximo. Mas cujas decisões acabam me afetando. Ontem, com um grupo de amigos, o assunto voltou à tona, motivado principalmente por algumas semelhanças físicas em relação ao imaginário que temos dessas criaturas. Foi então que percebemos que temos algumas dúvidas muito sérias sobre as pessoas que pilotam vassouras. Algumas delas:
1) elas precisam de carteira de motorista ou de brevê?
2) elas precisam comunicar suas rotas ao Cindacta?
3) estão sujeitas aos testes de bafômetro?
4)o seguro das vassouras é mais caro ou mais barato que o dos nosso carros?
5) tem sem parar nos pedágios?
6) tem rede credenciada para dar assistência técnica para as vassouras?
7) tem salão de cabeleireiro especializado nas motoristas das vassouras?
8) é obrigatório o uso de capacete?
9) tem redes de estacionamentos autorizadas?
10) o combustível utilizado contribui para a preservação do meio ambiente?

Como já disse um grande filósofo há muitos anos "sei lá, mil coisas..."

Olha a fogueira
A banda é Queens of the Stone Age e a música é Burn the witch. Muito cuidado para acionar.

agosto 17, 2008

Nunca mais


Caymmi em Estrela da Manhã, de 1950. A música é "Nunca Mais". E chegou a hora do poeta curtir um sossego mais longo, eterno até.

agosto 11, 2008

Uma foto, uma música



A foto é do Stephen Sachs. A música é Until We Say Goodbye, do grande professor Joe Satriani. Para começar bem a semana. Sem mais a dizer, a não ser o básico e necessário, tenham em mãos o kit sobrevivência e curtam, vivam, dancem, amem, e amém.

agosto 08, 2008

Tomem suas decisões

Diz a lenda -- e os numerólogos -- que a combinação dos oitos na data de hoje favorece a tomada de decisões. É um dia definitivo, nada de meio termo, mais ou menos não funciona, afirmam os especialistas.
Difícil acordar um dia e saber que aquele é um momento de decisão, não é? É a hora que você vai definir o que vai fazer no resto de sua vida. E o relógio castigando, tenho até a meia-noite para resolver. Não sei se estou preparada.
As resoluções de ano novo são mais fáceis, têm data de validade e podem ser renovadas a cada ano. Eu não sei se quero esse peso de um dia definitivo, mesmo que saiba que outro igual só em mil anos. Acho que prefiro renovar minha lista de desejos. É bem mais fácil, não? Boa parte deles fica por conta do universo. E o universo toma conta, sempre tomou. Quem já está amadurecendo algumas decisões aproveite o dia.
Recebi uma outra interpretração desse dia. Dizem que é uma boa data para dançar e beijar muito. Isso sim é bem melhor, não?

Jazz nos fundos
Nos fundos mesmo. E de um estacionamento. É lá que fica o Jazz nos fundos que amanhã tem mais uma apresentação da série Tributos que todo mês homenageia grandes músicos do jazz. Amanhã é a vez do clarinetista Tito Martino e do vibrafonista André Juarez homenagearem a orquestra de Benny Goodman e Lionel Hampton, o primeiro grupo de jazz que se apresentou em público integrando brancos e negros. O Cid Júnior vai homenager o guitarrista Charlie Christian, que fazia parte também dessa banda. A homenagem vai contar também com o baixista Zeca Araújo e o baterista Paulinho de Lima. Quem estiver interessado, o Jazz nos Fundos fica na João Moura, 1076.

Parabéns, papis
Mais uma data comemorativa, mais celulares para serem vendidos. Mas fica meu abraço para todos os pais, elos fortíssimos da cadeia familiar. Para aqueles que, como eu, a data já não diz muita coisa, infelizmente, resta celebrar com os pais amigos e irmãos. Sempre é bom.

Sometimes you can´t make it on your own
Claro que estava lá. Nos dois dias. Mas vale lembrar aqui. U2 cantando no Morumbi essa música que o Bono fez para seu pai. Bob. Ele passou por uma depressão fortíssima logo após a morte do pai e essa música é uma catarse, como uma conversa dura, difícil, de irlandês para irlandês. Mas é lindíssima. Gostaria muito de ter talento musical para fazer uma música para o meu também. Infelizmente, não é o caso.

agosto 04, 2008


Mixwit

Um dia estranho, inquieto, escuro, com fantasmas voltando a assombrar. Então, recebi essa fita de presente de um amigo. Ele diz que fez um mix do que eu gosto, do que ele gosta, do que gostamos. Foi muito bom. Trouxe a luz, o sol, o girassol. Muito obrigada, querido.


agosto 03, 2008

Salve, salve !!!!!!!!!!!!!!!

Ela ainda é fraca, mas pouco importa. Afinal, foram 47 dias sem chuva na cidade e a pressão da seca já estalava nas nossas cabeças. Ainda não é suficiente para lavar nossas almas e nossos jardins e encher nossas represas e rios. Mas é um começo, um sinal de agosto. Depois, claro, do julho mais seco dos últimos 65 anos. Chove chuva, chove sem parar.

Não me dirija, eu sou um SUV
É de assustar. Segundo a consultoria Jato Dynamics, ouvida em matéria da Época, entre o primeiro semestre de 2007 e o deste ano o número de emplacamentos de utilitários esportivos, ou SUV como são conhecidas, aumentou 67%, o que quer dizer mais que o dobro que todo o mercado de automóveis. E há filas de espera que, muitas vezes, chegam a dois meses. Ou seja, o brasileiro começa a se interessar avidamente por um dos vilões do aquecimento global. Como se isso não bastasse, com o barril de petróleo nas alturas, também contribui para o gasto desnecessário de combustível. Um prato cheio, enfim.
A mulher de um dos "felizes" compradores de um SUV chega a declarar na matéria que tem a impressão de que quando ela está dirigindo o carro as pessoas a respeitam mais. Todo mundo já sabia que tipo de auto-estima os maridos buscavam com esses carrões importados. Agora descobrimos que suas esposas também acham que ganham "respeito" no trânsito.
Era só o que faltava, o país que tem a Amazônia, e poderá ter uma grande luta futura para mantê-la em suas mãos, também se tornar um berço esplêndido para a indústria que coloca esses tanques nas ruas. E isso tudo em perímetro urbano, não estamos falando do uso desses veículos nas áreas rurais.

Círio, Círio...
Ao ler os belíssimos posts da Andarilha sobre a viagem dela para Belém para levantar dados para o seu TCC do curso de Gastronomia, eu comecei a desconfiar. Em todos eles, ela no final estava em algum lugar bem localizado tomando uma cerveja gelada. Ontem a reencontrei e confirmei, é bem capaz de ela ter causado um desabastecimento da Cerpa na cidade. E a cerveja artesanal então, nem se fala, só em 2009. Ou seja, a Lei Seca vai prevalecer no Círio de Nazaré, em outubro, mesmo que involuntariamente. Como nessa ocasião eles já importam pato do Canadá para fazer o tradicional pato no tucupi (ela me garantiu que é verdade, eles importam nessa época) acho bom buscarem cerveja em outro lugar também.
Sacanagem à parte, ela tem histórias maravilhosas que o seu olhar atento captou em Belém e deve colocar aos poucos no blog, inclusive com fotos incríveis. Ela me trouxe uma lavanda daquelas que o povo prepara para atingir algumas graças. A minha chama "Pega não me larga". Assim que eu descobrir o que eu gostaria que me pegasse e não largasse, além de dinheiro e saúde, usarei.

Viva nós !!!!!!!!!!!!!!
Amanhã os quase gêmeos, ou geminianos, blogs Por uma Second Life Menos Ordinária e este O Quem completam um ano. Ambos, leoninos de nascimento, são companheiros de estrada apesar de estilos e formas diferentes. Mas assim são os amigos, não?
A idéia de criar os dois blogs nasceu de conversas jogadas fora em um sábado à tarde na Benedito Calixto. Ontem, sem lembrar disso, Redneck, Andarilha e eu estivemos lá e vivemos emoções muito fortes que, no final, resolvemos considerar positivas e ainda ganhamos uma santa protetora, a guerreira santa Simone que se continuar assim acabará na fogueira como Joana D´Arc. A história está muito bem contada pelo Redneck no seu blog.
É isso, Red, não sabemos até quando continuaremos (eu, pelo menos), mas valeu. Quem sabe mais um e vários outros anos juntos nessa blogosfera. Parabéns para o Por uma Second Life Menos Ordinária, que, como sempre, trata muito melhor desse tema que eu no seu rugido dominical.

Girassóis
Para comemorar, ganhei girassóis de um amigo muito especial. Tks, querido.

Como um furacão
Vamos com o mestre Neil Young que além de talentosíssimo sempre foi muito generoso em apoiar bons músicos das novas gerações. Ele escreveu Like a Hurricane em 1975 depois de uma noitada no carro de um amigo e vizinho. Esse é o vídeo do Rock in Rio 2001. Eu estava lá, com minha filha. Nos primeiros acordes da guitarra de Mr. Young deixamos o camarote e corremos para a pista. Foi de enlouquecer. Aliás, acho que já disse aqui mas repito, esse foi um dos melhores shows que já assisti. Para melhorar, fazia parte de um pacote que eu havia ganho com a viagem, hospedagem e um fim de semana de shows. O provedor de Internet que me convidou não sobreviveu por aqui, mas nós e Mr. Young sim. Yes.
"You are like a hurricane.....I want to love you but Im getting blown away."



Dose Dupla
Essa é uma versão mais intimista, no órgão e na gaita. Curtam.

julho 31, 2008

Acontecer

Patrick Moberg tinha apenas 21 anos quando viu uma garota no mesmo trem que ele e achou que tinha encontrado a mulher da sua vida. Foi apenas um olhar e ele teve certeza. Ainda tentou falar com ela mas a multidão do metrô de Nova York a levou para bem longe. Ele a perdeu em questão de minutos, o mesmo tempo que acreditou que tudo poderia dar certo.
O web design não teve dúvidas. Desenhou a mulher dos seus sonhos e montou um site na Internet, nygirlofmydreams , e, com a ajuda providencial de uma amiga dela que a reconheceu naqueles traços, a encontrou. Tudo isso em uma cidade com 8 milhões de habitantes. Não foi necessário muito tempo e ele recebeu a chamada que esperava. A australiana Camille Hayton se apresentou a Patrick.
Porque estou falando disso? Sonhos? Amor à primeira vista? Romance? Não, eu estou falando disso por atitudes. Eu não tenho a menor idéia se com palavras ele a teria por perto, mas sei que nesse caso valeu muito mais a determinação. E um pouco de sorte, ou iluminação, para definir melhor.
Minha vida está ligada a escrever e, cada vez mais, eu escrevo. E se antes era uma questão mais ligada ao meu trabalho com o tempo se tornou uma compulsão. Paradoxalmente, cada vez quero falar menos. Ou precisar falar menos. Esse talvez seja o motivo pelo qual tenho valorizado muito o fazer acontecer sem ter de dizer, de explicar, de se apresentar. E talvez seja o motivo pelo qual amei a história de Patrick.
Bom, hoje o mistério do desenrolar dessa história se desfaz e ficamos sabendo que o que poderia ter se tornado um símbolo do romance moderno não sobreviveu. Em entrevista ao jornal australiano Sunday Telegraph a jovem Camille, agora com 23 anos, disse que ela e Patrick saíram por um tempo mas que atualmente são apenas bons amigos. Tudo não passou de um sonho e ela parece decidida a deixar essa história no passado.
Não me importa muito o que aconteceu depois. Eu continuo achando que o mais importante, a decisão de agir, valeu por mil e uma histórias que se prolongaram muitas vezes baseadas em rituais convencionais e sufocantes. Também não me interessa se foram palavras que afastaram esses dois, tudo começou com a silenciosa necessidade de movimento para realizar um sonho. E isso não tem preço.

Amor reine sobre mim

Que tal Love Reign O´er Me com The Who?

julho 30, 2008

Cores de um hotel

Isso não tem a ver com nada. Foi só a atenção se deslocando. Hoje, ela está no Rio. Com toda força, amiga.



























Por conta disso, Roadhouse Blues, do álbum Morrison Hotel do The Doors.