dezembro 30, 2007

Somewhere over the rainbow

Não achei a versão ao vivo. Mas não faz mal, é só para escutar mesmo. A gracinha da Norah Jones, misturando a magia de Oz e o maravilhoso mundo. É lindo. Curtam e ótimo 2008.

Vamboralá, 2008 já está na porta

Na sua receita de ano novo, Drummond dizia que para você ter um Ano Novo que mereça esse nome você é que tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, porque é dentro da gente que o Ano Novo "cochila e espera desde sempre". Eu adoro isso, saber que é de mim que isso tem de brotar muito mais do que cumprir o ritual de passagem dos anos. Espero merecer 2008 à altura do que eu desejo dele.
Para celebrar com música, do meu jeito, fiz um slide show caseiríssimo, que não está perfeito, não está muito sincronizado com imagem e vídeo, mas acho que funciona. O site é novo, o acervo musical ainda é pequeno, mas vamboralá. Quem quiser ver, clique aqui. Espero que gostem.
Para todos os amigos, novos e antigos, para as pessoas que quero bem e fazem parte da minha vida, já sabem, espero que o novo ano seja novo em todas as coisas boas que pode trazer para vocês. Muitas felicidades.

E para encerrar o blog de 2007, e me despedir deste ano, vou de Fernando Pessoa, que, apesar de campeão de citações, sempre vale a pena. Beijos mil.

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."

dezembro 27, 2007

Clocks

Ressaca de Natal e ainda estou com muita saudade da minha infância. Nada melhor do que um desenhozinho japonês para isso. Como não achei nada legal com National Kid, vai o InuYasha, uma série de mangás. O InuYasha é um ser metade humano e metade youkai, que vive buscando uma jóia mágica para se transformar em algo inteiro. Essa montagem foi feita por alguém que gosta muito de mangás e que colocou essa música do Coldplay que eu adoro, Clocks. Para quem nem quer ver a animação, curta a música que já vale a pena. Bjs.

dezembro 22, 2007

Feliz Natal !!!!!

Agora que já tem música para todos os gostos, não posso deixar de colocar o jingle que ficou grudado com Natal na minha memória. A empresa já quebrou, já voltou, e eu sempre lembro dessa musiquinha. Bjs e feliz Natal para todos.

Jingle Bells, versão jazz

Essa é na voz deliciosa da Diana Krall, acompanhada da Clayton-Hamilton Jazz Orchestra.

Santa God / Jingle Bells, versão rock

Essas são as duas músicas que o PJ deu de presente agora no final do ano. O vídeo é uma babação em cima do Ed, não tinha outro. Mas vale a pena ouvir e o Jingle Bells na guitarra do Mike Mcready está delicioso.

Jingle Bells, versão punk

Essa é a visão bem black do Korn.

dezembro 20, 2007

Revolta


É mais ou menos como estou me sentindo hoje, sem explicação para isso. Me quebrando toda...Espero que venha algo bom e novo daí. Acredita, constrói que virá...A foto é do André Pipa que ele tirou na Praia Grande, em Sintra, Portugal. Eu gosto muito das fotos dele.

luisa mandou um beijo { anselmo }

Caros amigos,há duas semanas fui surpreendido ao encontrar mais um clipe de música da "Luisa mandou um beijo" feito por fãs. Dessa vez se trata de um vídeo para "Anselmo", produzido por Gueko Hiller e Sayd Mansur. É todo feito com colagens de filmes do cinema novo. Tá muito bacana! Esse foi o sexto clipe feito por fãs da Luisa. Nossas músicas estão licenciadas pelo Creative Commons para fins não comerciais. Ou seja: qualquer um pode fazer um clipe e não precisa pedir autorização diretamente pra gente. Basta dar o devido crédito à banda. Mas, se quiser, mostre pra gente, pois se nós gostarmos iremos divulgar o clipe por aí!

Abraços e feliz ano novo!
Fernando Paiva
-- guitarrista da "Luisa mandou um beijo"

dezembro 19, 2007

Ovelha Negra

Esse foi o melhor que eu achei para essa música. Mas eu gosto de lembrar do tempo que eu achava que só eu era ovelha negra...

dezembro 18, 2007

O que fizemos de errado agora?

Há alguns anos eu morro de medo do jornal do dia seguinte. A forma como se distorcem fatos e fotos em nome de um bem bolado conservadorismo me apavora. Já estou me acostumando, mas ainda tenho muita vontade de cancelar algumas assinaturas. Eu fico imaginando o que o Clóvis Rossi vai falar amanhã com essas duas notícias "apavorantes". E o Estadão, ai...
"O Brasil ganhou uma posição e agora ocupa o sexto lugar na economia mundial, segundo ranking do Banco Mundial, que divulgou nesta terça-feira os dados do PCI (Programa de Comparação Internacional), que analisa as economias de 146 países."

"O primeiro dia do leilão de freqüências de terceira geração de telefonia móvel foi um sucesso para a Anatel que vendeu cinco lotes e arrecadou R$ 2,44 bilhões. Desse total, R$ 1,48 bilhão são referentes ao ágio pago pelas operadoras celulares.. O leilão continua amanhã."

Estou falando de jornalismo, não de política, que eu evito ao máximo aqui. Mas, vamos lá, que nosso presidente não é só barbudo, mas muito rabudo, isso lá ele é. Mas que medo, não quero nem ver os jornais. Acho que a fúria aumenta quando há notícias boas. No geral, a total incapacidade de reconhecer o que é positivo acaba banalizando quando se fala do que é realmente negativo.

dezembro 17, 2007

Neil Young - Heart of Gold

Isso me lembra porque a música faz parte da minha vida. Alguém disse isso...

Para não dizer que não falei Feliz Natal...

Amigos, estou só reclamando do Natal. Mas passado o período de compras, de amigos secretos e o escambau, a véspera de Natal é uma delícia. Porisso, até me esforcei muito para montar uma coreografia e preparei uma performance para desejar tudo de bom para vocês. Para ver, clique aqui. Mas eu ainda volto, isso não é uma despedida, ok? Bjs

A multiplicação dos santas


Fenômeno descoberto neste final de semana em Hamburgo e no Porto. Os bons velhinhos se multiplicam e ainda fazem encontros e passeatas. Que medo!!!

dezembro 16, 2007

Eles, The Beatles...

Para começar a última semana de trabalho do ano, uma semana de Twist and Shout.

dezembro 14, 2007

Feliz aniversário

Hoje é aniversário da minha filha, uma pessoa muito especial na minha vida e de todos à sua volta. Ela encanta, com seu coração de ouro, sua sensibilidade, sua meiguice, sua dedicação, seu esforço...enfim, pode parecer muita corujice, mas quem a conhece sabe do que estou falando (toda mãe diz isso, eu sei). Eu costumo dizer que foi um presente de Deus que já veio pronto, com conteúdo maravilhoso e muito bem embalado. Nada melhor para celebrar do que um poema que foi feito para ela no seu nascimento.
Luna
bruma
branca
brinca
nas
nuvens

Manha
manhê
mansa
mistura
da gente

Marinho de Andrade

dezembro 12, 2007

Cem anos é uma bobagem?

Ele faz 100 anos no sábado, todo mundo já sabe, mas pelas suas declarações isso é uma grande bobagem. Pode ser mesmo só um número redondo, mas que número. Como não admirar um cara que manteve a lucidez e a mesma trajetória por tanto tempo, apesar de todas as avassaladoras mudanças à sua volta. O comunismo, na forma que Oscar Niemeyer defendia, se foi, embalado em caixas de McDonalds. Mas ele continua comunista, na sua essência mais pura. Também viveu para ver que o capitalismo que ele tanto combateu não se segurou como vencedor e hoje não são poucas as sociedades que, desesperadas, buscam governanças em todos os níveis hierárquicos e sociais. Querem funcionar como cooperativas mas, infelizmente, ainda mantendo o status quo da pirâmide. Mas ele passou por tudo isso com a mesma certeza no seu caminhar. E como não entender alguém que se recusa a sair do seu escritório para receber uma medalha de Ordem do Mérito Cultural e obriga o presidente Lula a ir até ele para entregá-la. O embaixador francês também teve de ir ao seu escritório para lhe entregar outra medalha, pelo seu aniversário e pelo conjunto da obra. França, um país tão querido para ele. E o que podemos dizer de alguém que fez suas melhores obras a partir dos 80 anos? Ou o mundo passou a entendê-lo melhor a partir daí. E continua produzindo, pensando, vivendo bem e feliz com o seu trabalho e ao lado de sua família. Dos amigos, diz ele, já começou a se despedir aos 70 anos. E continua sem dar importância para as "babaquices". "O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela". Passou e ainda passa. Parabéns.

Quanta força estranha!

Estou pensando na conexão do mal que pode ter se formado com o Cartel de Cáli, os governantes militares na Argentina, e a Copa do Mundo nas mãos de nuestros hermanos, para raiva geral da nação. Ou seja, tudo encapetado. Mas se o filho de Gilberto Rodríguez Orejuela e sobrinho de Miguel Rodríguez Orejuela, desertores do Cartel de Cali, estiver mesmo falando a verdade, o narcotráfico contribuiu com dinheiro para subornar o Peru no jogo com a Argentina na Copa de 78, que garantiu aos arrrrentinos a ida para a final e a desclassificação do Brasil. Foi uma goleada histórica, de seis a zero, que todo mundo desconfiou. O tal Gilberto diz que foi isso mesmo, só que a grana veio do tráfico. Ezequiel Fernández Moores pesquisa o tema há anos e diz que já tinha vários indícios. Não entendi direito toda essa conjunção de forças malignas. O Ricardo, que tanto conhece a história da Colômbia, deve saber se isso faz sentido. De qualquer forma, foi uma cinzenta Copa, realizada na sangrenta Argentina comandada por pelo general Jorge Rafael Videla. O Brasil não estava em situação melhor e ganhar aquela copa também teria um uso político para os militares no poder. Mas é bom lembrar o que uma Copa pode significar, não? Bom, chega, porque já fiquei muito no tema argentinos nos últimos tempos. Ainda acabo casando com um.

Por pura gentileza do Sig Mundi, blog que eu adoro e sempre visito, ganhei um selo do Blog de Elite. Fiquei muito feliz com a homenagem, uma brincadeira que eles contam lá que começou no Puts Grilo. Ainda não sei se o termo de elite casa com a blogosfera, mas como me dá o direito de indicar mais cinco, a elite vai ganhando escala, acho que esse é o espírito. Vários dos que eu gostaria de indicar já ganharam, mas há outros. Nem todos vão dessa vez, virão outras.
Quase Pouco de Quase Tudo -- Neil Son tem muita história boa.
Dom Caixote -- Um espaço democrático e alegre.
Brincando de Chef -- Tenho fome quando passo por lá.
Megafone Alado -- Pelo agitado Data Vênia.
Loucuras de Cristina -- Pela tão jovem Crica e sua paixão por crônicas.
Pena que não há o selo Leitores de Elite para os que não têm blog. O Pedro, a Mara, o KK e, claro, o RM, bem que merecem um. E a Luciana, porque quero que ela continue por aqui mesmo depois de fechar o barraco e ir embora dessa vila.

dezembro 11, 2007

Muito som, suor, cerveja.. e cola

Ei, ei, ei...estou de volta. E quem não esteve no Maracanã para conferir o The Police, ao vivo, já deve ter visto pela TV ou, se o assunto interessa, ter lido nos jornais. Então, tudo que poderia falar sobre o show, já era. Impecável, sem dúvida. Adorei, se bem que impecável não é uma palavra que se aplica ao meu gosto por shows. Gosto dos improvisos, gosto de uma banda sentindo o público e não querendo mais ir embora, gosto da interação. Mas o The Police fez um ótimo show, foram ao máximo que três pessoas que não se dão muito bem podem ir. No limite de suas forças e, em alguns momentos, impulsionados pelas 70 mil pessoas que lá estavam para e por eles. Emocionante e vibrante, sem dúvida. E o Paralamas? que merecida abertura o público teve. Noite maravilhosa e inesquecível, sem dúvida.
Eu fiquei na área das cadeiras laterais mas, ao contrário de shows no Morumbi, ela é perfeita para você assistir, dançar, vibrar, sem sentir que está tão distante. Pulei e dancei como louca. Aliás, aí entra a cola. Meio que movida pelos copos de cerveja, resolvi comprar um binóculo de um vendedor dentro do estádio. Sete reais. Comprei. Ele não serviu para muita coisa, uma moça perto de mim viu a sua recém adquirida ferramenta esfacelar na sua frente antes mesmo de começar o show. O meu até que durou. O problema era o cheiro de cola. Ele tinha acabado de sair da "fábrica" e exalava cola por todos os lados. Não vou dizer que foi isso que me deixou mais doida, mas eu não parei um minuto apesar das poucas horas dormidas depois de uma sexta prolongada na Cobal do Humaitá. Que cheirei cola, ai cheirei. E, sem mais utilidade, o binóculo virou um adereço na minha mão e rodava, rodava...Estava com um amigo norueguês que mais tarde tentou refletir sobre o espírito do brasileiro, dizendo que nós desperdiçamos nosso tempo e dinheiro. Ai, eles nunca vão nos entender. Fazer um binóculo rodar no meio de Roxane, não tem preço.
A chegada ao Maracanã foi tranquilésima, tudo na mais perfeita ordem. Já a saída...resolvemos pegar um táxi, coisa de luxo naquela altura do campeonato. Por fim, convenci um motorista que não fazia sentido ele seguir com apenas um passageiro, para bem perto, se podia levar mais três para a Zona Sul. Acordo feito e tudo transcorreria sem problemas se uma moto não tivesse batido no carro. Bom, nem vale a pena contar tudo que aconteceu depois, mas conseguimos chegar sãos e salvos. Mais aí que você descobre algumas diferenças de mundos. Já na madrugada, quando pegamos um táxi para voltar para casa, perguntei ao motorista porque a oferta era pequena na porta do estádio. "Sei lá, tem muita gente bêbada, melhor não ir". Esse é o espírito do Rio de Janeiro, que continua lindo. Fotos? Até poderia ter se não tivessem ocorridos alguns problemas com o poderoso celular de uma amiga, que tudo gravou e fotografou. Mas, nem vale a pena contar como tudo isso se perdeu.
Resumindo, valeu muito a pena. E sem a urucubaca dos metereologistas, que diziam que o show seria feito debaixo de chuva. Eles só não acertaram que seria chuva de suor. Não havia uma cabeça girando, girando, que não espalhasse gotículas por todos os lados. Para finalizar, quero comentar com a leitoras que não é só o Rio que continua lindo, mas o Sting, hem, que inteiraço. That´s all, qualquer outro detalhe sórdido será completamente omitido aqui.

dezembro 06, 2007

Alive

Nada melhor para ilustrar o post abaixo. Esse show foi na Itália e tem até um tombo do Eddie.

Catarse que te quero catarse

Catarse é a purificação das almas por meio da descarga emocional provocada por um drama. Dito isso, vou contar que passei o dia pensando na entrevista que eu li da Jeannette Walls no Estadão. Ela está divulgando seu livro, Castelo de Vidro, que ainda não li e ainda não sei se lerei. Jeannette é uma jornalista de sucesso nos Estados Unidos que, de repente, expôs suas vísceras e chocou coleguinhas e assessores da vida. Ela fala de sua infância caótica, criada por um pai alcoólatra e violento e uma mãe alienada e maluca que se esquece até de dar comida a seus filhos. Sua primeira lembrança é quando aos três anos de idade, tentando esquentar uma salsicha para matar sua fome, colocou fogo no trailer onde vivia com a família e foi parar no hospital Depois de dois dias hospitalizada, seu pai chegou bêbado e a tirou dali escondido para não pagar a conta do hospital. No carro, sua mãe e irmãos já aguardavam pela fuga. Daí para frente, só desgraças pelo que entendi. Mas, segundo a matéria, a jornalista não mostra ressentimento, apenas teve vontade de contar sua história. Brad Pitt vai produzir o filme.
Eu admiro essa coragem e ao mesmo tempo tenho medo. E não sei dizer o motivo, talvez de imaginar a que nível as revelações podem chegar. A literatura está recheada de bons e maus livros autobiográficos e o cinema idem. Parabéns para aqueles que conseguem ainda tornar palatável para o leitor experiências trágicas de suas vidas ou o lado mais profundo de suas almas. Eu gostaria de ter esse talento e coragem.
Agora entro em um outro ponto que tem a ver com a foto que postei aqui que diz respeito a quando essa catarse é feita por meio da música. Ela parece que atinge mais direto. Fico pensando naquelas milhares de canções de amores desfeitos que nós escutamos, cantamos juntos e, sem querer, participamos de uma história de amor que não é nossa. Nós nos apoderamos e a transferimos para nossas vidas. Mas ela foi criada por alguém, dirigida para algúem, e toda vez que essa pessoa canta essa música sabe exatamente de quem está falando. Para o bem ou para o mal.
Acho que a própria essência da música é catártica. E os exemplos são inúmeros. Mas lembro de alguns que me tocaram -- devo estar esquecendo outros importantes -- como Tears in Heaven, do Eric Clapton, sobre a dor da perda de um filho. Linda e melancólica. Tem dois exemplos, do mesmo artista, que eu sempre me lembro quando se fala de processo catártico público. Alive é a música composta por Eddie Vedder que conta como ele soube, aos 13 anos de idade, que não era filho de quem ele pensava ser mas sim de outro que havia morrido pouco antes. Não se trata de uma situação inédita, mas foram poucos os que conseguiram fazer com que milhares de pessoas no mundo inteiro sofressem e cantassem isso com eles. Eddie foi um deles. Cada vez que vejo um estádio lotado cantando o refrão"I´m still alive" me arrepio. Pessoalmente vi uma vez só, mas em vídeo outras tantas.
A outra música, também dele, é Betterman, que foi composta para o então padrasto que ele odiava. A composição se refere ao sofrimento de uma mulher, no caso sua mãe, que sempre espera pelo seu homem até tarde da noite. Ele concluí que ela só estava lá porque não conseguia achar um homem melhor. Esse "homem melhor" ecoou pelos quatro cantos do mundo. A situação é trivial, milhões de mulheres passaram pelo mesmo, mas ele transformou isso em uma música belíssima que já virou um karaokê, são poucos os que não cantam juntos quando ela é tocada. E que esse padrasto que passe longe se não quiser escutar o barulho. E foi muito emocionante assistir no Morumbi o Bono cantando Sometimes You Can´t Make it On Your Own, sobre a dor da perda de seu teimoso pai. Uma coisa bem irlandesa, mas muito linda.
Mas há processos semelhantes para público menor. Mas, pelo menos para mim, muito, mas muito mais emocionantes. Eu me lembro da minha filha, segurando suas lágrimas, levantando a cabeça, e subindo ao palco para ler o discurso de homenagem aos pais na sua formatura. Com o coração partido pela saudade do pai, ela conseguiu emocionar o auditório que vibrou no final, com aplausos e abraços. Jogou sua dor para o alto e seguiu em frente. Se tivesse composto uma música, seria linda e maravilhosa, como ela.
Eu não queria que esse fosse um post triste ou dolorido. Eu só queria falar que o caminho para purificar sua alma por meio de descarga emocional nem sempre é o mais fácil, mas pode ser muito bonito se houver coragem de atravessá-lo.

dezembro 05, 2007

Para acabar com as provocações, um olhar felino para você, RM.

O imposto sobre a beleza

Gente, tudo é possível nesse mundo, inclusive achar um argentino com baixa auto-estima. E essa foi contribuição da Andarilha. Pois o escritor argentino Gonzalo Otálora está defendendo a cobrança de impostos das pessoas consideradas lindas para compensar o "sofrimento" daqueles que supostamente foram menos favorecidos pela natureza. De megafone em punho ele foi para a frente da Casa Rosada defender o direito dos feios serem feios e, se possível, lucrarem com isso. Até sugeriu ao Nestor Kirschner, quem ele considera do time que vai receber e não pagar, que adote uma lei nesse sentido. Ele tem um livro que se chama O Feio -- aí, o cara deve ser muuuito feio -- onde conta todos os problemas que enfrentou desde a infância por não ter atributos interessantes. E deve ter sofrido mesmo, porque criança é cruel. Eu imagino que ele está fazendo tudo isso para discutir uma coisa mais ampla, que é o culto à beleza na Argentina. Eu estive lá recentemente e a coisa é mesmo meio desproporcional. Se bem que esse culto é universal, não? Mas a idéia é, no mínimo, polêmica. Eu fico pensando se ela passa, o rolo que não daria de todos os lados. Qual o critério sobre quem paga e quem não paga? E se alguém acha que deve pagar -- nesse caso, deve até ter isso -- e não é tributado? Se mata? E não adianta convocar Vinícius para dizer que os feios que perdoem, mas beleza é fundamental. Fundamental e cada vez mais cara, não bastam todos os investimentos na manutenção, ainda tem de arcar com um custo maior. E se naquele mês você está duro -- como eu, em pleno dezembro -- é melhor ficar bem relaxada, não fazer unhas, cabelo, deixar os cremes de lado, tudo para escapar do imposto. Caro Gonzálo, o senhor arranjou uma briga bem boa para discutir isso, não? Infelizmente, as pessoas não abrem mão de valorizar a beleza como uma qualidade de caráter e de talento. Mas tudo bem, ainda bem que não moro em Buenos Aires como sonhei um dia, será que estrangeiro também tem de pagar?

dezembro 03, 2007

Regina Spektor - Better

Neil, essa é para você.

Quando começa o resto de nossas vidas?

Eu tive um companheiro que me dizia que ele se preparava para viver muito e eu, ao contrário, contava que viveria pouco. Se desse uma zebra para nós dois, ele teria desperdiçado sua juventude preocupado com o futuro e eu estaria ferrada com a longevidade. Isso foi há alguns anos. We still alive. Hoje eu me lembrei disso quando vi a estatística do IBGE de que a vida do brasileiro subiu para 72,3 anos. Eu ainda acho pouco tempo, mas é bom lembrar que é a média da população. Mas em 1960, gente, essa expectativa era de 56,4 anos. Que isso? Eu lembro quando minha mãe falava de alguém com 40 anos e eu imaginava um velhinho. "Morreu tão cedo, aos 42, coitado". ?E eu pensando, já não estava na hora? Agora, o ponto de vista já é outro.
Não sei se mudou porque eu fiquei mais velha ou se as pessoas também continuaram criando, produzindo, por muito mais tempo. Na música, por exemplo, gosto muito de algumas bandas novas, mas à frente das minhas preferidas estão músicos com mais de 40 anos, às vezes até 50. Veja Mick Jagger, Bono, Eddie Vedder. E o Pete Townshend? E com novos e maravilhosos CDs, não é só viver do que já foi. Não é preciso nem ir muito longe, só olhar o whisky Chico Buarque. Envelhecendo em barris de carvalho. Na literatura, estão por todos os lados, no cinema podem até ter perdido os papéis de galã, mas quando aparecem, deus, meus sais. Como Jeremy Irons, um dos meus maduros mais preferidos. Sem contar o Martin Donovan. Até o Oscar de La Renta disse hoje que não vai deixar de fazer moda aos 75 anos. E faz bem. E ainda não relacionei as mulheres, mas elas terão um post especial. Bom, tudo isso para dizer que ainda há muito a ser feito no segundo turno. E, como diz a praga do ex, eu continuo muito desencanada e já devia estar pensando nisso.
Mas, voltando ao IBGE, outra coisa me chama a atenção, a pesquisa mostra que a esperança de vida ao nascer dos homens é de 68,5 anos, contra 76,1 anos das mulheres. Preciso dizer mais alguma coisa? Se a reclamação geral das mulheres é a de que não existem homens interessantes disponíveis, preparem-se amigas, a coisa só vai piorar. Ainda por cima, eles vão morrer mais cedo.

dezembro 01, 2007

Homens falando...

Eu tinha visto uma dica no Yahoo de um site que tinha nomeado as 10 melhores vistas em todo o mundo. Imaginei que seriam fotos e fui lá dar uma olhada. O nome do site já me chamou a atenção, askmen. Não encontrei as fotos que queria e muito menos a lista que falaram. Mas achei muita coisa engraçada, um mundo tão masculino, com listas de tudo e muitas dicas para os homens que estão por aí, vivendo relacionamentos. Uma delas dizia respeito aos cinco tipos de mulher que devem ser evitados. No primeiro caso, consideram que todo homem gosta de uma mulher articulada, que tem opiniões inteligentes e impressionam seus amigos. Mas isso tem limite, alertam, e esse tipo, a smart-ass, vai além da conta na defesa de suas opiniões e já bate os primeiros tambores de guerra logo que é contrariada. Você, homem, sairá perdendo e terá sua fraqueza intelectual exposta. No fim, é isso. O outro tipo é aquela mulher que emite alguns sinais de que pode gostar mais de sua carteira do que de você. Deve dar medo mesmo, caros.Em seguida, tem a Ms Right, aquela que não dá nunca o braço a torcer e tem razão absolutamente sobre tudo e ai de você se ousar suspirar o contrário. Uummm..A situação piora com a Psycho, aquela que liga 10 vezes por dia e vai deixar claro que ela existe esteja você em casa ou no trabalho. Por último tem a Rebound -- eles consideram que vale também para homens -- que é a mulher que está se recuperando de um relacionamento e você não passa de um conforto temporário. Você chegou mais cedo na vida dessa mulher do que ela estava pronta para recebê-lo.
O site tem de tudo, dicas de moda, top ten lists sobre um monte de coisas e até o recém resultado da eleição dos 49 homens de 2007, onde o número um foi o David Beckham. Sem o meu voto, não o colocaria entre os primeiros never. Tem até um artigo sobre os mitos e verdades do efeito da marijuana e ainda o verdadeiro e o falso, sobre silicone. E os autores do site garantem que ele recebe cinco milhões de visitantes por mês. Não sei se é a melhor forma de tentar entender a cabeça dos homens, mas pelo menos é curioso.

A luz do Natal e o trânsito

Eu não sei mais o que sentir em relação ao Natal. Eu fico achando que já tive todas as emoções possíveis, mas sempre me surpreendo. Uma coisa é a véspera, a entrega de presentes, a família junta, tudo muito bom, tudo muito bem. Mas e até lá? Como andar pela avenida Paulista, por exemplo, quando as pessoas levam seus familiares e amigos para verem, de dentro do carro, os enfeites dos prédios, principalmente dos bancos? Não, eles não descem, eles vêem tudo e comentam tudo dentro do carro. E o carro, claro, quase parando. É bom lembrar que, para ajudar, a Paulista também virou um canteiro de obras. Ainda não passei pelo Ibirapuera e não sei se já teve início o show das águas e as visitas à árvore na frente do parque. Acho muito legal, as famílias se divertem. Mas, uma vez mais, o que me irrita é quando tudo isso é curtido de dentro do carro. E o carro parando, parando...
Bom, uma reclamação básica de um sábado intransitável. E sábado, vamos e venhamos, já é um dia de muito amador nas ruas, nos bares, nos restaurantes. No final do ano só piora. A foto é da árvore da Lagoa, no Rio. Está linda, mas não deve estar também muito fácil andar por lá. Acho que vou evitar esse trecho no próximo fim de semana quando estarei lá para o show do The Police.

novembro 28, 2007

MAMIE DANCE

Recebi esse vídeo, é demais. Me identifiquei tanto. Essa sou eu amanhã. Amanhã?

novembro 26, 2007

Old Habits Die Hard

Nada como o sempre bom Mick Jagger, dessa vez em parceria com o Dave Stewart (Eurythmcs) para a trilha sonora do Alfie. Na refilmagem, para quem não sabe, o Alfie é interpretado por Jude Law. Muita coisa junto.

O metrô de Londres não é mais o mesmo

Para quem andou de metrô em Londres é inesquecível a voz daquela mulher que nos alerta para o 'mind the gap". Da primeira vez que ouvi, há muitos anos, fiquei em dúvida sobre o que ela estaria repetindo. Mind the gap, mind the gap. Depois, fiquei tão amiga daquela frase e daquela voz que já esperava por ela. Bom, ela se foi.
Emma Clarke, a locutora oficial do sistema de metrô de Londres há anos, foi demitida. E tudo por ter gravado anúncios de brincadeira, usando o mesmo tom de voz para dizer coisas como "gostaríamos de lembrar nossos amigos turistas norte-americanos que vocês certamente estão falando alto demais". Entre outras coisas, também brinca com um fictício passageiro que estaria fingindo ler jornal quando na verdade estava olhando os seios de outra passageira. Tudo plausível.
Mas o que pegou mesmo a direção do metrô foi quando nessas brincadeiras ela fez críticas ao próprio metrô. Também continou na linha das brincadeiras/verdade, mas foi o suficiente para ganhar o cartão vermelho.
Para nós, brasileiros, é como não escutar mais nos aeroportos a voz da Íris Lettieri, apresentadora global dos anos 70 e 80. "Atenção passageiros com destino a Ba..ra..sí..lia, portão 9". Ela foi pioneira nisso de emprestar a voz para esse tipo de locução e reina nos aeroportos de Congonhas, Cumbica, Galeão e Santos Dumont.
Enfim, olha só como criamos identificações para nos sentirmos mais em casa nesse mundo.

Sempre vale a máxima de que uma foto fala por mil palavras, não? Essa é da Reuters e foi tirada de um protesto de rua em Kuala Lumpur. That´s all.

Losing My Religion

Um pouco de R.E.M para começar a semana. Try, cry, why? That´s just a dream.

novembro 22, 2007

O dia que apresentaram o roto ao esfarrapado

Antes de escrever esse post, é bom deixar claro que eu gosto muito do U2 e sou apaixonada pelo Larry Mullen Jr. Bom, dito isso, vou começar de novo. O post.
Eu ainda estou chocada com as denúncias de que crianças indianas com menos de 10 anos de idade estavam trabalhando para fazer as roupas da GAP. Eu não acompanhei mais esses dias, mas a última coisa que eu vi foi o comunicado da GAP, se defendendo com o argumento de que ela não era responsável pela terceirização, ou algo assim. Bom, até um recém chegado ET sabe que quando você olha seus custos e percebe ganhos extraordinários com mão de obra local dá para imaginar que o bicho está pegando em algum lugar. Eu não sei o efeito disso sobre a imagem dela, não sei, por exemplo, os números de vendas de tênis Nike depois que se descobriu quem os produzia na Tailândia, ou perto.
Mas além dos indianinhos eu penso também no Bono. Ele fechou um acordo com algumas empresas, Apple, Motorola, se não me engano, e outras, para que cada uma tivesse uma linha específica de produtos com a marca RED. Um percentual x da venda desses produtos RED vai para a campanha que o Bono leva para os quatro cantos contra a pobreza na África.
Como a África está na moda, foi feito um puto marketing em cima disso, o Bono foi para rádio, TV, falou sem parar. E uma das parceiras desse projeto era justamente a GAP que, agora, está no banco dos réus por explorar crianças indianas.
O Bono é o que menos tem culpa nisso, mas podia ter passado sem essa, não? Eu acho que tem um mérito manter a África no foco, que bom que ela entrou na moda. E se celebridades precisaram se engajar para ajudar isso, parabéns para as que levaram a sério. Mas é bom que a gente não se esqueça que a pobreza também não escapa da globalização.
E, por favor, não vamos falar mal do Bono por isso, eu acho que ele pode até estar ficando meio chato, messiânico, mas podia estar no Hawaii curtindo férias e não pulando de canto em canto para defender alguma coisa. E nem que é marketing, por favor, tragam meus sais, porque eles não precisam disso. (Leram lá em cima a observação?)

novembro 21, 2007

Wild side

Nada como o Lou Reed para dizer que estamos de volta

novembro 13, 2007

Porquenotecallas.com

Enquanto investidores espanhóis com negócios na América Latina ainda estavam apreensivos sobre o que podia representar o incidente diplomático entre o rei Juan Carlos I e o presidente venezuelano Hugo Chavez, durante conferência ibero-americana no Chile, a web foi mais rápida. A frase dita pelo rei ao presidente venezuelano no momento que ele espinafrava o ex-presidente da Espanha, José Maria Aznar, já ganhou um domínio, porquenotecallas.com. O site cogiendocaracoles.com abriu concurso para a melhor piada sobre o episódio, valendo vários prêmios entre os quais um DVD "El Crimen de Cuenca", de Pilar Miró. Já o site da Red está oferecendo a frase como ringtone para os telefones móveis. O assunto virou um febre também nos blogs espanhóis. Enfim, parece que tudo acaba em uma boa paella e jamon.

Imagine - John Lennon

Essa é para uma pessoa muito querida de quem tenho saudades. Aprecie a sua música, esteja onde estiver,coração.

novembro 10, 2007

Diamonds on the inside

Um pouco de Ben Harper nesse sábadão

A insegurança está no ar

Não sou aquela pessoa que tem horror a voar sob o argumento de que nós, humanos, não fomos feitos para isso. Eu não sou peixe, e adoro nadar e mergulhar. Sempre associei entrar em um avião a novos lugares, novas experiências, portanto considero uma das melhores invenções do homem. Só que de tanto cair avião nessa cidade a situação começa a mudar. Voltava quinta-feira do Rio de Janeiro, num vôo da Varig que, pasmem, saiu no horário. Estava tudo muito bom, tudo muito bem, até que ao chegar a São Paulo a aeronave não recebia ordem para aterrisar. Ficamos sobrevoando a cidade por um bom tempo e a única informação do piloto era de que o problema estava no tráfego aéreo. Não era bem verdade, caía uma chuva super poderosa sobre a cidade o que deve ter levado Congonhas a suspender as aterrisagens por um tempo. Ao descer, o avião entrou por uma rota diferente, passando pelos prédios da Conceição e vc podia ver as ruas alagadas lá. Fiquei apavorada, claro. Primeiro porque você, de cara, se imagina nas mãos de manés por todos os lados. "Será que o piloto está controlando o nível da gasolina?" "Será que estamos chegando pelo lado certo?" "Será que a comunicação com a base está correta" "Será que a pista está segura?" Se alguém me contasse esses pensamentos em uma aterrisagem, tempos atrás, eu diria que se tratava de uma pessoa paranóica. Mas, agora, acho normal, o que já é uma anormalidade e tanto. Não sabemos mais em quem confiar, e isso é o fim, não?

novembro 05, 2007

Parting Ways

Para uma segunda melancólica uma finalização para cortar os pulsos.

Fargo, uma comédia de erros. De novo.

Em inglês, o filme de Joen Coen, se chama apenas Fargo. Mas aqui o filme se chamou Fargo, uma comédia de erros. Mas pelo que aconteceu no final de semana na cidade, que fica em Dakota do Norte, o nome não podia ser mais apropriado. Como um delegado de polícia emite convites para uma super festa pré-show de Ozzy Osbourne que aconteceria no ginásio local a fim de capturar 500 bandidos procurados? E com o argumento imbatível de que o roqueiro/ator de reality show/roqueiro seria um dos convidados? Pelo menos 30 deles caíram na armadilha. Ou seja, eram procurados mas não podiam perder a boca livre? E Ozzy ficou puto da vida com o uso indevido de seu nome. E ainda chamou o delegado de preguiçoso. Uma vez me contaram de uma armadilha preparada por uma operadora de cabo norte-americana para pegar os piratas. Ela começou a migrar o sinal de sua base de assinantes para outro tipo de criptografia, sei lá o que exatamente, mas não fez alarde com isso. No final, com a base já no novo sistema, manteve o antigo sinal e colocou uma propaganda dizendo que os que ligassem ganhariam x prêmios. Foi como abelha em volta do copo de suco. Todos que ligaram deram seus endereços para receberem os prêmios mas o que ganharam foram os processos por piratarias e ainda perderam a TV a cabo. Afinal, só restavam os piratas. Fácil, não? A criatividade, ou a preguiça, ganha escala do outro lado também.

Mi casa, su casa

Fiz praticamente duas viagens para Buenos Aires em uma semana. Na verdade, na primeira etapa fui para Puerto Madero e lá fiquei. No Faena, um luxo de hotel mesmo. Me deram a suíte das panelas, ou seja, o meu quarto tinha forno, fogão, panelas lindíssimas e freezer. A explicação era de que o apartamento era para longas temporadas, o que não era o meu caso. Depois de curtir um cinco estrelas caríssimo, me mudei para outra casa. Uma casa mesmo, um bed & breakfast, a Posada Palermo. A foto é da casa da Vivian, uma arquiteta super simpática e carinhosa. O café é servido na sala dela, uma graça de lugar, bem transado, bem decorado e aconchegante. O café é bem servido, até com direito a huevos revueltos -- só coloquei essa observação porque adoro isso, revueltos, não é demais? O Alejandro, que trabalha lá, é uma história à parte, uma pessoa maravilhosa, carinhoso, sacado, com boas dicas, sempre disposto a te ajudar no que precisar. Sabe aquela pessoa que vc tem certeza que seria seu amigo sempre? É ele. Passei meu aniversário lá e, para minha surpresa, eles trouxeram um bolo no café da manhã, com direito a parabéns e tudo. Não tem preço, é demais. No domingo, o plantão é do Mariano, um rapaz que é um sonhador e pensa em fazer faculdade de Economia para ajudar o país. O B&B fica no coração do Palermo, onde passei a segunda etapa da minha viagem. Os Palermos, seja Soho ou Hollywood, continuam lindos e interessantes. Voltei ao Olsen, um restaurante escandinavo com drinques maravilhosos feitos com vodca e caviar no cardápio. É só evitar a hostess que exerce, com todo vigor, os podres poderes. O Bar Uriarte é muito bom e o cervo, sim, é uma delícia. Ganhei uma torta de chocolate com o segundo parabéns, encomendando pelos queridíssimos Jô e Luiz. Os argentinos estão lindos como sempre. Já as argentinas, continuam bronzeadéssimas e anoréxicas. E os taxistas são os ranzinzas de sempre, também pelo preço dos táxis, até eu. Os Malbecs, Shyras e Cabernet são bons de serem apreciados. Os preços em Buenos Aires permanecem convidativos, mas o maior erro é pensar "no Brasil isso seria muito mais caro" e sair comprando tudo. Sem dúvida, aqui tudo está mais caro. Mas lembre-se que barato, ou não, a velha aritmética, ou seja a soma, também vale na Argentina. E é aí que vc cai em desgraça. Cheguei a ter depressão com o movimento de abrir a bolsa, pegar a carteira e tirar o cartão de crédito. Tanto que comecei a pagar em efetivo, dinheiro vivo, só para não assinar mais nada. Mas essa festa não vai durar muito, eles são argentinos e, como tais, guerreiros e se recuperam rapidamente. A vingança virá logo e eles ainda voltam aqui para comprar nossas tiendas inteiras. Se bem que a maioria irá para as lojas de Florianópolis. Mas a cidade continua linda. E o país, agora, tem uma presidenta e argentino gosta de uma mulher no poder, vamos combinar, não? Pelo menos as idolatram depois que elas se vão e até escrevem livros e fazem filmes sobre as poderosas. Mas é um lugar que sempre é bom voltar.

outubro 27, 2007

Mandalá

Tudo que eu preciso hoje é da mandala azul. Para orientar, proteger e iluminar novos caminhos. Para mim e todos vocês.

Do The Killers para Buenos Aires

Estou doida para conhecer o Faena, o super mega blaster hotel que fica em Puerto Madeiro, Buenos Aires. Eu vou segunda, quase que direto do show do The Killers, na Arena Skol Anhembi, que é o encerramento do TIM Festival. O hotel foi idealizado pelo argentino Alan Faena e concebido pelo francês Philippe Starck, um designer super badalado. A foto é do El Mercado, onde é servido o café da manhã e também funciona como restaurante. Fico uns dias lá e me mudo para uma posada, isso mesmo, sem o u, no coração do Palermo. Perco as cinco super mega blaster estrelas do Faena, mas tenho certeza que será um lugar tão iluminado quanto. Aliás, é lá que vou comemorar meu niver, com alguns amigos mas longe de outros e de minha família querida. Mas às vezes a conjunção astral é favorecida com isso e espero que seja o caso para o meu ano novo. Então, sei que estarei com a energia positiva de todos. Conto tudo para vocês na volta.

Vem aí, Na Cama com Mainardi e Tiburi...

Estréia na próxima semana um novo talk show no canal TNG: Na cama com Mainardi e Tiburi. A cama do título é a forma de expressar a principal idéia do programa, uma espécie de discussão do relacionamento, mas não de um casal, especificamente, e sim a forma íntima como os problemas do mundo serão tratados. Os produtores garantem que serão debatidos todos e quaisquer assuntos para que, no final, a dupla-- Diogo Mainardi, ex-Manhattan Connection, e Márcia Tiburi, ex-Saia Justa -- possa restabelecer a verdade "absoluta". A julgar pelo perfil dos dois apresentadores, isso não será muito difícil.
Ambos passaram por grandes crises depois que perderam projeção e os espaços que possuíam no canal concorrente. Mainardi, que já era considerado o primeiro homem a exibir todos os sintomas da TPM, teve uma depressão de vários meses que se iniciou logo após o ex-presidente Lula transmitir o cargo para o sucessor. Já era esperado que, sem Lula, ele perderia o seu melhor emprego, o de "bater" no presidente a todo custo, com ou sem razão. Mas o que se descobriu foi que o dano tinha sido bem maior, ele não tinha mais prazer pela vida, não tinha mais assunto. Ele foi encontrado várias vezes em bares do Rio de Janeiro balbuciando palavras sem sentido. Chegaram a dizer que ele também perdeu o bom senso mas mesmo os mais próximos consideram que isso vem de longa data. Os amigos tentaram de tudo para que ele se recuperasse mais rapidamente. Segundo alguns sites de fofocas, chegaram até a propor um encontro do jornalista com o ex-presidente. Seria uma espécie de catarse que poderia ajudá-lo a superar essa fase e a obsessão que o assunto havia se tornado para ele. No entanto, parece que assim que fizeram a proposta a Lula ele teve um ataque de risos sem precedentes e nem teve condições de responder.
Márcia, por sua vez, ainda tenta esquecer a sua demissão por justa causa do Saia Justa depois do surto que ela teve durante a gravação de um programa, quando começou a repetir freneticamente citações de filósofos, misturar conceitos e gritar com as companheiras, dizendo que ela era mega culta e todas não passavam de "idiotas superficiais". Mesmo a jornalista Mônica Waldvogel, a mais poupada nas críticas da filósofa, não tolerou o compartamento da ex-companheira de quadro. Maitê Proença procurou ficar "zen" mesmo quando Márcia tentou lhe arrancar os brincos gritando que ela não tinha o direito de "ser tão bonita e ainda fingir que pensava". O programa não foi ao ar mas os ataques de Tiburi figuraram por meses na lista dos vídeos mais assistidos no You Tube.
O primeiro "Na cama.." será dirigido por Jô Soares, fã da dupla e autor da idéia de reuní-los para o talk show. Essa é uma das estréias mais esperadas e na bolsa de apostas está ganhando a possibilidade de os dois se desentenderem antes mesmo do fim da primeira temporada. Caso eles continuem, esperemos que o "na cama" não tenha um sentido tão literal com o que eles podem tentar fazer com nossa cabeça. De novo.
PS 1: o casal se recusou a posar na cama para as fotos de divulgação.
PS 2 : a foto que estou postando aqui não tem nada a ver com a divulgação. Eu a escolhi apenas pelo fato de que rebatizaria o programa para "Na Esteira com Mainardi e Tiburi".

outubro 24, 2007

Vamos de metrô?

Moscou parece uma cidade em que seu passe do metrô vale cada centavo. As estações são lindas, verdadeiras obras de arte. Para quem quer apreciar, pegue um atalho aqui. A dica é da Andréa, a filha russa do Ricardo. Curtam.

Será que me estrepo de vez?


outubro 20, 2007

Isso sim é uma iguana

Uma amiga diz que atrás de todo homem lindo, hetero, inteligente e interessante que ela não conhece, mas gostaria de conhecer, sempre tem uma iguana. Elas mudam o formato, às vezes são loiras naturais ou tingidas, ruivas escandalosas ou morenas provocantes, mas nunca deixam de ser iguanas. Todas pertencem à família iguanidae e são os répteis mais criados em cativeiro. Se você é uma iguana, saiba que seu poder está na cauda, que chega a dois terços de cumprimento total do corpo. Ora, o que eu estou falando? É claro que toda iguana sabe que seu poder está na cauda. Ainda mais no Brasil.

Exposição da Mercedes Montero

É na próxima terça-feira, na pizzaria Cristal, e vale a pena. Trata-se da exposição Tissume da artista plástica e tecelã Mercedes Montero, de Pirinópolis, que está fazendo uns trabalhos maravilhosos. Eu tenho uma bolsa dela que comprei há vários anos e até hoje faz o maior sucesso. Mas ela não vai expor bolsas, mas os trabalhos que fez utilizando materiais diversos, como seda. A produtora Ana Xavier, que organizou a exposição, garante que está linda. Vale a pena, espero vcs lá. Para quem não sabe, a Cristal fica na Artur Ramos, 551, a partir das 20h30.


Cuecas ao vento

Eu tenho uma amiga super querida que acabou de se mudar para Barcelona. Está ótima, bem instalada em um apartamento aconchegante e muito paparicada por amigos que já viviam lá. Mas descobriu que há pedras no paraíso e a dela é um equatoriano extremamente grosso, feio e que adora pintar o cabelo preto como graúna. Enfim, um traste e nós já não gostamos dele. Ele mora no apartamento de cima e parece muito sensível a barulhos. Um dia desses ela deu um jantar para oito pessoas, sem música alta, não era balada, tinha até a presença de uma senhora. E terminou antes da meia noite. Mas o equatoriano não se conteve e, incomodado, sapateou o tempo todo. Uma crise rápida de Joaquim Cortez mal resolvido, mal desenhado e sem talento. Minha amiga não gostou, mas decidiu ficar na sua. Esta semana, ele voltou para a vida dela de uma forma espalhafatosa e com uma exposição de intimidade a toda prova. Como o varal de todos os apartamentos fica fora de casa, ela achou uma cueca dele caída nas suas coisas. Uma cueca estampadinha, puída, ridícula. Como diz uma amiga nossa, uma cueca muito mal amada. Quer algo mais bizarro que você ter nas suas coisas algo tão íntimo de uma pessoa que você nem quer bem? Vingança: ela tirou uma foto e nos mandou, eu ia até publicar aqui, mas, amiga, achei feia demais. Minha amiga não sabia o que fazer: bater na porta dele e devolver aquela coisa? jogar no varal da vizinha de baixo? entregar para o achados e perdidos do prédio, se ele existisse? O que se faz com uma cueca ridícula de um dono idem que entrou na sua vida sem permissão e, pior, sem estar vinculada a qualquer prazer? Jogar ao vento, claro. Se o vizinho fosse um gato, tenho certeza que ela devolveria com uma garrafa de vinho e um convite para ele conhecer melhor a cozinha brasileira em um jantar na semana. Mas o senhor que veio de Quito não valia o esforço. Ela jogou a cueca pela janela e viu quando ela caiu no capô de um carro. Eu fico imaginando a cena, um catalão invocado chegando, vendo aquele treco no seu carro e, nervoso com o empréstimo que não conseguiu no banco está louco para brigar com alguém. Torço para que no andar de baixo more uma belga com uma filha, sem marido, o que levaria o cara direto para o andar de quem? do Mr. Malaman. A pessoa, além de ter sua peça íntima espalhada pela rede, ainda corre o risco de levar umas porradas de um cara que nunca viu na vida. Boa, amiga, cuecas ao vento. E que ele saiba, exatamente, com quem está lidando antes de te encher o saco de novo. E que vá comprar cuecas novas e de bom gosto.

outubro 19, 2007

Quando a França chegou na minha vida

Eu não tenho muito espaço no meu HD cerebral, então deleto tudo que tem mais de nove meses. De vez em quando baixam algumas coisas antigas que me dão susto. O Telecine Cult passou hoje A Sereia do Mississipi, do Truffaut. E as lembranças vieram, mesmo sem licença. Um sábado de sei lá quando, esse filme passou no cine Itamarati, na minha pequena cidade do interior. Não era muito típico da programação lá, mas passou. E eu fui. Mas esse filme me marcou por um motivo mais prosaico, eu tinha uns 13 anos e a censura era de 16 ou 18 anos, sei lá. Fui com meus primos mais velhos e consegui entrar. O porteiro conhecia meu pai, mãe, avô e se fez de cego, claro. Mas eu achei uma conquista e tanto. Nem me lembrava da história toda, mas nunca esqueci do meu orgulho e das imagens na telona. E da França. Foi o meu contato mais imediato com aquele país, aquela língua, a fascinante Catherine Deneuve, lindíssima. E o Belmondo, falando quase de biquinho com aquele bocão. E Truffaut, que ainda nem sabia direito quem era. Mas, se é verdade que nós somos formados pelos filmes que assistimos, descobri que, de uma maneira subliminar, a Sereia ficou tatuada em mim. Daí fiquei pensando, caramba, eu já estava com quase 14 anos e somente nessa época tudo aquilo entrou na minha vida. Minha filha já viajou um tanto que nem é mais uma coisa tão fora do comum. E já viu um número tão grande de filmes, conheceu culturas, diretores, atores, em tão pouco tempo. Mas para mim e meus primos só aquela noite já tinha sido uma aventura. Viva a vida e seu movimento, porque não estou aqui para reclamar, só para constatar. É claro que fico com aquele gostinho de que minha bala era mais doce, principalmente porque era desembrulhada aos poucos. Mas se elas já vêm sem a embalagem, que aproveitem melhor o gosto, pelo menos.

As pessoas estão pirando mesmo

Eu entendo protestos, eles têm função importante e ninguém está aqui negando isso. Mas assim, sem dizer a que veio, atacando espaços públicos, obras ou marcos importantes, não entendo não. Precisava fazer isso com a Fontana di Trevi? Eu lembro do ataque ao Monet, em Paris, há duas semanas. Mas aquilo foi puro vandalismo, coisa de bêbados mesmo. Esse eu não tenho nem idéia. E, aqui na nossa terrinha, a polícia continua mostrando a que veio, com tantos boletins de ocorrência já registrados e sem solução, faz questão de ir atrás justamente daquele bandido que roubou quem nem queixa deu.

outubro 18, 2007

Pão, pão, pão...

Descobri que hoje é dia mundial do pão. Nem sabia que isso existia. E não era para ter? Claro. Quer algo mais universal, mais alimentação, mais divisão, mais entrada, mais manteiga derretida, mais vinho, mais fresquinho, mais amanhecido, mais mais, mais menos, da fartura e da falta...

outubro 17, 2007

Uma nova conexão com o além

Não quero ser desrespeitosa, apenas entender. Por alguns caminhos, que não vêm ao caso, cheguei à comunidade que foi montada no Orkut para um parente distante que morreu há dois anos. Eu queria checar se era ele mesmo quem eu imaginava, pois só fiquei sabendo de sua morte no feriado e o confundia com os irmãos. Na foto, vi que era o mesmo que eu havia pensado. Um jovem e bonito rapaz. Mas, qual não foi minha surpresa, ao ver que um dos membros da comunidade era ele mesmo, ou seja, o seu perfil no orkut. C onfesso que fui até lá, quase pé ante pé, com um certo medo, mas bisbilhotando, na verdade. E fiquei estarrecida ao ver que nesses dois anos vários de seus amigos deixaram recados, em geral falando de saudades, mas às vezes contando alguma coisa que, pelo jeito, ele seria o confidente ideal. Imaginei que isso não deva ser uma manifestação única, deve ter vários casos desses na rede de relacionamentos. Vejam só como passamos a exigir mais dos nossos fantasmas, antes eles ouviam nossas preces nas igrejas e cemitérios e, agora, também precisam estar conectados para saber o que temos a lhes dizer. Em nossos tempos, até essa passagem ficou mais difícil, vc precisa combinar o acesso banda larga que terá em outra vida, já que vai precisar conferir, diariamente, seu orkut, seu facebook, seu myspace, seu tamagoshi blogueiro, enfim, continuar ligado. O uso de bilhetes para falar com o desconhecido eu até já conhecia, me lembrei da minha visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém. Mas a expressão pelo mundo virtual para falar com o mundo espiritual é uma novidade para mim. Bom, se a pessoa acha que assim é melhor, fica mais tranquila e tem certeza que será lida, que continue a postar recados para o além. O choque mesmo vai ser quando começarem a receber respostas. Salve-se quem puder. Não sei se quero essa "mudernidade".

outubro 15, 2007

Que coisa feia, Steve.

Em dia de Blog Action Day, que tal discutirmos os produtos químicos utilizados no Iphone e que causam danos à saúde? Não faz isso, Steve, seja green de vez.

Ninguém merece o caldeirão na segunda época

Ele merecia ser roubado? Não, não merecia, assim como nós, milhões de brasileiros, também não merecemos. Mas também ninguém merece a capa da Época com um "pobre" Luciano Huck, vítima duas vezes, por ter perdido seu Rolex num assalto e por ter recebido várias críticas pelo seu "indignado" artigo na Folha de São Paulo, onde tenta "discutir" a questão da violência. "A reação fere o direito de igualdade", diz Roberto da Matta na matéria, classificando de neofascimo as críticas que vieram em seguida. Poupe-nos, caro antropólogo. A matéria também crucifixa Zeca Baleiro por ter dito que gostaria de ver um artigo dele tão indignado caso presenciasse uma chacina no Capão Redondo.Mas ela não se aprofunda, apesar de saber que o buraco já está bem abaixo do pé do fogão onde ferve o caldeirão do rapaz. Não li tudo que saiu criticando o menino que perdeu seu Rolex, mas as indignações mais inteligentes vieram de pessoas que não concordaram com a visão simplista, pobre, ingênua e superficial do garoto que sabia que sua morte seria manchete do Jornal Nacional. Do espaço desperdiçado, da voz que, pelo status de celebridade, poderia até ter alcançado a de um tenor, mas não passou de um gritinho desafinado e fora de contexto. De palavras que só fizeram cócegas no mesmo umbigo, sem nada a acrescentar.
No geral, talvez o que tivesse irritado a tantos é imaginar que a pessoa só veio a público falar -- e mal -- de uma panela de pressão que todo cidadão convive há um bom tempo no momento que lhe tiraram um presente da esposa, que poderia ter se tornado precocemente viúva. A questão não deveria ter ficado em volta do Rolex, o melhor seria que ele mesmo não tivesse alardeado o que lhe foi roubado. Eu entendo, por experiência própria, qual é a angústia que se passa quando alguém tem uma arma apontada para sua cabeça. Mas duvido que a violência seja uma novidade para o apresentador. Não se trata de um holandês que acabou de desembarcar no Galeão ou em Cumbica, ele deve ler jornal e assistir noticiários, deve ter atravessado alguma rua enquanto na outra estava em andamento a passeata pela paz, em nome do garoto João Hélio, possivelmente escutou algum relato de roubos e balas perdidas quando visitou o seu próprio Instituto Criar, ou seja, teve tempo suficiente para refletir e pensar em algo mais articulado -- inteligente que deve ser -- para "debater" a questão. Mas, não, a soma não fechou e ficamos sem um resultado que fizesse sentido.
E ainda ficamos de segunda época, como se nós, brasileiros, tívessemos lavado a alma por um mauricinho ter sido assaltado, por mais um Rolex ter sido roubado, e por ter sido feita uma "justiça social". Como se nós, cidadãos comuns, defendessemos a prisão dos que nos assaltam e houvesse uma identificação, positiva, com aqueles que tiram dos ricos. Se isso ocorreu, na extensão que é dita na matéria, eu não visto essa carapuça, não torci nem jamais torceria por qualquer tipo de violência, e não posso entender que tudo se resuma a esse raciocínio pobre e generalista.
A matéria se refere ao fato de que o artigo de Huck o tornou um porta-voz involuntário da classe mais privilegiada, o que virou um castigo diante da intolerância com que o assunto passou a ser tratado. Pode ser, mas o que me irrita é que trata de leve o fato de que no meio dessa reação houve senso crítico suficiente para identificar o falseado e o limitado do seu discurso. De todas as páginas da revista gastas de forma distorcida e maniqueísta o que sobrou está no pé do artigo da Ruth de Aquino que, mesmo morno, finaliza dando um recado para o moço que se um jornalista ou antropólogo escrevesse um texto tão pueril, superficial e auto-referente como o dele, sobre um assunto tão complexo, levaria pau do mesmo jeito. Triste consolo. E para os leitores de Época? Nada.O melhor é rememorar uma das boas críticas ao episódio no Todo Prosa.
Talvez a situação de Huck tivesse melhorado se ele tivesse estendido o assunto a outros problemas. A corrupção poderia ter sido um bom tópico. Ou mesmo a maracutaia que predomina por aí. Ele poderia ter mostrado seu horror a essas práticas no país, um bom artigo que, quem sabe, teria sido mais elaborado se escrito na tranqüilidade da pousada Maravilha, construída sobre o prédio ocupacional do Ibama, em Fernando de Noronha. Um arquipélago preservado onde os moradores levam muito tempo, anos até, para conseguir autorização para construir uma casa e muito mais tempo ainda quando se trata de estabelecimentos comerciais. Com certeza, como proprietário da pousada, ele teria direito a um luxuoso chalé para "pensar melhor" sobre o peso de suas palavras. E o caldeirão continua fervendo.

outubro 11, 2007

Riding with the King

Um ótimo som para a estrada. Acompanhados de B.B.King e Eric Clapton.

Bom feriado

Isso é o que me espera amanhã. Talvez para o interior não tenha tanto trânsito na ida, mas na volta, quando tudo se afunila na chegada a São Paulo, vai ser uma delííííícia. Isso me lembra quando a minha filha e eu, em carros diferentes e cada uma vindo de um lugar, nos encontramos lado a lado na Ayrton Senna, em um congestionamento de volta de feriado. Isso sem combinar, depois de um telefonema apenas para saber onde ela estava. "Estou na Ayrton Senna". "Eu também, em que altura?" "Do lado de um outdoor que tem uma moça com uma calça jeans". "Perto de um posto BR?" "Sim". "Então estamos perto". Em pouco tempo escutei a buzina do carro e emparelhamos. Foi bom, eu voltava para São Paulo e ela só passaria por aqui para pegar a estrada para Ribeirão Preto. Deu para matar as saudades e conversar um pouquinho, pela janela. A amiga dela que estava no carro: "vocês são bruxas?". Não, só aprendizes.
Bom feriado para todos. Ah, e tudo isso veio à tona por causa do desabafo do Neil Son.

outubro 10, 2007

My Morning Jacket - One Big Holiday

Som com muito cabelo voando

O dourado e a água

Outra foto do André Pipa . São águas jorrando em Paris. Tudo de bom, não?

Nada por mim

Já que estou na semana "memories"...

Ai que medo do OHL

Não conheço o grupo, não posso dizer muita coisa. Sei que estão no Brasil desde 99 e já administram vários quilômetros de rodovias por meio de algumas concessões. Mesmo assim, a simples menção de que o grupo espanhol OHL levou o filé mignon do leilão de rodovias hoje na Bovespa já me dá arrepios. Além de saber que os pedágios ficarão mais caros e sobre a melhoria das estradas só podemos torcer, acho que é o "grupo espanhol" que me dá arrepios. Que fique bem claro que não tenho nada contra os espanhóis, mesmo que estejam em grupo. Adoro a Espanha. Mas isso me lembra do leilão da Telebrás, quando o "grupo espanhol" levou também a azeitona da empadinha, a cereja do martini, e ficou com a concessionária do estado mais rico do país. Não há dúvidas de que o acesso da população a telefones aumentou, mas pelo quase impagável preço de muitas e muitas horas perdidas em call centers de atendimento duvidoso. Espero que não tenhamos pontes que "caiam"no caminho porque o engenheiro da manutenção só terá horário em dois dias e assim mesmo com uma visita sem hora marcada. Você que espere. Ou deixemos de nos "conectar" em algum trecho esburacado, porque não lhe resta muita opção, isso acontece e o problema provavelmente será o seu carro. Os dois grupos poderiam se juntar e teríamos uma highway digital. Mas, também, pior do que hoje a Fernão e a Régis dificilmente ficarão, não? Ou será que podem ficar? O OHL assinou compromissos de metas de atendimento e qualidade ou só embolsamos o dinheiro e transferimos o problema? Isso pelo menos o outro grupo teve de assinar.

outubro 09, 2007

Que não caia na nossa cabeça

Estava mexendo nos meus arquivos de fotos e achei essa do final de tarde que tirei em Manaus no começo do ano. É um céu bíblico também, soberano sobre a mundanice rasteira. E me lembrei do Obelix, cujo único medo era que o céu caísse na cabeça dele. Ou será que era o Asterix que tinha esse medo? Whatever, é bom lembrar do nosso tamanho, de vez em quando. Espero que gostem da foto.

Cry Baby

Um remember básico e necessário, de vez em quando. Janis in Toronto.

Itchiiuríuuu...

Esse amendoado triste
e essa alegria insana
esse reflexo azul
tão azul no espelho
de um retrovisor ampliado
escutei sua voz
me chamando
uma, duas
mas eu atravessei
como se estivesse ipodada
e nada mais ouvisse
a não ser a minha própria sintonia
não adianta mais procurar
o azul daquele olhar atravessado
no meio daquela ponte
sem trilha sonora.
(W)

outubro 08, 2007

Os anjos estão perto..

Vou repetir o vídeo que meu amigo Redneck postou. É do Sigur Rós, que ele adora. Mas é mesmo emocionante.

Vamboralá !!

Não sei se é para subir, para descer. Se é para pular, para voar. Ou até se é para cair. Não sei se é por querer, ou sem querer. Ou por nem querer mesmo. Mas sei que é preciso zanzar. Em qualquer lugar, mesmo que seja só na sua cabeça. Ou na minha. Vamos?

outubro 07, 2007

jack johnson - better together (live)

Sem dúvida, é melhor quando estamos juntos.

De alma limpa !!!

Tudo que quero para começar a semana é tomar banho nessa cachoeira. Para lavar a alma. Uma ducha gelada que deixe seu cabelo sedoso, sua pele macia, seu corpo relaxado e sua energia zerada e positiva. Estou lá em pensamentos e vcs podem vir, se quiserem.

Isto não é para você - XXII

(Previously, leia Isto não é para você XXI em Por uma Second Life menos ordinária)

O calor e o longo caminho que precisava percorrer de salto alto do seu apartamento funcional até a sala que estava ocupando provisoriamente no escritório do centro de convenções do hotel cansavam Olívia antes mesmo de ela começar a trabalhar. Ela mal tivera tempo de se adaptar e já tinha sido deslocada para o atendimento a um encontro mundial de uma grande empresa da área de telecomunicações. Um dos responsáveis pela logística do centro de convenções tinha quebrado a perna no dia que ela chegou a Dubai e Nawaz, o diretor, decidiu reforçar a equipe para evitar problemas. A gerente de comunicação da companhia européia já estava histérica mesmo faltando dois dias para a reunião começar e criava muito mais demandas do que o necessário.
Apesar do stress, ela sabia que era melhor não ter tempo para pensar em muitas coisas. A frase de Marcelo ecoou na sua cabeça praticamente durante todo o vôo de Londres para Dubai. "Acabou. Não podemos mais". Seu mecanismo de defesa veio à tona e, apesar de chorar por bobagens, quando a dor era verdadeira não conseguia derramar uma lágrima. Não foi a primeira vez que romperam, ela nem tinha certeza se seria a última. Mas sabia que esse elo era importante,, principalmente agora. Mesmo com 150 mil metros quadrados de jardins, centenas de apartamentos, vários restaurantes, um luxuoso spa a rodeando e cruzando com milhares de pessoas todos os dias, ela nunca tinha se sentido tão solitária.
-- Paul? Quem é esse cara?
A chamada do e-mail a interessou: Olívia, não delete. Luz em Dubai.
Ela resolveu ler, apesar de ter de responder cinco e-mails da maluca que estava contratando o centro de convenções naquela semana.
"Olívia, tudo bem? Espero que tenha chegado bem a Dubai. Nicole, nossa amiga em comum, me passou seu endereço há uma semana, mas resolvi dar um tempo para você se adaptar ao que é considerado um dos melhores cartões postais do mundo árabe. Mas eu sei o quanto esse mundo onde tudo se constrói, enquanto ao redor tudo se destrói, pode assustar. Por isso estou a postos para lhe apresentar todos os pontos onde ainda é possível o resgate de referências e, assim, permitir que você tenha uma aterrisagem mais suave. A começar por um jantar, quando você puder. Tenha o seu tempo e me escreva quando achar que já consegue respirar de novo. Aguardo notícias suas. Paul'
Mas quem era esse Paul? Nicole nunca falou dele. Olívia gostou da sua abordagem e teve vontade de responder imediatamente, pedindo socorro. Mas não tinha certeza se a proximidade com algo relacionado a sua amiga, naquele momento, faria bem. A crise que ela teve no pub podia até ser passageira, mas a sua, com certeza, ainda duraria mais tempo. Arquivou o e-mail para pensar melhor no assunto outra hora.

(Leia o próximo em Mimeógrafo Digital)

O amor não é lindo?


E precisava rasgar o Monet?

Que coisa sem pé nem cabeça. O povo toma porre, fica chato e ainda sai por aí danificando quadros? Pois um bando de bêbados entrou no Orsay, em Paris, ontem à noite, e fez um talho de 10 centímetros no quadro "A ponte de Argenteuill', do Monet. O mais engraçado é que o Ministério da Cultura diz que os "vândalos" entraram bastante embriagados no museu. Se estavam visivelmente bêbados, não deveriam nem ter entrado, não? Uma prevençãozinha básica cairia bem. E para atacar um quadro de 1874, tão precioso. Eles que invadissem um museu do Rolex, se é que existe um, e quebrassem um reloginho qualquer, se é emoção que queriam. Podia até ser do mesmo modelo do Riquinho Huck. Mas um Monet, é de chorar.

outubro 04, 2007

Old Man Jumps From Bridge!!

Olha que ugestão maravilhosa recebi do KK. Quando eu crescer quero ser assim.

setembro 30, 2007

An End Has A Start

Editors, Editors...

Um miadinho domingueiro

Como não tenho a força do meu amigo Redneck para soltar um rugido dominical, fico mesmo no meu miadinho de domingo à noite. Na verdade, estou trabalhando e essa é uma pausa para relaxar. E me divertir com as bobagens que estão rolando pelo mundo. Como a declaração do George Michael que quer fumar menos maconha. Eu fico pensando o que será menos? Ninguém está satisfeito mesmo. E a bicharada no Reino Unido que está com a língua azul. Animais, mesmo, tá. Com essa doença da língua azul o dente também deve ficar azul, não? Daí teremos vacas e bois com bluetooth? E fico sabendo do tiroteio no shopping Interlagos, que pânico, para onde você corre uma hora dessas? Já está dentro da caixa, não tem muita saída. Os tentáculos da loucura estão cada vez maiores, quando você menos espera eles chegam, sorrateiramente, do seu lado, na sua frente, nas suas costas. Benza Deus. Mas voltemos às bobagens domingueiras, como um café da tarde prolongado em que ninguém sai da mesa e as conversas se esticam. Sandy e Júnior em turnê de despedida? Eu não precisava disso, vocês precisavam? E as filmagens de Blindness em Sampa?Algumas pessoas acompanharam. Agora à tarde eu vi o pesadíssimo Freedomland, com a Juliane Moore, muito boa, e o Samuel L.Jackson, sempre ótimo. E nas fotos das filmagens do centro de São Paulo, ela está com a mesma cara atormentada do filme. Agora, um pouco de mulherzice, como diz a Fabi. O que é aquele Mark Rufallo de barba? E eu perdi de ver isso de perto. Tudo bem, nem queria mesmo. E não adianta forçar, não vou falar de política nem nada sério hoje. Bom, vou voltar para as minhas matérias e arrumar minha mala. Parto amanhã para Floripa e só volto na sexta. Até lá vai ser bem difícil alimentar esse Tamagoshi aqui, então fiquem em paz. Me aguardem.

setembro 28, 2007

Uma bela e despudorada exposição de vísceras

Um dia desses dei uma passada pelo Todo Prosa , do Ricardo Soares, e me deparei com o que ele chamou de uma despudorada exposição pública de vísceras. Uma crônica em forma de poesia, ou uma poesia em forma de crônica, que me emocionou muito. Com todo talento que tem para as palavras falou por ele, por mim, e, provavelmente, por você. Com a autorização dele, reproduzo aqui. Sintam.

Tenho saudades do meu pai e tenho saudades da minha mãe
e saudades de outro tempo onde eu não tinha saudades
tenho saudades do tempo onde eu acordava e via o meu filho
pequeno
e saudades de por a cabeça no sereno quando o tempo escorria
de outro jeito

tenho saudades da vasta amplidão do meu peito
onde cabiam mais amigos e menos desafetos
tenho saudades das crônicas antigas,
das minhas infantis dores de barriga
de um tempo onde eu enxergava meu futuro
sob uma parreira de uva

tenho saudades de um tempo onde eu não me envergonhava
como agora
de dividir essas lembranças com vocês
tenho saudades de velhos noticiários do rádio,
das mãos que seguravam as de meu pai
do vai e vem dos amores da infância
do jeito romântico que eu sonhava com a palavra
da minha inquietação juvenil que no fundo me tocava
fazendo a poesia mesmo ruim ter o vigor da ereção
da propulsão
a quentura do fogo, a força da lava

tenho saudades de não ter vergonha de rimar
de um tempo nem tão antigo
onde eu vi o homem tocar o solo lunar
com o meu pai bem aqui nesse lugar
onde hoje só estão as suas lembranças

tenho saudade do tempo da escrita rude
do fundo pedregoso da represa
de peixes espinhudos que peguei
da jaboticaba madura que provei
do incêndio que , estúpido, não apaguei

também tenho saudades dos sonhos,
daqueles amarelos que na porta da escola eu comia
e me lambuzava
e de outros mais remotos que eu sonhava
tenho saudades do pão quente
do pão presente que então se fazia
e de um futuro que a mim apetecia
onde eu seria tudo de grande
no limite da minha fantasia

o tempo da imagem enfim vingou
o que era doce nem mais doce ficou
e o futuro se pra mim não acabou
futuro, enfim , não se tornou

meu pai foi embora
minha mãe está longe
e eis-me na trincheira aqui sozinho
sem ser martir
sem ser sequer um coitadinho
mas ciente do tamanho que possuo

odeio por fim o pragmatismo
esse rumo tomado, anti-romantismo
onde tecer a palavra é fazer mau jornalismo
onde as regras se soprepõe aos fatos
onde os pratos sujos não são lavados
entre os intervalos das refeições
pois come-se muito

come-se Deus
come-se a boa palavra
come-se a lógica
come-se a ética
a métrica, todos os dedos
come-se o bem, a delicadeza
a mais sensata forma de beleza

come-se a árvore
e deixa-se o cimento do pátio

então, ali no átrio eu grito :
ONDE ESTOU ?PRA ONDE VOU ?

qual o dilema aristotélico que tem
no coração de todo aflito ?

R.S.