janeiro 30, 2008

Tempo, tempo, tempo...

Quando eu era jovem tinha comigo que se existia algo democrático era o tempo, ele passa igual para todo mundo. Hoje, vejo que para algumas mulheres, pelo menos na aparência, não é bem assim. Para muitas, leia-se as de muita grana, o tempo não parece passar com a velocidade que passa para as demais, as menos abastadas, onde me incluo sem rancor. Já para muitos homens a aparência não parece importar tanto e as atitudes e o estilo lhe garantem, ou não, a jovialidade que lhe é necessária para agradar e encantar. O charme e a inteligência, amigos, não tem idade. Mas o que fazer quando alguém se recusa a envelhecer quando a olhos vistos isso já é uma realidade e, mais ainda, se agarra a estereótipos que não lhe servem?
Bom, tudo isso para contar o telefonema que recebi ontem de uma amiga que estava no aeroporto de Zurich, voltando de Davos. É preciso explicar que, como eu, ela adora U2 e nossa performance preferida sempre foi cantar e dançar Elevation. Foi minha grande companheira na
fila para a compra dos ingressos do primeiro show do U2 em São Paulo. A única diferença é que ela considera o Bono lindésimo e charmosésimo enquanto eu tenho uma queda pelo Larry Mullen Jr. Bom, essa mesma amiga em uma pizzaria em Davos, na segunda-feira, viu o Bono entrar acompanhado de um grupo de pessoas. Foi sua revanche já que em todas as outras coberturas de Davos ela não tinha conseguido ver seu ídolo. Mas, a máxima de que muitas coisas devem ser guardadas na imaginação valeu para isso.
Triste, ela me disse que ele aparenta estar mesmo velho, gordo, usa sapato plataforma e, mesmo assim, ainda é baixinho. Nada contra os baixinhos, acho muitos sedutores, mas sapato plataforma, faça-me o favor. Não bastasse, ela, quase chorando, me diz que ele pinta o cabelo de acajú. Meu Deus, Bono, acajú? Qualquer mulher da idade dele de bom senso sabe que se não quiser ficar parecendo com a legião de outras da mesma idade deve evitar o acajú. E pintar o cabelo?
Ele não precisaria ir tão longe para perceber que esse tipo de vaidade não leva a lugar algum. Era só olhar para seus próprios companheiros de banda, como Adam Clayton, que assumiu os cabelos brancos em um corte super bem feito, o que lhe confere um certo charme, ou o Edge, que adotou o gorro para esconder sua calvície mas apenas durantes os shows. Ou o Larry, bom esse é outro caso. Ser o vocalista tem um peso, sem dúvida, ele canta para muitos jovens, mas não precisa se parecer com eles em tudo, a própria música funciona como um antídoto ao envelhecimento, pelo menos de mente e alma. Já não é suficiente?
O relato ainda era mais dramático. Ele se comportava, segundo ela, como um velho babão dando em cima da lindésima rainha Rânia da Jordânia, que mais parece uma top model. E também se engraçava, ainda como um velho babão diz minha amiga, para todas as outras jovenzitas que o acompanhava. Bom, até aí ele deve achar que o peso de mega rock star deve ter alguma serventia.
Se o poder não serviu para conquistar as mocinhas pelo menos serviu para lhes garantir pizza. O episódio mereceu uma nota hoje na coluna da Sonia Racy e foi dado pelo olhar de outro jornalista que, provavelmente, não era apaixonado pelo Bono. Esse grupo de jornalistas brasileiros chegou a essa pizzaria e foi avisado que só poderiam pedir sopa já que o pizzaiolo tinha ido embora. Quando Bono, Rânia e cia chegaram as pizzas apareceram na mesa deles. Questionados, os donos explicaram que diante de tão ilustres fregueses nomearam, no ato, um pizzaiolo estreante. Cest la vie.
Bom, eu continuo fã do som do U2, isso não me afeta e aguardo com ansiedade o lançamento do próximo CD que, espero, tenha a mesma força do anterior. E o Larry, ah, esse é um grande exemplo de como o tempo pode ser favorável.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ei Patty,

Ainda volto pra me despedir direito. Tô só esperando você se pronunciar sobre aquela maluquice de blog coletivo que inventei, se é que aquilo faz algum sentido ...

Os textos, mais e mais saborosos. Nunca escutei uma música desse U2, mas até começo a me interessar. O que mais gostei? O Empire State Building saindo de sua cabeça, como uma mecha desgrenhada pelo vento gélido dessa terra de escoceses e judeus. E o seu velho olhar, cada vez mais jovial...

leve solto disse...

Patty, também faço parte das menos favorecidas (em grana)rs E nem tenho vontades de mudar muita coisa em mim... Fundamental é ser criativa pra se sentir bonita! rs

Ahh os "matchos" de cabelos tingidos... urgh.. odeio! Nada mais charmoso do que um grisalho bem resolvido. Acajú? É só prestar atenção... Políticos corruptos: a maioria pinta cabelo e sempre de acajú, cantores decadentes: idem, homens muito certinhos (odeio): cabelos engomados e.. acajú!!!rs

E, como consideração adicional (é certo que isso pode nem importar como comentário aqui...mas não resisto): nada como homens inteligentes, charmosos sem fazer tipo, papo interessante, bem humorados e com atitude! Fala sério? quem vai olhar a cor do cabelo ou os músculos desenhados???rs Eu não vou mesmo!!!!

Bjs

Mara

(U2 adoro.... mas acajú jamais!!!)rs

Patty Diphusa disse...

Oie
RM, cada hora vc apronta uma. Que história é essa de blog coletivo? Não é que pode ser uma boa idéia?
Adorei a sua imagem do empire saindo da minha cabeça, como uma mecha desgrenhada. Lindo.

Mara, vc classificou bem que pinta o cabelo de acajú. Boa observadora. E super concordo com o não tem preço os caras inteligentes e charmosos. Posso não olhar os músculos e cabelo, mas e o vice-versa, vale?

Bjs proces.

Anônimo disse...

Patty, querida,

Essa conversa começou meses atrás, entre a Luciana G, o Marcos Rocha e eu.

Chegamos a formatar um modelo, mas nunca tivemos tempo nem saco para tirá-lo do papel. Quando a Luciana fechou o Verbofeminino tentei resgatar a idéia com um time de blogueiras, mas também não colou.

De lá pra cá, evoluí no conceito e expus mais ou menos lá no Plano Geral. Quer me parecer que o ideal fosse um blog "profissionalizado", com os blogueiros sendo remunerados. Marcos, que é do ramo, está consultando algumas pessoas da área, aí em Sampa.

Acho que um blog coletivo, predominantemente feminino, comandado por mulheres, mas sem excluir a opinião masculina é um "produto" de web a ser pensado; mas reconheço que sou um pitaqueiro incorrigível...

É possível que a amplitude do projeto requeira uma espécie de editora-chefe e das pessoas que conheci na blogosfera acho que você, entre outras poucas, tem essa competência.

Estou à sua disposição para esclarecer alguma dúvida se você se interessar em tocar esse bonde. Tenho certeza que também o Marcos e mesmo a Luciana G, que a exemplo desse que vos fala, não deverá participar do projeto.

Tô me mandando da blogosfera mas acho que ainda vou lhe chatear um pouco com aquela história de blog "corporativo-setorial"...

Grande beijo pra dona do olhar mais bonito da blogosfera brasileira.


PS: vou mandar o vídeo sim, mas acho que vou tocar sozinho. O Vinícius não tem o menor saco pra ensaiar e eu sou prefeccionista. Em compensação descobri que a maquineta que tenho em casa faz vídeos... sou uma besta quadrada.

Patty Diphusa disse...

Como assim se despedindo da blogosfera? vai mudar para um canto isolado que não pega nem reza braba? não vai nunca mais usar a internet?

sobre o blog coletivo profissional podemos conversar sim, é preciso amadurecer mais essa história, não?
bjs